Marcelo Katsuki - Comes & Bebes
Marcelo Katsuki - Comes & Bebes
 

1º Encontro do Comes & Bebes

1º Encontro do Comes & Bebes



É isso aí, vai rolar um pequeno encontro para podermos conversar e comemorar juntos esses poucos mas deliciosos meses de interação.

Apesar da correria do final de ano, do trampo todo aqui na redação e do completo caos em que se transformou a minha vida por conta da mudança de apê há 3 dias, consegui organizar um 'eventinho' do blog para fechar o ano em grande estilo! Claro que não teria conseguido nada sem a ajuda da Adriana Mello e do chef Carlos Ribeiro da Mamarana, então obrigado aos dois.

Mas chega de 'conversê' e vamos ao que interessa. Faremos um pequeno jantar com harmonização de vinhos sul-africanos importados pela Distell, que apoia o evento. A idéia é realizar um jantar agradável e despretensioso, portanto nem se preocupe se você não souber nada sobre vinho. Tá todo mundo lá para aprender mesmo, inclusive o 'escrivinhador' aqui.

Acho que conseguimos chegar a um preço super em conta para um jantar com 3 pratos, 3 vinhos e um licor (eu diria até imbatível!). Mas isso porque o evento não tem fins lucrativos e mesmo o restaurante está trabalhando com uma margem super apertada (por isso se fez necessária a reserva com parte do pagamento antecipado).

Haverá um coquetel de boas vindas na chegada quando poderemos ter um agradável bate-papo e breve apresentação dos vinhos a serem harmonizados, seguido do jantar. Te espero lá!

Informações e reservas com Lucélia: tel: (11) 3661-8799 e 3661-8307.

Escrito por Marcelo Katsuki às 19h50

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Cardápio da semana

Lamberto Percussi recebe hoje, quarta-feira, o Sr. Carlos Pizzorno, CEO das Bodegas Pizzorno do Uruguai, para um exclusivo wine dinner na Vinheria Percussi (Informações e reservas: 11-3088-4920 e 3064-4094). O jantar conta com menu elaborado pela chef Silvia Percussi para harmonizar com os vinhos artesanais que serão apresentados por Pizzorno. Preço: R$ 115 (inclui menu, bebidas e serviço).




Tem "Bazar de Natal" nesse final de semana (de 6ª a domingo) no Ginger Café (Al. Campinas, 1060 - tel: 11-3885-5771). Muitas comidinhas como trufas, pães de mel, chocolates, roscas natalinas e biscoitos decorados por ótimos preços. Além de bijuterias, cerâmicas, roupas, bolsas e acessórios. Já comentei sobre o Ginger aqui, e até estive lá nesse finde para um café da manhã super gostoso e com ótimos preços.






Se você se 'embanana' todo quando se depara com aqueles termos "en croûte", "marinière" ou "brunoise" nos cardápios, seus problemas acabaram! Helen Helene lança no dia 6 de dezembro (quarta-feira, das 19h às 22h) o livro Dicionário e Termos de Gastronomia Francês-Português. Local: Livraria da Vila da Casa do Saber, Rua Dr. Mário Ferraz, 414, Itaim Bibi - S.Paulo.




Lembra o "rodízio de petiscos" que virou moda no Rio e eu dei aqui no blog tempos atrás? Pois é, o Mateus Bar (Rua Mateus Grou, 24, Pinheiros - tel: 11-3085-3873) acaba de lançar o seu. Pelo valor de uma porção, (R$ 10,90), você terá direito as pastéis, bolinhos, canapés, mini-pães recheados, calabresa acebolada, batatinha, brusquetas e salgadinhos em geral. A única regra é que todos da mesa devem aderir ao sistema, que funciona diariamente das 17h até o fechamento da casa. Ah, ainda dá para fechar um preço especial com chope incluído. Fale com o Ricardo no telefone acima. Taí, uma ótima opção para as festinhas de fim de ano da firrrma!






Nos dias 6 e 7 de dezembro, Bella Masano recebe Flávia Quaresma, a chef carioca do Carême Bistrô, para menu a quatro mãos. As chefs realizam juntas um menu composto por sete etapas, servido no restaurante Amadeus( Rua Haddock Lobo, 807 - tel: 11-3061-2859) apenas no jantar. No menu brilham pratos como a "Panelinha de Mexilhões em pesto Thai" e "Riso Nero de Venere com Cavaquinha e Funcho". Ótima oportunidade para conhecer o talento da chef carioca. Informações no telefone acima.

Escrito por Marcelo Katsuki às 07h58

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5 perguntas para Manoel Beato

"5 perguntas para Manoel Beato"



Manoel Beato, chef sommelier do restaurante Fasano há mais de 15 anos, lançou um guia de vinhos que deve virar referência para os apreciadores da bebida no país. O Guia de Vinho Larousse (Editora Larousse do Brasil, R$ 29,00) reúne informações (e notas dadas pelo autor) sobre mais de mil rótulos de todas as nacionalidades disponíveis no mercado brasileiro e o melhor: com preços para todos os bolsos (a partir de R$ 12,00), para auxiliar na escolha de vinhos adequados para o dia a dia.

O livro traz informações sobre a produção, as principais uvas, como deve ser o serviço de vinho (como abrir a garrafa de forma correta) e aborda a harmonização do vinho com pratos como o vatapá, churrasco e até pastel! Muito legal! Fechando o livro, um glossário com os principais termos utilizados e dicas de sites. Super útil!

C&B.1 - A harmonização de vinho com comida busca uma complementação no sabor ou podemos fazer uma harmonização com elementos contrastantes que 'briguem' no paladar mas resultem em algo interessante?
Manoel Beato Os dois. Você pode ter a complementação tanto contrastante ou fazendo uma fusão. Podem, sim, ocorrer os dois casos.

C&B.2 - Existe algum prato difícil para harmonização? Já ouvi falar que pratos com alcachofra são complicados...
Manoel Beato Existem, sim. Realmente, pratos com alcachofra são muito dificeis de ser harmonizados, assim como pratos com rúcula, com um forte gosto amargo e picante.

C&B.3 - Já passou por alguma situação embaraçosa na profissão? (como derramar a bebida em algum cliente ou servir vinho oxidado ou "bouchonée").
Manoel Beato Sim, por várias. Já deixei cair vinho no cliente, já quebrei garrafas no restaurante, esse tipo de situação. Agora, nunca servi um vinho oxidado, pois faço questão de experimentar os vinhos que sirvo.

C&B.4 - Os vinhos de 'terroir' estão perdendo terreno ou têm sua fatia garantida? Li recentemente que os vinhos estão passando por um processo de uniformização por conta das exigências do mercado.
Manoel Beato Sim, isto é uma verdade. Porém existe sempre uma resposta. Os produtores de vinhos de terroir já estão preparando uma resposta, vindo em uma contra-corrente.

C&B.5 - Qual o lado bom e o lado ruim da profissão? E o que é preciso para ser um bom sommelier?
Manoel Beato Para mim não existe um lado ruim em ser sommelier. O que as pessoas consideram ruim, que é a dedicação e o estudo, eu vejo como prazeiroso. O lado bom é o número de relacionamentos interpessoais, além, é claro, da evolução do olfato e do paladar, sentidos que na maioria das vezes passam despercebido pelas pessoas.
Eu acredito que para ser um bom sommelier você tem que ter paixão. Só assim você terá força de vontade e perseverança, pois todo começo é difícil. Você precisa também ser curioso e bastante aberto, não ter medo de ir a fundo e ter personalidade para descobrir por você mesmo o que é qualidade em um vinho.

Escrito por Marcelo Katsuki às 10h07

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Japonês a preço de fast food

Japonês a preço de fast food


[O 'teishoku' do Waka: reconfortante até no bolso]


Conheci o Restaurante Waka há mais de 15 anos, enquanto implantava o projeto visual do Extra Brigadeiro, hipermercado que fica logo em frente. Era dureza: durante o dia acompanhava a rotina da loja e de madrugada supervisionava o trabalho dos instaladores (terceirizados), que não poupavam equívocos para me enlouquecer. Um exemplo? Instalaram o tótem da fachada ao contrário com o logo invertido! Jesus Maria e José!!! Paguei o pecado de 3 encarnações, quase fui esfaqueado quando mandei arrancarem todos os caixas desalinhados mas no meio disso tudo conheci o Waka.

O Waka era o meu 'secret garden'. Podia cair a marquise em cima dos carros (coisa que felizmente não aconteceu), que às 12h00 eu corria para lá. Era só atravessar a rua. O lugar é bem escondido, fica no fundo de uma galeria, atrás de um ponto de ônibus lotado de gente. É pequeno e muito simples: resume-se a um balcão e uma salinha (ozashiki) na sobreloja que acolhe poucas pessoas. E eu logo me instalava no cantinho, ao lado de caixas de cerveja empilhadas e calendários de empresas (uma verdadeira instituição japonesa, essa dos calendários de firrrma). Aliás, para ver de onde são as pessoas que frequentam o local, basta dar uma rápida passada nos logotipos estampados nos calendários.



Ali, no meu cantinho isolado do mundo, conseguia esfriar a cabeça, desligava o botão da trabalheira louca que aquela obra estava me dando e fazia uma refeição para a alma. O simples teishoku do Waka conseguia me transmitir o aconchego e a segurança da casa dos meus pais. O sabor me remetia imediatamente às descontraídas refeições feitas na casa da minha batian (avó) com aquele aroma de shoyu adocicado saindo das panelas. Assim como a madeira escura do armário de prateleiras rasas com os calendários de gueixas sorridentes pisando sobre flores de cerejeira. Olhava pro Darumá feliz com os dois olhos pintados, o gatinho da sorte abanando a mão com seu sorriso desconfiado e degustava calmamente cada pratinho colocado no balcão pela Maria (Hiroko).


[Bolinho de carne com salada e "sôssu", molho inglês encorpado]


O "Teishoku" do Waka não é o mesmo que você vai encontrar em grandes restaurantes. Aprendi ali um sentido muito autêntico desse 'prato feito' japonês, formado por sopa, arroz, peixe e um cozido de legumes. É um prato 'corrido', feito para uma refeição rápida mas que não dispensa o ato da contemplação. E um grande trunfo do Teishoku do Waka é seu preço. No almoço você paga apenas R$ 8,00 por essa refeição reconfortante, com opções de carne que incluem às vezes até picanha e ainda tem direito a chá e sobremesa. Se quiser incluir uma pequena porção de sashimi, sobe para R$ 12,00. No jantar, por R$ 15,00 vem 'turbinado' com mais opções como a salada de tofú (queijo de soja) e os deliciosos croquetes de carne moída com batata, que podem ser pedidos à parte no almoço por R$ 0,60 cada. Tem ainda o bolinho de carne com salada por R$ 2,00 a unidade, que tem uma textura diferente (mais leve) mas sabor de almôndega da avó, com aquele gostinho de saudade. Aliás, foi isso que me fez voltar lá no sábado. Saudade de comida gostosa. E nesse caso, muito barata.



Restaurante Waka
Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - Loja 15
Cerqueira César - S.Paulo/SP
Tel: (11) 3191-0280

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h58

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Chez Victor Brasserie: apuro dos sentidos

Chez Victor Brasserie: apuro dos sentidos



Laramara é a maior instituição sem fins lucrativos do país voltada para assistência e desenvolvimento humano de pessoas com deficiência visual. Lara é a inspiradora desse movimento. Seu pai, um homem ativo e de grande espírito empreendedor, criou o instituto mas dedica-se a outras áreas como a hotelaria, a indústria farmacêutica, gráfica e até musical.

A mesma competência que emprega nesses setores pode agora ser conferida no simpático restaurante inaugurado na casa vizinha ao Institudo. A Chez Victor Brasserie abriu as portas na semana passada com um festival com grandes chefs que doaram seu tempo e sua arte para uma semana especial. De Emmanuel Bassoleil a Michel Darqué, todos criaram cardápios exclusivos para atrair uma clientela disposta a deixar o circuito Jardins-Itaim e conhecer a nova casa, instalada na Barra Funda.

O cuidado com os detalhes da decoração e o funcionamento da casa são impecáveis. Da chegada, ao som do agradável sax vindo do músico que embala a Bossa Nova no palquinho do mezanino até a eficiência da brigada do salão, tudo é perfeito. Parte do estafe vem da rede Unique, que acompanha a nova equipe durante a implantação do projeto.



Toda a renda obtida com o funcionamento da brasserie será destinada para a Instituição Laramara. Isso já seria um grande incentivo para que você prestigiasse a casa, mas todo o conjunto apresentado nessa primeira semana já faz da Chez Victor Brasserie um lugar especial. E as promessas de qualidade de comida e atendimento, aliada a uma parceria imbatível com a Mistral (grande importadora de vinhos) já são garantia de um futuro promissor. Aceite o convite dessa viagem. E bon voyage.




Como só podia conhecer a casa na quinta, acabei na noite da chef Fabiana Cesana (do Sophia Bistrô), o que já era garantia de alguns momentos de contemplação. Cheguei lá como sempre 'correndo' e meio agitado, mas logo fui acalmado com uma taça de champagne e um 'amuse bouche' pra concentrar os sentidos na mesa. 'Amuse bouche' (que seria algo como "entreter a boca") é um tipo de mini-prato servido antes da entrada para, como diz o nome, divertir o cliente antes da escolha dos pratos. Mas aquele 'amuse bouche' fez mais do que entreter. Me lançou ao espaço logo no primeiro prato!



Fabiana criou uma base de milho com queijo semelhante a um 'aligot' e cobriu com um mix de cogumelos suavemente perfumados com azeite de trufas rodeado por delicado pesto que era um delírio de aromas e sabor. Eu quase pedia para prato principal (adoro comida 'cremosa'!).



Ainda bem que contive a má educação e me preparei para o próximo prato: um Rilette de aratú crocante flambado no pastis. A carne do aratú me divertia, com a geléia de pimenta e redução de balsâmico, além do caviar, dando voltas na língua, quase numa brincadeira infantil. Aratú é um caranguejo escuro que já vi muito no Nordeste, mas foi a primeira vez que comi aqui. E o aroma de anis que o pastis provocou naquilo tudo? Sem falar da saladinha de verdes salpicada de 'nori' (alga japonesa desidratada). Eu só conseguia sorrir naquele momento.



O prato principal foi uma orgia: a brilhante e dourada codorna vinha recheada com uma perfumada farofa de tâmaras acompanhada de arroz negro com castanhas e uma flor de batata frita que era um 'capricho' de gourmet. Com o vinho harmonizado, a vida quase fazia sentido ali. Mas esperei pacientemente pela sobremesa, que veio acompanhada do sorriso da chef: "é fava de tonka", me disse ela quando perguntei o que era aquele perfume 'amadeirado' do creme brulée. Fava de tonka? Já tinha ouvido falar de perfumes utilizando essa semente, mas no prato era inédito.



E assim o dia corrido terminou envolvido por um inesquecível creme brulée com uma canção de Piaf ao fundo, som recorrente na casa. E eu quase saí de lá cantarolando "Non Je Ne Regrette Rien", mas tenho consciência -mesmo envolto em perlages e taninos- que tô mais pra "Desafinado" e que ninguém merece tamanha displicência.

Chez Victor Brasserie
Rua Conselheiro Brotero 331
Barra Funda - S.Paulo/SP
Tel: (11) 3824-9208

Escrito por Marcelo Katsuki às 22h35

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PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki, 40, é editor de arte da Folha Online. Formado em arquitetura, Kats é também cozinheiro, sommelier e DJ.

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