Harmonizando chás e sushis
Além do aspecto social de se compartilhar momentos, apreciar uma xícara de chá pode ser uma experiência de auto-conhecimento. Hora de se desligar das preocupações do dia-a-dia e tocar sua sensibilidade interior. Foi exatamente isso que nos proporcionou Tainá Guedes, do
Nakombi (R. Pequetita, 170 , Vila Olímpia - tel: 11-3845-9911) ao oferecer um menu de harmonização de pratos orientais com chás da
Inti Zen.
Os pratos foram selecionados por Jo Takahashi (Diretor de Arte e Cultura da Fundação Japão) e os chás, infusões especialmente "desenhadas" pela
tea blender argentina,
Inés Berton, verdadeira alquimista da
Tealosophy.
A aventura começou com "Ebishinjo" (delicados rolinhos fritos recheados com camarão, tofú e cenoura) acompanhados por
Chaman Chai: instigante chá de canela, gengibre e cardamomo, aromas de especiarias que envolveram com perfeição a leveza da entradinha.
Na sequência, os "Tempurás de legumes e camarões" foram perfeitamente acompanhados por
Silêncio Andino, chá verde com camomila e casca de laranja. O chá verde já seria um acompanhamento natural da comida oriental, mas as notas cítricas impressas pela laranja harmonizaram-se perfeitamente com a fritura.
O terceiro prato, "Kombinado de Salmão" foi acompanhado em cor e doçura pelo
Inca Rose:
Earl Grey perfumado com pétalas de rosas. Jo ainda brincou que foi "inspirado apenas pela cor" mas a fragrância marcante da rosa me pegou de surpresa, redimensionando o sabor adociado do salmão. Às vezes a harmonização acontece no "contraste" dos sabores, gerando um terceiro elemento invisível; nesse caso, foi uma "complementação" mesmo, incrível.
Antes da conclusão do menu, fomos surpreendidos por uma novidade: o "menu azeitado" (nome ótimo!), que introduz azeites aos pratos orientais, revelando uma vocação mediterrânea do novo cardápio. O "Tataki de salmão com azeite de limão siciliano" foi perfeitamente acompanhado de um inesperado
Ouzo, destilado grego de aniz marcante.
Já no fim dessa viagem dos sabores entremeada por ponderações pra lá de interessantes sobre arte e cultura, fechamos com "Banana flambada com sorvete" e o
Patagonia Bee, infusão de mel, cacau e baunilha; intenso e rico de aromas, agregou um delicado sabor de baunilha ao sorvete de creme.
Ninguém sentiu as cinco horas que duraram a aventura, tamanho o prazer do momento. Fui traído apenas pelas minhas pernas, que clamando por algum exercício físico, se recusavam a me levantar do tatami e partir para casa. Talvez nem eu e tampouco elas quisessem partir mesmo...
Dicas para aumentar o seu prazer na "hora do chá"
Com o frio que se instalou na cidade, nada melhor do que se reconfortar com uma boa xícara de chá quentinho. Abaixo, algumas dicas essenciais.
- Chá não combina com barulho. Silêncio, ou no máximo uma música suave ao fundo.
- Não deixe a água ferver, pois pode queimar as folhas e comprometer o sabor e o aroma. Se isso acontecer, aguarde alguns minutos para que a temperatura da água abaixe e fique entre 60 ºC e 90 ºC.
- Comece com chás leves de ervas ou frutas. Infusões aromatizadas e chás puros vêm depois.
- Para conseguir sabor mais intenso, aumente a quantidade de chá, nunca o tempo de infusão.
- Infusão: para chá verde um minuto e meio. Chá preto, dois a três minutos.
- Tampe o bule durante a infusão para condensar o aroma da erva.
- Evite adoçar, mas se necessário, prefira o açúcar ao adoçante.
- Xícaras de porcelana mantém a temperatura e não interferem no sabor.
- O hábito de colocar leite veio dos britânicos e é indicado apenas para os chás mais concentrados.
- Armazene as ervas em local fresco e sem luz. Nunca em potes de vidro, pois a exposição à luz comprometeria o aroma.
- O saquinho de chá é extremamente prático, mas seu conteúdo perde as características com mais rapidez.
- O prazo máximo de validade de um chá é geralmente de três anos.