Marcelo Katsuki

Comes & Bebes

 

De volta




Partidas geralmente são marcadas por melancolia mas a expectativa de retorno é sempre estimulante. Os últimos instantes na Bahia (mais precisamente, no pier do Porto da Barra) ainda estão frescos na memória: da imagem da velha senhora que faz o sinal da cruz antes de retirar a água do mar para molhar os pés dos turistas até a criança que corre e se atira contra a onda acompanhada pelo cachorro que da margem late animado com medo da água.

Na bagagem, perspectivas de boas lembranças: uma garrafa de flor de dendê, camarões secos e defumados, manteiga de garrafa, algumas doses de "cravinho" e dois acarajés comprados na Cira, numa parada estratégica a caminho do aeroporto.

O retorno na tarde fria (pra não dizer gelada) de São Paulo só foi reconfortado pela calorosa recepção de amigos na chegada. E a vontade de ficar em casa, sob as cobertas vendo a chuva fina cair só permitiu um pequeno improviso na cozinha: um udon (sopa de macarrão japonês).




Como eu faço:
- Cozinho 250g de macarrão para udon, conforme instruções da embalagem, escorro e reservo (à venda nos grandes supermercados)
- Fervo um litro de água com um pacote de "hondashi" (caldo de peixe, mas pode ser de frango ou carne)
- Adiciono 4 colheres (de sopa) de shoyu (molho de soja)
- Coloco o macarrão numa tigela, enfeito com fatias de "kamaboko" (massa de peixe, mas pode ser uma boa fatia de lombo também), cubro com o molho bem quente e decoro com omelete e nori (alga marinha desidratada) em tirinhas e muita cebolinha picada. Rende 2 porções.

Existem muitas formas de se fazer "udon", essa é uma versão minha (de preguiçoso mas saborosa). Se você quiser uma receita mais elaborada com tempurás (legumes empanados), e que explique a preparação do caldo, pode acompanhar o passo-a-passo aqui.

Escrito por Marcelo Katsuki às 21h23

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Praia do Forte

Praia do Forte



Depois de uma manhã entre tartarugas e arraias do Projeto Tamar, fiquei caminhando a esmo pela Av. ACM em busca de um lugar para beliscar algo. A avenida, assim como toda a vila, é pura tranqüilidade, com lojinhas e cafés charmosos, sorveterias e até um colorido bar mexicano.

Entre tantas opções atraentes, acabou chamando-me a atenção um pequeno restaurante com apenas 6 mesinhas, sendo uma delas ocupada pela própria chef. Ela comia com visível prazer enquanto encaminhava os pedidos para a cozinha, de onde saíam pratos apetitosos. "Apetitosos não: gostosos. É a melhor moqueca da Bahia!", bradava ela que divertia as poucas pessoas no salão com a deliciosa espontaneidade baiana. "Já viu minhas fotos com Ivete (Sangalo). Pois veja o álbum!"

Ali não se via apenas Ivete de pé, Ivete sentada, Ivete com criança, Ivete com Luedi, mas boa parte dos ídolos do axé posando na casa (só não me pergunte o nome pois não saberia dizer). O pequeno ponto (aliás, "Point do Ivan") era quase um trio-elétrico. Ou seria um "bistrô-elétrico"?

Diante das tentadoras opções com ótimos preços, acabei começando pelo "polvo na chapa com molho picante", passei para a "abobrinha e brócolis grelhados com molho teriaki" e finalizei com uma moqueca, claro, que chegou à mesa incensando a rua com seu aroma de côco e coentro e dendê! Antes mesmo que eu terminasse o pequeno banquete, o restaurante já estava todo tomado, com fila de espera e tudo.

Perguntei a ela o motivo do sucesso de seu restaurante mas a resposta veio da mesa ao lado: "Ela fez macumba". A brincadeira gerou gargalhadas e poderia até fazer sentido, afinal estamos na Bahia. Leudi nem deu confiança para a provocação, afinal a verdadeira magia ali provou ser feita na cozinha mesmo.

Escrito por Marcelo Katsuki às 00h33

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Berinjela vale por uma costela?

Berinjela vale por uma costela?



Eu, como bom carnívoro (e fã de berinjelas), tive de ler a edição especial de "Vida Simples" sobre comida para matar a curiosidade.

A edição intitulada "O Verdadeiro Prazer de Comer" (nas bancas) traz um coletânea com as melhores reportagens sobre gastronomia publicada pela revista. Há matérias sobre "slow food", comida orgânica, para crianças, macrobiótica, botecos, piqueniques e até jejum! Sem falar das ótimas matérias de "feras" como Josimar Melo (colunista da Folha) e Rita Lobo sobre temas como o mito da escolha do vinho nos restaurantes, exercícios para aguçar o paladar e até truques e soluções para comer desacompanhado.

A edição traz ainda excelentes ilustrações, como essa feita de berinjela por Carlo Giovani. Ótima leitura para qualquer hora. Agradável e informativa, muitas vezes com uma linguagem intimista, que fala direto ao coração (e ao estômago!). Prepare o bule de café.

Escrito por Marcelo Katsuki às 17h12

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Traído pelo desejo

Traído pelo desejo




Finalmente pude conhecer o Amado (Av. do Contorno, 660, Bairro do Comércio, tel. 71-3322-3520), novo restaurante de Edinho Engel, do Manacá (Camburizinho). Sempre admirei a cozinha desse chef, sem desconstruções mirabolantes, mas com uma abordagem da cozinha contemporânea simples e extremamente saborosa. Afinal, pra que complicar?




Cheguei faltando 15 minutos para o fechamento do restaurante, empurrando a imensa porta pivotante de madeira, meio agitado, ansioso por um drinque para relaxar. Logo de cara, percebi que era mais um daqueles restaurantes onde "a gente quer morar". Amplo salão, pé-direito alto, jardins de inverno e arcos com tijolos aparentes; tem até um deck, onde você poderia passar as tardes tomando sol (e um bom Dry Martini) enquanto lê o novo livro do Nick Hornby ao som de Alfie (música recorrente nessa viagem). Muito clichê? Tudo bem...




O serviço quase informal, mas cuidadoso, ajudou a quebrar a formalidade do espaço. E o couvert tem pães de fabricação própria, como o saboroso pão integral com nozes, que foi muito bem com as pastas e o azeite. As entradinhas de polvo ao vinagrete eram tão boas que tive de repetir.

Em meio a algumas sugestõe previamente selecionadas, como o "PF Bahia", com 5 pratos típicos, a "pescada amarela com banana-da-terra e arroz de côco" e o "salmão grelhado com bolo de milho verde e vinagrete de frutas vermelhas", fui surpreendido pela sugestão do maitre: "camarões, lulas e polvo grelhados com legumes", ou o Prato do Pescador. Simples que só; não tive como resistir.




Quando o prato chegou, a surpresa foi quase uma decepção: ao ver a disposição perfeita das fatias de abobrinha e beringela e os enormes camarões empilhados, imediatamente lembrei-me de que já havia comido esse prato no Manacá! Sem surpresas, mas sem decepções também: o prato estava perfeito. Ainda mergulhei o último naco de pão no suculento molho dos mariscos, como quem não quer abrir mão do prazer até o último instante.

O relógio já marcava 16h30 e o sol já invadia o salão pelo imenso janelão de vidro, que oferece uma visão panorâmica da baía. E permite que você ainda "pegue uma corzinha" enquanto finaliza com um cremoso expresso uma refeição que já valeu o seu dia.

Escrito por Marcelo Katsuki às 01h36

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Feira de São Joaquim

Feira de São Joaquim




Seguindo a dica da Marie, fui conhecer a Feira de São Joaquim, logo depois do Comércio, a caminho da Ribeira. Feira? Adoro! E se tiver muitas "quinquilharias", melhor ainda! Não me decepcionei.




Logo na entrada já fiquei de olho nos imensos tachos de alumínio fundido; dariam ótimos "coolers" para as latinhas de cerveja numa próxima festinha. Louças para oferenda a R$1,00, que ficariam perfeitas com pipoca ou totopos, mas para a gente mesmo comer. Seria um desatino, e eu seria castigado pelos Orixás? Nessas horas queria ser totalmente ateu, mas tenho medo até de escuro, Deus me defenda afrontar os deuses!




Lá tem de tudo. Numa animada conversa com uma baiana de tabuleiro, aprendi porque existem camarões secos de 7 e de 16 Reais. Coma o mais caro primeiro. Depois, prove o barato. Cadê o sabor? Aprendi também que a "flôr de dendê" não era um azeite mais novo, e sim o dendê sem aquela borra branca que se deposita no fundo da garrafa (e deixa a comida mais "pesada").




Provei, e comprei, um delicioso queijo de coalho aerado como um "Sufflair", que a vendedora insistia em chamar de "ricota". Depois de rodar por quase duas horas entre pimentas, galinhas e santos, acomodei-me no balcão do pequeno bar do Pedro e da Maria para me refrescar com uma cerveja. Picamos parte do queijo ali mesmo, que quase derretia de macio e nos deliciamos com ovos cozidos e sardinha frita, tudo o que havia para comer.

O bar é um simples quiosque escondido atrás do ponto de ônibus. A Maria, fica mais escondida ainda, abaixada junto ao balcão. Mas nem isso foi capaz de impedir uma divertida conversa, entre segredos do preparo da "passarinha", que uma cozinheira fritava logo adiante. Maria, que preparou as excelentes sardinhas não poupou elogios aos quitutes da vizinha. Tanto desprendimento assim tem nome: generosidade.


Escrito por Marcelo Katsuki às 01h34

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LAMBRETA

LAMBRETA



Uma das minhas maiores diversões em Salvador é comer "lambreta" no Mercado Modelo. Mas não nos restaurantes suntuosos da cobertura. E nem nas mesinhas do pátio, onde capoeiristas e baianas fazem a festa das máquinas fotográficas dos turistas. Meu lugar predileto é o balcão da Cantina Modelo, naquele corredor escuro sob o mezanino dos sanitários.

Ali, de pé, disputando uma brecha no balcão com os locais, você come muito bem, pede a cerveja "trincando" de gelada, paga pouco e ainda participa de animadas discussões ou apenas escuta estórias engraçadas, como a de um rapaz que dizia se chamar Valdisnei "porque mainha gostava muito de 'seu' Walt Disney". Fala sério!

Sempre que estou lá (parada obrigatória), acabo sendo abordado por turistas que querem saber o que estou comendo. Imagino que eles pensem algo do tipo "um oriental de pé comendo num balcão assim, ou a comida é muito boa, ou está fazendo 'harakiri'!" E todos acabam pedindo a lambreta. E quem fica contente é o Jair, que passa a servir várias porções para a moçada que agradece nos mais diversos idiomas.

Lá na "Cantina" já comi de tudo. Mesmo. De agulha, pititinga, postas de cavala, sarapatel, carne "de fumeiro", uma sinistra tripa de porco frita e até o feijão dos empregados pedi um dia para provar. E veio uma porção generosa, que dava para três pessoas, gentilmente oferecida pela cozinheira, a Marinalva. Na hora de botar a farinha, a tampa do pote soltou e 'tchibum', lá se foi toda a farofa pro chão. Algum estresse? Nem pensar! "Foi o santo que pediu", alguém trata logo de explicar. Coisas da Bahia, meu nego!

Escrito por Marcelo Katsuki às 00h16

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O Cravinho

O Cravinho

Sempre passei na porta ali meio apreensivo, ansioso para chegar ao Pelourinho, e nunca dei muita atenção. A posição privilegiada (no Terreiro de Jesus) me fazia pensar, erroneamente, tratar-se de um ponto de turistas. Estava enganado. Fui levado ao Cravinho (Pça. XV de Novembro, 03) por um amigo com a promessa de conhecer uma bebida forte, que ele mesmo não aguentara tomar meia dose. A bebida era o "cravinho", infusão de cachaça com ervas e especiarias, misturada a outras bebidas, como vinhos e licores. E lá fui eu. Surpresa: o ambiente é meio "cenário" mesmo, com barris e garrafas por todos os lados, mas a freqüência era de... baianos! Um foi logo avisando que o lugar tinha ótima bebida e deliciosos petiscos. E o melhor: a bons preços. Não era preciso falar mais nada.


A bebida é preparada na hora, onde o barman realiza a "alquimia" misturando o líquido que sai de várias torneirinhas presas num barril. Dentre as quase 40 opções, optei inicialmente pela de capim santo, que imaginei, pode me embriagar, mas deve fazer bem para alguma coisa, hehe. Daí passei para a de gengibre, que dizem, limpa o sangue. Hmmmm. Depois pedi a "cravinho" mesmo, que fez a fama do lugar. Continuava inteiríssimo, para surpresa do meu amigo. Tive ainda forças para provar a "senzala", com cachaça, vinho, Catuaba, Jatobá, mel e limão, que dizem ser altamente afrodisíaca! E a saideira foi a de "laranjeira", forte como um licor envelhecido, puro sabor de casca de laranja. Havia infusões de nomes como Nafuampa e Nofurico, mas esses, nem pensar em pedir, né?

Pra não entregar os ponto ali mesmo, pedi um dos petiscos mais vendidos na casa, a maxixada. Que coisa saborosa! Meu pai teria calafrios se me visse comendo aquele maxixe (coisa que ele não aprecia mesmo!), mas a combinação com frutos do mar, ovos e leite de côco (erramos!) era perfeita. No balcão você ainda complementa com uma vinagrete cheia de coentro, farinha e pimenta, claro. No dia seguinte acordei ótimo, nem tive dor de cabeça, coisa que geralmente acontece quando tomo cachaça. E aquela lembrança do gostinho da maxixada me perseguiu por todo o dia. Preciso voltar lá antes de ir embora, mas preciso me conter para não cair na tentação dos "cravinhos" novamente. Se é que isso é possível...

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h52

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Trapiche Adelaide e o Bar da Ponta

Trapiche Adelaide e o Bar da Ponta




Pra mim o Trapiche (Pça. Tubinambás, 2 - Av. Contorno - Tel. 71-3326-2211) é sem dúvida, um dos mais lindos restaurantes que conheço. Ali, tudo é perfeito: a localização privilegiada sobre as águas da Baía de Todos os Santos, a decoração equilibrada e aconchegante, a cozinha impecável, o atendimento cortês, e de quebra o pôr-do-sol mais lindo que pude ver sentado à mesa.

Em minha primeira visita, deslumbrado com tanta beleza, e com uma "espontaneidade baiana" ocasionada talvez por algumas tacinhas a mais, deixei um bilhete para o proprietário, o Zé Carlos, elogiando o restaurante e dizendo que queria morar lá. Que falta de juízo!

Para minha surpresa, alguns dias depois chega um e-mail, do próprio, agradecendo as considerações e pedindo para procurá-lo em minha próxima visita. Muito educado o senhor Zé Carlos; poucas semanas depois lá estava eu de volta, para mais uma seção "comida com vista pro mar". Mas nem pensar em procurar o "Zé", por favor! Fiquei lá quietinho, comendo no meu canto com medo de ser reconhecido como o "tal que sonha em invadir o restaurante", enquanto o sol alaranjado começava a atravessar as persianas largas em feixes sinuosos refletidos pela água revolta.



Daí, sem nem pedir, me instalei no agradável lounge onde fiquei por um bom tempo sentado nos confortáveis sofás, observando a movimentação dos funcionários, enquanto caía a tarde.

Logo, abria atrás de mim o Bar da Ponta, anexo do restaurante, e lá fui eu, de um pro outro, sem escalas. Sentei na última mesa, na ponta, e fiquei impressionado com o visual e a sensação que se tem ao se comer com tanta água em volta. O bar é todo de vidro, e as janelas que circundam o lugar vão do teto ao piso. O medo de cair de lá de cima me parece inevitável. Para acompanhar mais uma garrafa de espumante, nada como uma chapa de frutos do mar salteados com palmito. E queijo grelhado com abacaxi e mel de engenho. Sim, já que estamos aqui, vamos comer mais um pouquinho.

Diante da minha obsessão com as janelas laterais (é incrível o fascínio que o perigo exerce às vezes, não? ainda mais se você estiver sob efeito etílico, digamos), um garçom contou-nos a história de uma mulher que caiu mesmo da janela. E o marido se lançou às águas para resgatá-la. Nadaram até a margem, mas não se sabe se voltaram para pagar a conta. Isso sim que é uma saída em grande estilo! Não acham?

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h33

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Sorveteria da Ribeira

Sorveteria da Ribeira



O slogan logo avisa: "o prazer de fazer sorvete". E devem ter muito prazer mesmo, coisa que você logo vê pela simpatia dos funcionários, da caixa até os atendentes do balcão. Foram apenas dez minutos dentro da sorveteria, divididos entre "provadas" na ponta do palito de vários sabores e gargalhadas compartilhadas com os funcionários. Já era noite, eles poderiam estar cansados, mas não o bastante para se esquecer do bom humor. Essa coisas fazem muita diferença, porque eu, vejam só, nem gosto tanto de sorvete, mas tomei dois.

Doce de leite (os sabores exóticos eu provei no palito e me fartei, nem precisei pedir, hehe). E o outro foi de nata-goiaba, o sabor que eu mais gosto, e que conheci numa sorveteria em João Pessoa chamada Friberg. Acredite: eu gosto tanto desse sorvete, que já até me trouxeram num isopor certa vez. Dos outros que provei, gostei muito do de tapioca, de côco e de biribiri, mas nem me pergunte que sabor é esse, porque não consegui decifrar. Mas era bom, muito bom.

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h00

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É SACANAGEM!

A Dadá, patrimônio histórico da Bahia, é famosa por suas moquecas gigantescas e pela gargalhada contagiante e solta, onde quer que esteja. Tive o prazer de conhecê-la em São Paulo mesmo, num evento bastante formal, nos salões do WTC, onde ela reinava absoluta. Com seu riso retumbante, assustava a maioria dos executivos presentes, que se surpreendiam com frases do tipo "já provou a 'punheta', meu nego? (bolinho de estudante) Vai bem com café!", enquanto distribuía "um cheiro" e procurava (ansiosa) pelos colunistas locais.




Quando vim conhecer um de seus restaurantes, o Sorriso da Dadá (no Pelourinho, tel. 71-3321-9642), o que me chamou atenção na verdade foi um drinque, chamado Sacanagem da Dadá, que, claro, me remeteu imediatamente da noite no WTC. Achei que aquela bebida era a cara daquela baiana arretada. Pedi um. Depois outro. E mais outro. A combinação de vodca com frutas tropicais (umbú cajá, goiaba, maracujá, morango, uva, acerola) não é mais novidade nos dias de hoje, mas na época me pegou de jeito. Lembro ainda dos divertidos copos, ilustrados com posições sexuais para cada signo do zodíaco.

Hoje os copos se quebraram, e a bebida vem num copo longo e liso. Perdeu o charme da "sacanagem" da Dadá, mas não o sabor. E é claro, continua delicioso, irresistível... como deve aliás ser toda boa sacanagem, hehe.

Escrito por Marcelo Katsuki às 22h46

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Chantilly

Chantilly

"Nada melhor, depois do amor,
do que abrir uma lata de pêssegos em calda
para comer com a mulher amada."

Pérola "gastronômica" de Wando, retirada do livro de memórias de Danuza Leão, "Quase Tudo", quando ela relembra os tempos como jurada de TV e cita o cantor. Aliás, um livro que foi um ótimo companheiro nos dois primeiros dias de férias. Leitura super agradável, divertida e surpreendente; recomendo sempre.

Escrito por Marcelo Katsuki às 22h26

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Bahia, Brasil.

Bahia, Brasil.

Aqui estou eu, mais uma vez em Salvador. Aproveitando a incansável paisagem do Porto da Barra (onde estou hospedado), ainda tentando baixar um pouco o ritmo e aprender com os locais um pouco do "savoir faire" baiano; e é claro, comendo muitos acarajés.

Acarajé aqui é coisa séria. Seríssima. E nada me deixa mais alegre do que sentir o cheiro do dendê quente, com os bolinhos espremendo-se no tacho, pegando cor, escorrendo na espumadeira para depois serem recheados com vatapá, carurú, camarão seco e salada. Ah, e a pimenta, claro! Pior que nunca me contento com um ou dois. Como até passar mal. Sempre trago na mala uma cartela de Xenical, sei que é loucura, até passo por algumas situações bastante aflitivas, mas funciona. E me permite comer mais cinco ou seis acarajés no dia seguinte, sem grandes transtornos na balança.

Aqui em Salvador, Cira e Dinha fazem, na minha opinião, (e na de muitos) os melhores acarajés da Bahia. Para comprovar é só ver o tamanho das filas diante de seus tabuleiros, recheados também de cocadas, abarás e os bolinhos de estudante.




Cira utiliza ingredientes de primeira. O tamanho dos camarões do recheio surpreende e o sabor é único. Aliás, ao comer o acarajé da Cira, você elimina um dos ítens do livro "1.000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer ". Só daí já dá para sentir o prestígio da baiana.




O acarajé da Dinha também é excelente, com uma massa super crocante, mesmo depois de fria. E a vantagem é a localização: fica no Rio Vermelho, mais próximo que o da Cira, num agradável largo tomado por mesinhas e bares. E se quiser um pouco mais de conforto, basta atravessar a rua para chegar ao Restaurante da Dinha, onde são servidas moquecas perfumadas, e é claro, os famosos acarajés, que podem vir em versão aperitivo, com os recheios separados.




C&B também é cultura
Pelo que li, a origem do acarajé vem do akará, alimento sagrado oferecido a Iansã, deusa africana dos ventos, tempestades, relâmpagos e fogo. Segundo a lenda, Iansã foi enviada à terra dos Baribas, onde tomou um preparado que lhe deu o poder de cuspir fogo.

Relatos indicam ainda que os africanos realizavam cerimônias com o fogo, onde engoliam mechas de algodão embebidas em azeite de dendê em combustão, para homenagear os deuses, o que lembra o ritual de preparo do acarajé. Será que é por isso que a gente praticamente cospe fogo quando come um bem apimentado, ou em bom baianês, "bem quente"?

Escrito por Marcelo Katsuki às 22h05

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Tin tin!




É em clima de festa que inauguro esse blog (afinal, acabo de festejar mais um aniversário) e não poderia estar em lugar melhor: de férias na Bahia. Considerando-se que vou tratar de comida e bebida, e que sou um fã incondicional da culinária baiana, já adianto que esses dias (chuvosos) em Salvador devem render alguns bons e apimentados 'posts'.

No mais, relaxem e aproveitem. Prometo não enveredar pela crítica gastronômica especializada, mas sim apresentar dicas de lugares, comidas, bebidas, eventos e até mesmo receitas, já testadas (e aprovadas) ao longo de inúmeras madrugadas "pós-balada", naquelas altas e bem conhecidas horas quando bate aquela fominha e não resta outra alternativa a não ser encarar um fogão às 4 horas da manhã. Tampouco pretendo me limitar à alta gastronomia, já que os grandes achados encontram-se muitas vezes em locais simples e despretensiosos.

E é nessa mesma linha, franca e direta, que pretendo levar este blog. No balanço das ondas e com pitadas (apimentadas) de humor, claro. É isso. Mãos à massa que já falei demais e a água já ferve no fogão...

Escrito por Marcelo Katsuki às 21h35

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PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki é editor de arte de Mídias Digitais da Folha, colaborador da revista sãopaulo e colunista da "Prazeres da Mesa".

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