Marcelo Katsuki

Comes & Bebes

 

Trilha sonora



Ontem fui a uma festa no Azaït, restaurante e boutique especializada em azeites e tive uma noite daquelas. O mote era o lançamento do CD da casa com músicas étnicas mediterrâneas mas chegando lá, em meio a uma multidão animada e um farto desfile de comidinhas, champanhe e muito uísque, descobri que era aniversário do restaurante. E de seu proprietário também.


[finger food: batatinha com presunto crocante]


Isaac Azar corria de um lado para o outro com disposição invejável, daí pude entender como ele consegue cuidar também de outro bistrô (o Paris 6), da importadora de azeites, dos vinhos e ainda arranjar tempo para escrever poemas e até produzir um disco. E a gente sempre reclamando que anda sem tempo. Tá.


[Detalhe da pintura do teto]


O Azaït tem uma ambientação que impressiona. Mas vou deixar para falar da loja e seus produtos futuramente. Vamos ao "Mediterranean Dreams". Ouvi o CD e ele traz 15 músicas que abrangem diversas tonalidades musicais do mediterrâneo, com sonoridades árabes, hispânicas, gregas e italianas. As faixas são bem climáticas e nos transportam imediatamente a cenários cheios de mistério, uma viagem e tanto! As envolventes vozes do disco são da soprano Sabrina Shalom e dos cantores Carlos Slivskin, Sami Bordokan e até do próprio Isaac Azar, que também participa do disco recitando algumas poesias.



Este é o primeiro CD de um restaurante no Brasil, e reforça o conceito dos restaurantes de Isaac: unir gastronomia e cultura. O disco estará disponível no Azaït para os clientes adquirirem. Gostei tanto que vou voltar lá para comprar um exemplar para as 'habibas'. Acho que elas também vão gostar.

Azaït Restaurante Boutique
Endereço: Rua Peixoto Gomide, 1532, Jardins -S.Paulo
Telefone: 11-3063-5799
CD Mediterranean Dreams: preço R$ 33,00

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h03

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Jabuticaba é hype

Jabuticaba é hype



Coitada. Ela já foi até chamada de 'uva dos pobres'. Casca escura, espessa, semente lodosa e visualmente indigesta envolta na polpa viscosa. Ah, a jabuticaba... Pois é, parece que a frutinha tá na moda. Depois do Kir com jabuticaba do "Brasil a Gosto", deparei-me ontem com uma receita de Martini de jabuticaba, criada para promover a reedição da "Black Smirnoff 55". Tudo bem que já teve sushi com jabuticaba, e até bacalhau e rabada com o molho da fruta. Mas agora parece ser a vez dos drinques.

Jabuticaba eu conheço bem. Passei boa parte da infância entre uma jabuticabeira e um pé de goiaba. Mas nem era tanto pela fruta. Eu comprava 10, 20 chicletes Ploc e subia na árvore com o saquinho na mão. Passava horas pensando na complicada vida de infante enquanto mascava o chiclete, cujo sabor durava pouco. Daí fazia uma bola bem grande e soltava lá de cima. Claro que fazia uma sujeira no quintal, mas quando a gente é criança acha que pode tudo, inclusive arrumar mais serviço para os adultos: abria outro chiclete, mascava e pluft. Garoto fino - e muito ocupado, diga-se de passagem.

Deixando a falta de modos de lado, vamos à receita do Martini. Tem um de jabuticaba e outro de lichia; eu fiz a primeira e é uma delícia! Mas como era segunda-feira, achei de bom tom testar a de lichia ao longo da semana, seria muita birita pra esse corpinho maltratado! Depois eu publico, a lata já está na dispensa me aguardando.


[e eu achando que as taças pretas que ganhei da turca véia
não iam ter muita utilidade... taí, Dri!]


Black Martini Jabuticaba

Ingredientes:
- 50 ml de vodka Smirnoff Black
- 12 jabuticabas
- gelo
- 1 colher de bar de açúcar de baunilha (aquele usado em confeitaria, no mercado fica perto do fermento em pó)

Modo de preparo:
Em uma coqueteleira coloque as jabuticabas e uma colher de açúcar de baunilha. Macere até obter um suco e adicione uma pá de gelo. Junte a vodka. Agite até que a mistura fique gelada e coe em uma taça de martini. Como guarnição, utilize uma jabuticaba.

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h00

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Dia de festa no mar

Dia 2 de fevereiro é dia Iemanjá. E é claro que em Salvador acontece uma grande festa para saudar a mãe das águas - lá na praia do Rio Vermelho - com centenas de barcos saindo em procissão, flores, oferendas, velas, perfumes. E eu estava aqui numa tristeza danada pensando na festança que vou perder no bistrô da Tereza, quando recebi um e-mail do Obá que me deixou animado!



O restaurante vai promover um festival de comidas em reverência à Iemanjá! A anfitriã será Josélia Regis, a Jôse, cozinheira que tem um pequeno restaurante à beira mar na ilha de Boipeba, na Bahia. E a gente vai poder escrever pedidos nos envelopes (em azul e branco) que serão depositados em um barquinho no espelho d'água que fica na entrada do Obá - com uma ambientação com temas de Iemanjá assinada por Carlos Tavares. No final do festival, a Jôse vai levar para a Bahia todos esses envelopes e colocá-los no mar de Boipeba.

O cardápio também me deixou bem empolgado, com o enroladinho de refogado de siri em fatias de banana da terra fritas (12,50) e a casquinha de aratu com farofa de manteiga (13,90). Eu adoro aratu! A moqueca de caju e camarão seco com arroz, pirão e farofa de feitiço (32,00) também. E para finalizar, bolinho de estudante com sorvete de coco e farofinha de caju (11,90). Ah, o festival tem ainda outras opções e acontece de 1 a 11 de fevereiro. Vai pensando nos pedidos!

Obá Restaurante
Endereço: Rua Melo Alves, 205, Jardins - S.Paulo
Telefone: 11-3086-4774

Escrito por Marcelo Katsuki às 08h46

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Muito além do Frango Xadrez


[óinc! óinc!]


A JCI Brasil-China promoverá o 1º Festival do Gourmet Chinês na próxima terça-feira, dia 6 de fevereiro, das 18h30 às 22 horas, na Viandier Casa de Gastronomia (Al. Lorena, 558 - Jardins). No dia, chefs especializados executarão pratos da cozinha chinesa que poderão ser desgustados pelos participantes. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail: secretaria@jcibrasilchina.org.br (R$30,00 antecipado ou R$ 40,00 no dia do evento).

E só para lembrar, a 2ª Festa do Ano Novo Chinês acontecerá nos dias 10 e 11 de fevereiro na Liberdade. Eu fui no ano passado e achei muito legal, vi até a dança do dragão e me acabei nas comidas, claro!

Ah, o simpático porquinho acima é para indicar a chegada do "Ano do Porco" (ou Javali) no dia 18 de fevereiro, de acordo com o calendário chinês. Segundo a tradição, é um ano de prosperidade, com promessas de vida farta e rica. Então, viva o Ano do Porco!

Escrito por Marcelo Katsuki às 10h42

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Finde light



Passei o finde em casa. Tentando dar um jeito nas caixas da mudança (ainda as caixas!!!) me meti até a ler o divertido Acabe Com a Bagunça para tentar "por um fim ao caos", como sugere o livro. Daí já fui logo fazendo um drinque (com Absolut Mandarin, maracujá e gengibre) para estrear os novos copos comprados no dia anterior (fui conhecer a nova loja da Etna) e me joguei no sofá com o livro na mão enquanto o Rapture fazia tremer o som na sala. Domingueira!

Para o almoço pensei em fazer algo prático e leve, para não me tirar do foco (arrumação). Foi quando lembrei do papilote de peixe com nirá (cebolinha silvestre). É bico:

Papilote de Peixe
- Sobre uma folha de papel alumínio coloque o filé de peixe (pescada, abadejo, linguado);
- Coloque o nirá (cebolinha) picado sobre o peixe;
- Polvilhe 1/2 colher (chá) de açúcar e regue com 2 colheres (sopa) de shoyu (molho de soja);
- Feche o embrulho e asse no forno por 20 minutos.
- Se quiser pode colocar algumas fatias de gengibre e cebola para aromatizar o peixe ou ainda legumes em tirinhas (como cenoura ou abobrinha). Use o que tiver na geladeira.

Ficou super leve, perfumado, não pesou nada no estômago. O mesmo não posso falar dos drinques. Aih, aih... acho que me empolguei um pouco 'demais além da conta' e acabei tendo que deixar a arrumação para o próximo finde. Observando deitado dali do sofá as caixas já nem me incomodavam mais. Joguei uma toalha branca em cima de tudo e acho que ficou até clean... voltei pro sofá, pro drinque e pro livro, que espero, me ajude a não perder o foco na semana que vem.

Escrito por Marcelo Katsuki às 10h39

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Felicidade, passei no vestibular...



Olha só, meu texto "Entrou pelo cano" publicado aqui no blog foi usado para compor as 5 questões de português do vestibular da Universidade Federal do Pará no mês passado! Minha professora de redação (dos tempos de colégio), D. Cidinha Baracat deve estar orgulhosa, hehe. Aê, D. Cidinha!!!

Reproduzi as 5 questões em forma de quiz para quem quiser avaliar como anda o português. Ou simplesmente para ver como anda a compreensão dos textos aqui do blog, hehe.

Clique aqui para fazer o teste!

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h41

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Onde comer Dim Sum



Quer saber onde comer Dim Sum em São Paulo? Leia a matéria que escrevi para o "Guia da Semana" sobre esses deliciosos bocados chineses clicando aqui e descubra!

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h06

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Parabéns pra... ué, cadê o bolo?



Vendo as imagens pela TV da comemoração do aniversário da cidade com as pessoas avançando sobre o bolo no Bixiga - antes mesmo de cantar o tradicional 'parabéns' - confesso que fiquei envergonhado. Mais parecia luta livre na lama. Ou melhor, no glacê. Chegaram até a derrubar algumas mesas!

Por que não organizam uma fila para servir o bolo? Uma não, várias (já que o bolo tem 453 metros), para facilitar a distribuição e poder atender a todos? Do jeito que está nem dá vontade de ir lá assistir à festa. Alguma outra sugestão?

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h04

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Agenda de cursos

Quer aproveitar o final das férias e fazer um cursinho para aprimorar o seu talento na cozinha? Abaixo os próximos cursos de duas conceituadas escolas da cidade.



Escrito por Marcelo Katsuki às 10h31

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Cozinha experimental

Olha só, o Marcos Beraldo de Juiz de Fora resolveu testar as duas últimas receitas postadas aqui e acabou fazendo uma 'harmonização' da carne de sol com o Tzatziki. Talvez uma desarmonização, hehehe? Bom, o fato é que sua esposa Renata e os filhos André e Pedro (de 7 e 2 anos) adoraram, segundo ele. A prova está logo abaixo.



E como diria García Canclini, isso sim é hibridismo cultural à mesa!

Escrito por Marcelo Katsuki às 11h45

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São Paulo Fashion Drink

São Paulo Fashion Drink



Lá vem a temporada de moda na cidade! E o Restaurante Tarsila, do InterContinental São Paulo (Al. Santos, 1123 - tel: 11-3179-2600) está oferecendo drinques especiais em comemoração à semana de moda. Nada de álcool ou bebidas calóricas! Os drinques foram elaborados pela nutricionista do hotel, Flávia Camargo, e têm como objetivo aumentar a imunidade, a hidratação e a resistência corporal. Conheça as receitas e seus benefícios:

- Melancia com suco de limão (120 calorias)
Tem função hidratante e refrescante e é feito com 400 g de melancia e 20 g de suco de limão (suco de 1 limão)

- Salsão e abacaxi (93 calorias)
Preparado com 180 g de abacaxi (4 rodelas finas) e 50 g de talo de salsão (1 talo), aumenta a imunidade, a resistência e também é fonte de vitamina C.

- Laranja e agrião (175 calorias)
Feito com 300 ml de suco de laranja (suco de 4 laranjas) e 15 g de agrião (1/2 copo de folhas de agrão), é energético, rico em fibras e vitamina C e aumenta a imunidade.

A primeira, de melancia com limão, é 'campeã' de pedidos lá em casa. Não tem coisa melhor no calor!

Escrito por Marcelo Katsuki às 18h23

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Agenda: São Paulo 453 anos



O Bistrô Charlô criou um menu especial em homenagem ao aniversário de São Paulo. São três versões de pratos tipicamente paulistanos, selecionados pelo próprio Charlô: cuscuz paulista (R$ 50,00), farnel (R$ 32,00) e picadinho na ponta da faca com pastel (R$ 32,00) que serão servidos de 25 a 28 de janeiro. O bistrô fica na Rua Barão de Capanema, 440 - Jardins - tel: 11-3088-6790/ 3083-3793








O Nakombi oferece um menu especial em homenagem ao aniversário de São Paulo de 22 a 28 de janeiro a R$ 116,00 (os pratos podem ser pedidos individualmente). O menu apresenta ceviche de frutos do mar com molho yuzu, anchova preparada no vapor de missô e gengibre com risoto, kombinado com sushis e sashimis e tempurá de frutas com sorvete de baunilha. Endereços: R. Pequetita, 170 - tel: 11-3845-9911 e Av. Brigadeiro Faria Lima, 254 - tel: 11-3814-9898





Para comemorar o aniversário de São Paulo, Marie-France Henry do restaurante La Casserole voltou às origens e trouxe para atualidade um prato que figurava no primeiro cardápio da casa, o Pêssego Melba. De 25 a 31 de janeiro, a sobremesa será apresentado em versão contemporânea servida sobre massa folheada e zabaglione. O restaurante fica no Largo do Arouche, 346 – Centro - Tel: 11-3331-6283







No dia 25 todo cliente que almoçar ou jantar no Bendita Maria irá ganhar uma pizza brotinho de chocolate, com coco e lascas de cereja, com o formato do mapa do Estado. O restaurante possui serviço a la carte além de um buffet, por R$ 18,90, com 25 tipos de saladas, 12 de pratos quentes e sobremesas.O Bendita Maria fica na rua Augusta, 2.963 - Jardins - Tel: 11-3081-2687








O Bar da Praça, inaugurado recentemente no bairro de Higienópolis, zona oeste da capital, fará a promoção "Um chopps e dois pastel". Durante todo o dia 25 de janeiro, todos os clientes que forem ao bar e pedirem um chopp terão direito a porções de pasteizinhos de carne e queijo à vontade. O cardápio já homenageia a cidade com sanduíches com os nomes de praças da cidade, como o "Panamericana", de pastrami e o Vilaboim, de filé com gorgonzola. O Bar da Praça fica na Praça Vilaboim, 65 - Higienópolis - tel: 11-3826-2941








Para o aniversário de São Paulo, a Casa da Fazenda do Morumbi vai oferecer um buffet com pratos especiais, típicos paulistanos, tais como Picadinho à Paulista, Frango Caipira, Leitão à Pururuca, Virado à Paulista, entre outros. Além disso, será criada uma Ilha de Caipirinhas feitas com diversos tipos de frutas, conforme a preferência do cliente e à vontade. Tudo isso pelo preço individual de R$ 65,00. A Casa da Fazenda do Morumbi fica na avenida Morumbi, 5594 - tel: 11-3742-2810.

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h13

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Eu quero uma casa no campo...

Eu quero uma casa no campo...



Eu sempre volto das férias precisando de férias. Afinal a gente acaba abusando um pouco do sol, das noitadas, sem falar da comidaiada toda (e das bebedeiras, uih). Por isso dei um pulo na semana passada na Eco Pousada Pedra Grande (Estrada da Pedra Grande, km 5,5 - Atibaia/SP - Tel 11-4411-0999) e me tranquei por 2 dias em um chalé onde nem celular pegava.

Freqüento essa pousada há anos e não tem lugar melhor para recompor as energias e dar uma 'desopilada' de vez em quando. Lá tem uma pequena queda d'água (que eu preguiçosamente chamo de cachú) no meio de pedras e uma vegetação fechada que mais lembra um mini santuário. A água cai tão gelada que desperta até defunto! Depois de um banho com direito a massagem com a água você tem ânimo até pra subir o morro carregando uma rocha. Claro que eu prefiro ficar esticado ao lado da piscina olhando o paredão verde que cerca a 'casa grande'. E se o corpo não está destruído, já peço uma caipirinha com cachaça artesanal, ligo o i-Pod e deixo a vida me levar!



As comidas lá são bem caseiras, o que faz a gente comer horrores. Imagina depois de nadar, passear de caiaque, fazer Liangong, se pendurar na 'tiroleza' (até parece que eu sou tão atlético assim, hehe) bate aquela fome danada. O legal é que as verduras são todas cultivadas ali mesmo, ou seja, crocantes e fresquinhas.



Nos finais de semana a refeição completa sai por R$ 25,00 e inclui saladas, pratos quentes e sobremesas, com frutas, doces em compota e pudim de leite (com furinhos, Roberta!). Tudo com aquele gostinho de comida 'da fazenda'. Mas o bom é passar uma noite lá, tomar um vinho junto à lareira, se deliciar com os pães feitos com ervas que acompanham a sopa, fazer a refeição completa olhando a paisagem noturna e ir 'jiboiar' no chalé depois de toda a comilança. Não tem coisa melhor, pro corpo e pra mente. Hmmm, acho que já tô precisando de um retorno.

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h45

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Fome de Tzatziki



No final do ano passado fui a uma animada festa árabe com direito a todas as delícias dessa cozinha e dei vexame. Grudei a pança na mesa e passei a noite toda comendo Tzatziki como se fosse a última refeição da minha vida. Era Tzatziki com kibe de bandeja, com torradas de pão sírio, com esfihinhas abertas e até com uma carne louca que apareceu na mesa. Só desloquei o corpo na hora de ir embora, o que poderia ser rolando, já que o estrago tinha sido enorme!

Tzatziki é um tipo de antepasto de origem grega cuja base é pepino e iogurte. Tem um sabor muito marcante por causa do alho mas a hortelã deixa essa pasta incrivelmente refrescante. E pra minha alegria encontrei uma receita na semana passada e descobri que era simples de se fazer.

Fiz uma porção, provei e ficou ótimo! Daí pra completar o revival botei o 'óclão' e desci à pé até o meu oásis favorito, a Tenda do Nilo (Cel. Oscar Porto esquina com a Abílio Soares), a apenas duas quadras de casa. Sábado lá é aquele auê, mas nem me estressei: pedi logo uns kibes para viagem e fiquei esperando no balcão. Pra quê... logo juntei ao pedido o aromático trigo cozido com costela desfiada e a sensacional berinjela com pasta de tahine. Se você conhece os pratos de lá sabe que esses adjetivos não são gratuitos.

Voltei pra casa, montei um "PF Tzatziki" e bati o recorde de dentadura. Comi tudo tão rápido que nem deu tempo de fotografar, kkkkk. Na verdade nem consegui me lembrar da digital. Foi a fome...

Tzatziki
- 2 pepinos sem casca passados em ralador grosso e escorridos
- 1 copo de iogurte ou coalhada seca
- 4 dentes de alho socados (eu usei só 1 passado no ralador para ficar mais suave)
- folhas de hortelã picadas
- 1 colher de sopa de vinagre (ou limão)
- sal e azeite a gosto

Misture todos os ingredientes até conseguir consistência de patê. Se quiser usar como salada, corte os pepinos em cubinhos ou rale em fatias finas, ficam ótimos (fiz uma parte assim).

Escrito por Marcelo Katsuki às 11h20

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A Senhora das Especiarias



E eu tive que ir pra Bahia para descobrir as geléias da Senhora das Especiarias? Pois é... Essa empresa mineira fabrica há anos geléias diferenciadas como de hibisco, de kinkan (aquela laranjinha amarga), de rosas e a de alfazema, que acabei de comprar numa rápida visita ao Santa Luzia. Tudo produzido com açúcar orgânico, sem corantes, conservantes artificiais ou aditivos químicos.

O bom é que as geléias são distribuídas em vários locais do país (dá uma olhada no site deles para ver se tem na sua cidade). Vão bem com carnes e são também excelentes para dar aquele toque final em canapés, brusquetas e tarteletes. Ah, eles também produzem chutneys, temperos e antepastos.

Para acessar o site, clique aqui!

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h08

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Viaje na comida



O Ricardo Freire do Viaje na viagem fez um cometário super bacana sobre o "Comes & Bebes". Elogios são sempre bem vindos (críticas também) mas quando partem de alguém que a gente está acostumado a ler, comprar os livros e tal, daí a coisa fica séria. Comemorações no finde!

Para ler o comentário, clique aqui!

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h25

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Gosto de Brasil

Gosto de Brasil

Poucas horas depois do retorno à terrinha, já estava almoçando no Brasil a Gosto, que comemora agora um ano de "redescobrimento do Brasil". Pretensão da chef Ana Luiza Trajano? Acho que não.

A jovem chef viajou por boa parte do país, resgatou receitas, costumes, ingredientes e sua pesquisa resultou em um belíssimo livro (que pode ser adquirido no restaurante). Seu trabalho é uma abordagem contemporânea de pratos brasileiros mas sem aquelas loucuras que a gente já se cansou de ver como espumas ou desconstruções mirabolantes. A partir de ingredientes pouco conhecidos como castanhas e frutas de outras regiões do país, Ana Luiza cria pratos deliciosos aos olhos e ao paladar. Meu retorno não poderia ter sido melhor.



De entradinhas, crocantes bijus de tapioca com creme de siri, cremosas coxinhas com catupiry e camarão e canapés com creme de queijo e banana da terra frita com geléia de pimenta. Eu, que nem podia mais ver camarão, comi duas coxinhas 'com gosto'. Os drinques também eram incríveis: Tropical, com cachaça de abacaxi e suco de maracujá, Martini de gengibre com vodca e o meu favorito, o Kir Brasileiro, com espumante e licor de jabuticaba. Esse vou ter que 'adotar' em casa, pois jabuticaba é desde sempre a fruta da minha infância, me traz boas lembranças, imagina com espumante, hehe.

O couvert da casa tem pãozinho caseiro, pão de queijo e empadinha - além de manteiga Aviação! Dá pra não gostar? Na seqüência, a salada de folhas com pastéis de 'capote' e tomates com requeijão de corte (uma 'caprese' brasileira?) vinha com um vinagrete delicioso de limão rosa.



Um crocante abadejo com capinha de baru (tipo de castanha) apoiado sobre um cremoso purê de banana da terra vinha valorizado por um saboroso molho de laranja lima. Tão gostoso que nem dei muita bola pro carneiro cozido com favas brasileiras que viria a seguir.



De sobremesa, uma torta de chocolate com massa de castanha de cajú e um surpreendente Romeu e Julieta sem açúcar: o queijo era suavizado por creme e a goiaba cozida na própria polpa, até atingir a doçura desejada. Tudo acomodado numa finíssima massa crocante que desmanchava na boca. Hmmm...



Uma das novidades que gostei do cardápio são as marmitinhas de 'boia-fria': vêm em cerâmica com tampa, amarradas num lenço de algodão que é desatado assim que chegam à mesa liberando todo aquele perfume da comida. Uma versão do PF mas com extremo cuidado na apresentação, que é claro, deixa a refeição muito mais gostosa. Tão lúdica e intimista que dá até vontade de comer de colher (lá vem!). Essa da foto era a Boia Carioca: picadinho com farofa, feijão preto, arroz, banana, além do ovo é claro. Aih, aih, nada como a 'hora da boia'...

Ah, um detalhe importante: o restaurante fica no andar superior mas há um elevador bem confortável para facilitar o acesso para cadeirantes. E logo na entrada há uma daquelas máquinas que fazem sorvete de massa na hora, cheia de garrafas coloridas com xaropes, típica das pracinhas do interior.

Brasil a Gosto
R. Prof Azevedo do Amaral, 70
Tel.: 3086-3565
Jardins - São Paulo

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h58

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Rescaldo nordestino

Imagens resgatadas da minha digital depois de duas semanas 'comendo solto' pelo Nordeste. Só de ver já deu saudade!


[caranguejo e pirão do "Pé na Areia": Renata e Rodrigo trocando SP pelas areias de Tambaú]



[a inusitada pia de melancias do É, restaurante do Recife]



[coleção de pratos da Boa Lembrança do chef César Santos]



[autêntico humor paraibano]



[mini acarajés na praia - perdição]



[camarões da Cantina Modelo, no mercado - já que a lambreta estava em falta]



[aparador do Café Café Bistrô]



[canapés e mais canapés do Perini]



[a simpática baiana que eu ganhei do Nino Nogueira]



[rua do alho, na feira de São Joaquim]



[encarte de gastronomia do A Tarde - 'é nóis!']



[pia rústica com fuxico do Vila Cariri]



[a compacta cozinha da Oficina do Sabor]



[montaaaanhas de camarões secos!]



[a máquina de torrar cafés do Villa Bahia]



[Bahia de todos os santos!]



[a simpática baiana 'de verdade' na porta do Perini]



[último pôr do sol no Porto da Barra. Valeu!]

Escrito por Marcelo Katsuki às 21h38

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Alta gastronomia no Pelourinho

Alta gastronomia no Pelourinho



Nem dá para imaginar, mas ali no Largo do Cruzeiro de São Francisco, em meio ao perfume do dendê que atravessa o Terreiro de Jesus fica um hotel 'de charme', o Villa Bahia, com apenas 16 suítes exclusivíssimas, inaugurado há menos de dois meses. Tão exclusivo que não consegui achar a entrada e acabei adentrando o restaurante pela janela, para surpresa do grupo de franceses que jantava no local (mico!). O belo restaurante está sob o comando do chef Laurent Rezette, que não hesita em afirmar que seu objetivo é um só: transfomar o lugar num autêntico 3 estrelas. Para tanto, o chef belga (que foi companheiro de Alex Atala quando estudante) não tem medido esforços para treinar sua brigada e aprimorar sua cozinha de base francesa.



A carta de vinhos é enxuta mas traz ótimas opções; de nacionais, apenas os vinhos Salton, que têm apresentado bons exemplares. O cardápio traz muitas opções, mas o menu degustação é uma ótima oportunidade para conhecer o talento do chef ao apresentar pratos clássicos com poucas interferências regionais.



O couvert de pães fresquinhos (incluindo um com crosta de castanhas) foi logo acompanhado por mexilhões envoltos em presunto de parma crocante sobre um denso velouté. A entrada chegaria logo em seguida com um leve camarão sobre frutas (manga e papaia) e redução de balsâmico e dendê. Leve, leve, leve...



A refeição começou a ficar séria com um maravilhoso bisque de lagosta, encorpadíssimo, contrastando os sabores com o creme de coco e o balsâmico. Na seqüência, uma pequena ousadia do chef: foie gras com xinxim: o foie veio crocante, acompanhado de camarões secos e o molho de xinxim. Laurent disse que essa foi sua maneira de homenagear a Bahia. Para finalizar, um filé ao molho Rossini com legumes sobre purê de mandioquinha.



As sobremesas surpreenderam, como um aerado doce de leite com pistilos de açafrão que enriqueciam o sabor ao final, coulis de goiaba com azeite, sorvete de gengibre, mousses de chocolates e bavaroises com frutas tropicais. Tudo muito delicado e com a doçura perfeita. Os cafés são um show à parte: torrados por um especialista no local, apresentam grãos selecionadíssimos, como o primeiro do mundo, o Espírito Santo, que provei e achei fantástico. Um café absolutamente equilibrado em amargor, acidez, sabor; fechou a noite com brilho e deu disposição para caminhar até o 'Terreiro', dessa vez saindo pela porta do restaurante de fato.



Uma refeição memorável, e quer saber? Eu acho que o Laurent vai chegar lá.

Villa Bahia - Hotel e Restaurante
Largo do Cruzeiro de São Francisco, nº 16/18
Pelourinho - Salvador
Tel: 71-3322-4271

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h13

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Uma noite na Praia do Forte



Meu retorno à Praia do Forte foi mais rápido do que esperava assim como a minha estadia. Passamos a tarde tomando 'roscas' (como chamam a caipirosca por aqui) com frutas incríveis como sirigüela e umbu, além de uma deliciosa versão de cajú com sumo de limão. Para acompanhar, 'bombons' de folheado de ricota e de bacalhau e mini brusquetas com geléias de pimenta e alfazema.



Após uma caminhada pelo charmoso calçadão, nos permitimos uma bela moqueca de camarão. O local escolhido foi um simpático restaurante chamado Terra Brasil, quase no final da 'rua', próximo ao mar. A chef Tereza, nossa anfitriã, perguntou o que queríamos comer e adentrou a cozinha para instruir os cozinheiros, imagino. Em poucos minutos chegava o prato, exatamente como eu havia 'sonhado' minutos antes: camarões envoltos em delicado molho de creme com leite de coco e um fino fio de azeite de dendê perfumando o prato com suavidade. Um substancioso pirão de frutos do mar de sabor rico e a deliciosa farofa amarela de farinha de copioba com dendê. Muito medo de sonhar com a Curupira depois de me jogar no pirão e na farofa, pois não sou de me controlar diante dessas dádivas da cozinha regional!



A noite foi concluída com um breve passeio até a igrejinha junto à entrada do Projeto Tamar e uma caminhada de volta ao condomínio, num breu danado só atenuado pelo brilho das estrelas lá no céu (e que céu!). Dormi bem mas sonhei com comida a noite toda. 'Ócio' do ofício...

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h37

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No tabuleiro da Tereza tem...



Ontem fui conhecer o Café Café Bistrô (Rua da Paciência, 295 - tel: 71-3334-6760) da Tereza Paim no Rio Vermelho. Seu aconchegante restaurante fica no interior do Nino Nogueira Decor e tem como vista a praia onde acontece a festa de Iemanjá no 2 de fevereiro. Uma vista magnífica daquelas já valeria uma visita, mas depois você vê que vale muito mais conversando com a Tereza e o Nino e provando as delícias feitas pela chef.



Com o calor que fazia quando cheguei, fui logo me posicionando sob o ar condicionado e pedindo uma água com gás. Na seqüência, uma boa taça de espumante, que caiu super bem com a entrada: camarões ao creme flambado no Pastis. O molho estava tão saboroso e Tereza insistiu que era apenas um molho branco simples, mas havia um toque de sálvia ou algo similar que logo me remeteu a um intenso sauce bérnaise. Tive que limpar o pratinho com o pão para não desperciçar cada gotinha de sabor.



Na seqüência Tereza nos brindou com um carré de cordeiro com outro delicioso molho, de tamarindo e uma leve mousseline de mandioquinha. E dá-lhe molho extra para o comilão aqui.

Para fechar, filé com molho de framboesa e batatas fritas rústicas aromatizadas com alecrim. E de sobremesa, algumas delícias feitas pela chef como pudim de leite com calda de canela, uma torta de chocolate amargo e um 'entremeio' de chocolate branco e negro.



Como se não bastasse o prazer do momento dividido ali naquela mesa regada a confidências e gargalhadas, ainda ganhei do Nino uma delicada escultura de uma baiana de cerâmica que guardava a entrada do antiquário. "Agora você tem uma baiana pra cuidar" avisou ele "e a Bahia não vai mais sair de você". E alguém aqui tem alguma dúvida disso, hehe?

Escrito por Marcelo Katsuki às 17h36

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Carne de sol sem sol



Aprendi uma receita facílima de carne de sol para se fazer em casa que não requer nem sol, ou seja, dá pra fazer até na Islândia! Testei a receita aqui em Salvador e deu super certo.

1. Pegue uma peça inteira de alcatra (ou maminha, fraldinha) e envolva com sal (de cozinha mesmo), bata para retirar o excesso e deixe em temperatura ambiente protegido por 5 horas.
2. Coloque em um saco plástico e leve à geladeira por 24 horas
3. Retire a carne do saquinho e pique em cubos. Não precisa lavar para retirar o sal, por isso não exagere na hora de salgar a peça
4. Frite em óleo quente ao poucos para eviter que solte o suco da carne, o que a deixaria dura.
5. Junte as cebolas e cebolinhas e frite até dourá-las.
6. Sirva com cuscus de milho ou mandioca cozida. Um pouco de manteiga de garrafa dá um gostinho ainda mais regional.

No café da manhã do dia seguinte estava melhor ainda. Peguei um pão francês, tirei o miolo e recheei com a carne acebolada que aqueci no microondas mesmo. Um verdadeiro 'buraco quente' regional!

Escrito por Marcelo Katsuki às 15h19

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Na Bahia, estação primeira do Brasil



Pois é, estou de volta à gloriosa Bahia, onde tudo começou. Há pouco mais de 5 meses escrevi aqui as primeiras linhas do blog. Parece que faz tanto tempo!!! Estou há 3 dias sem querer muito da vida: apenas refazendo o roteiro e me acabando nos acarajés da Dinha (ainda não deu coragem de ir até a Cira, em Itapuã), nos petiscos da Cantina Modelo e na maxixada do Cravinho. Tá um calor danado e ontem acabei me jogando nos sorvetes da Cubana.

Passei a noite no Pelourinho e a batida dos tambores e o refrão daquela música animada ainda ecoam pela cabeça. Deitado aqui na rede sentindo o calor atenuado pela fresca brisa que entra pela janela me lembro daquele poema de Manoel Bandeira, "Brisa".

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas
riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.

Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.


Por hoje é só minha gente, o sol tá baixando e eu vou pra praia. Um 'xero'!!!

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h12

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Oficina de Sabores



Finalmente pude conhecer o restaurante Oficina do Sabor (Rua do Amparo, 335 - Olinda - tel: 81- 3429-3331) do badalado chef César Santos, em Olinda. Já havia provado as criações desse talentoso chef, mas sempre em eventos ou festivais gastronômicos em São Paulo mesmo. Trata-se de mais um daqueles maravilhosos 'restaurantes com vista', no caso Olinda em primeiro plano e Recife ao fundo.



De entrada pedi o Mix do Chef, com delícias como queijo de coalho grelhado com ervas, mexilhões, filé de agulha frita, bolinhos de charque e de bacalhau e pasta de beringela. Mix é comigo mesmo, e estava tão bom que podia ter repetido a dose. As ervas fritas sobre o queijo e o risole de provolone (estava com saudades desse salgadinho) estavam deliciosos.



Mas precisava provar a especialidade da casa: os jerimuns recheados com frutos do mar. Pedi o Jerimum Parnapucá, uma abóbora recheada com generosos cubos de peixe e camarões com suave molho de graviola com capim santo. Muito delicado e combinado com a polpa macia da abóbora que derretia na boca me fazia até esquecer o calor louco que fazia naquele momento. Acompanhava ainda uma farta porção de arroz de espinafre.



Depois de tantas delicías, ficou difícil arrumar espaço para a sobremesa. Mas fiquei namorando uma baba-de-moça com sorvete de tapioca e cocada preta, que teve de ficar para a próxima visita. Tive ainda a sorte de encontrar o César rapidamente que antecipou que seu restaurante vai contar futuramente com uma sala climatizada e um deck no terreno vizinho. Maravilha.

Escrito por Marcelo Katsuki às 14h14

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É


[O talentoso chef Douglas van der Ley]


Quando chegamos ao É (Rua do Atlântico, 147, Boa Viagem - Recife - tel: 81-3325-9323) logo me veio a imagem do que seria um 'hell's kitchen': um recinto fechado por placas de madeiras escuras contrastadas apenas por vãos com luzes vermelhas. Na entrada, um corredor desenhado por velas e laranjas cortadas e um "E" enorme com chapéu em forma de chamas no lugar do acento. Lotadaço. Fui ao banheiro e deparei com uma pia branca repleta de triângulos de melancias muito vermelhas. Sobre as prateleiras do bar mais enormes fatias da fruta disputavam lugar com garrafas de champanhe. Vermelho muito visceral, tudo muito escuro, um ambiente que impressiona.



Em poucos minutos estávamos sentados e começava o desfile de pratos, a grande maioria à base de 'foie gras' - pelo visto uma paixão do chef Douglas van de Ley. O chef segue a cartilha de Ferran Adriá, e realiza combinações de sabores intensos e efeitos surpreendentes como sua versão do algodão doce com foie gras, onde o contraste era reforçado por flor de sal. O sushi de foie vinha escondido dentro de um ovo de Fabergé e trazia leve toque de vinagre de framboesa e limão siciliano além do sal negro do Hawai.



Minha maior surpresa foi a farofa de pipoca mágica, que simplesmente desaparecia ao toque com a língua. Mas teve ainda caramelos crocantes de foie, tomates grelhados com vitela e macarrão frito, e deliciosos camarões grelhados com queijo do reino servidos com pétalas de rosas e uma redução de shoyu.



Pratos tão sofisticados e complexos que muitas vezes pedíamos para o garçon repetir a descrição mais de uma vez, pois não havia como entender. Ao final, o incansável Douglas saiu da cozinha e juntou-se a nós para explicar suas estimulantes criações, algumas com forte influência asiática (o chef já comandou um restaurante japonês), sempre com ênfase na busca do contraste de sabores intensos. Foi uma noite e tanto!

Escrito por Marcelo Katsuki às 21h25

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Um lounge nas areias de Boa Viagem



Em minha rápida passagem por Recife fui 'hosteado' pelo editor da revista Engenho de Gastronomia, Bruno Albertim, um expert da gastronomia local (além de grande figura). Fui à inauguração do lounge que a revista montou na praia de Boa Viagem onde funcionará um restaurante/champanheria durante o verão.



Boa parte dos chefs e gourmands da cidade estavam lá e pude conhecer um grupo divertidíssimo e me deliciar com o novo espumante "Botticelli" apresentado por Ricardo Almeida (da Vinícola do Vale do S.Francisco), produzido a partir de uvas Chenin Blanc mas de acidez surpreendentemente agradável. Spencer, o apresentador de um programa local ainda nos brindou com uma pérola: "Clima a gente já tem e espumante também" ao encerrar a cobertura do evento divulgando a bebida local.


[Hugo Prouvot: caçarolas à beira-mar]


A brisa refrescante também estava ótima e por um momento tive uma rápida concepção de paraíso, principalmente depois de algumas ostras, polvos e ceviches elaborados pelo chef Hugo Prouvot (ex-Mingus), responsável pelo cardápio.



Adorei a idéia do lounge, montado sobre plataformas de madeira repletas de guarda-sóis. Podia ter passado a noite toda lá, mas ainda havia uma degustação no badalado restaurante É e já estava atrasado (mas quem consegue respeitar horários nas férias?). Tomei mais algumas tacinhas, comi mais ostras (depois de 3 anos evitando a 'bichinha') e saí correndo pela areia num deslumbrado momento Ibiza, com uma agradável música da Putumayo se esvaindo ao fundo. Boa Viagem mesmo!!!

Escrito por Marcelo Katsuki às 21h24

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Sushi no Shopping



Eu tinha decidido não ceder à tentação da comida japonesa por aqui, mas não deu para passar impune pela porta do Eki (Shopping Recife - Tel: 81-3327-2800). Fiquei curioso diante da fachada toda de metal brilhante e interior preto repleto de imagens de trens e mapas de linhas da JR (sistema ferroviário do Japão). Como ainda tinha uma hora de espera para encontrar os amigos e já tinha rodado o shopping duas vezes meio perdido, entrei.



Pedi uma taça de Tarapacá e comecei a ler o curioso cardápio. Tem a historinha da ferrovia no Japão e alguns pratos com nomes de estações famosas. Como tinha um roteiro gastronômico me esperando logo mais, pedi apenas 3 duplas de sushi: um estonteante gunka de ovas de salmão com gema crua de codorna chamado de "Limousine", um salmão 'toaster' (selado) com raspas de laranja e molho tarê e um dio simples de salmão. O gunka de ovas com gema estava tão saboroso que deu vontade de repetir. Os dios e o salmão selado com laranja também estavam excelentes, ao contrário do que a gente costuma comer em praças de alimentação. Repeti a taça de vinho e após um telefonema de 'no show' corri para Boa Viagem para encontrar o grupo, feliz pelo breve momento de contemplação e prazer. Tem coisas que só a comida consegue fazer.

Escrito por Marcelo Katsuki às 21h21

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Sonho regional



É um dos doces mais gostosos que já provei: massa frita crocante polvilhada com açúcar (e canela às vezes). Um 'comfort food' regional. Lembra aquela massa de canudinho, mas é ainda mais firme e o formato de flor é moldado em forminhas metálicas que são mergulhadas rapidamente no óleo quente até a massa se desprender do molde. Procurei a forminha aqui, mas ainda não achei. Já o doce tem em várias lojas de produtos regionais. Esse eu comprei no Mangai. Pensei em levar alguns, mas são delicados demais e certamente não resistiriam ao descontrole do formigão aqui.



[Pôr do sol na praia do Jacaré]


Minha partida da Paraíba foi marcada pelo Bolero de Ravel no Jacaré, uma tradição adorada pelos locais e já mostrada diversas vezes na TV. Dez anos depois de minha última visita posso dizer que não é mais a mesma coisa. Os simpáticos bares com pier e a estradinha de terra foram substituídos por um calçadão e gigantescos decks debruçados sobre o rio. Enormes bolsões de estacionamento, aglomerados de turistas e locais andando de um lado para o outro e placas nas entradas dos bares indicando que estavam todos lotados. É o preço do progresso. O único acalanto foi rever o grande saxofonista Jurandy Félix – o Jurandy do Sax - deliciando os presentes com sua performance ao cair da tarde.



[Fachada do restaurante, em frente a uma agradável praça]


Antes de partir fui jantar foi na Vila Cariri (Rua Francisco Claudino Pereira, 500, Manaíra - João Pessoa - tel: 83-3268-1636), um charmoso (e despretensioso) bar que acabou virando restaurante por exigência dos clientes. Comida regional simples e saborosa com pitadas de humor e a simpatia da Vita, ex-bancária que trocou o o banco pela cozinha por simples amor à comida. Vita se diz uma comilona de primeira e serve ali tudo o que mais gosta.



Dei a partida com espetinhos de queijo de coalho fritos, crocantes por fora e deliciosamente derretidos por dentro. Um leve creme de jerimum (abóbora) com cubinhos de queijo de manteiga, pastéis de camarão e carne de sol sequinhos e a saborosa "Serra Branca", uma refeição completa composta de carne de sol acebolada e mini-cuscus com creme de queijo.



Ah, e de sobremesa, "Cartola": banana da terra frita com açúcar coberta com queijo e polvilhada com canela. A maioria dos nordestinos que conheço tem verdadeira adoração por esse prato e basta você comê-lo para descobrir o porquê. É bom demais e tem gosto de infância (e olha que nem sou nordestino!).

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h30

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Mangai: festa da comida paraibana


[Tem coisa mais gostosa que café com tapioca?]


Ontem fui levar um amigo paulista para conhecer o Mangai, mega restaurante regional que quando conheci era apenas o quintal de uma casa de esquina onde comíamos pamonha com queijo assado e rubacão (arroz com feijão, queijo e nata). Hoje o Mangai tem 17 anos de estrada e lembra um parque temático do Lampião, com atendendes vestidos de cangaceiros, um salão enorme cheio de lampadinhas, outro fechado com ar condicionado, uma vendinha, um bufê de 14 metros "de pura comida regional" como diz a Pareia (nome como gosta de ser chamada), dona do restaurante e uma cozinha ao ar livre que atende pedidos a la carte.



O atendimento é muito simpático e eficiente. A espontaneidade é a marca registrada do paraibano, e nos divertimos com a surpresa da atendente ao perguntar: "o que que é isso???" quando pedimos um café carioca. "Ôxe, isso é um café aguado", riu ela graciosamente. A decoração com luminárias de fuxico e bonecas de pano penduradas cria o clima de interior. Para chamar o garçon cada mesa dispõe de um chocalho (sino) daqueles usados no gado. Assim que cheguei fui abordado por Flavio Tavares que queria comentar meu post de segunda. Flavio é um dos maiores artistas da Paraíba e confesso que fiquei super feliz com suas considerações e pela oportunidade de conhecê-lo pessoalmente já que conhecia apenas suas obras (vi duas exposições dele e fiquei fascinado por seu trabalho). Aqui na terrinha, ele é "rei".


[14 metros de comida regional]


As especialidades do Mangai são tantas, como o pãozinho de macaxeira (mandioca), a pamonha e a canjica (curau), a paçoca de carne e até o rubacão, que ainda tá lá no meio de tantos outros pratos. Optei pelo bufê para provar um pouco de cada, e fiquei surpreso com a carne de sol desfiada com nata (cremosa e super saborosa) e com um prato chamado 'gororoba': creme de macaxeira, queijo de coalho e carne de sol, tudo misturado e gostoso, ah se toda 'gororoba' fosse assim! Comi também um inusitado "suvaco de cobra", carne de sol socada com milho.



Na alta temporada, os turistas invadem o Mangai, mas mesmo assim os moradores locais não 'arredam o pé', pois têm orgulho de sua cozinha que muito bem representa a comida paraibana. Pareia já abriu uma filial em Natal e disse que até já pensou em abrir uma casa em São Paulo, "mas seria muito complicado", confidenciou ela. Pena para nós, mas um ótimo motivo para você não deixar de vir para João Pessoa e desfrutar desse verdadeiro banquete regional.


[cabra da peste: miiiico!]

Escrito por Marcelo Katsuki às 02h06

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Hot dog regional



Minha primeira providência ao desembarcar faminto em João Pessoa foi pedir ao taxista para me levar ao Mundial Lanches para comer cachorro quente. Incrível que num vôo noturno de mais de 4 horas ainda te ofereçam aquelas barrinhas de cereais e 2 bolachas cream cracker sem nem uma manteiguinha. É o baixo astral da viagem, prefiro até ficar dormindo e ignorar tamanha 'generosidade'. Enfim...

O cachorro quente daqui é bem diferente de qualquer outro que já tenha provado, talvez por isso mesmo seja tão especial. Sempre como no Mundial ou na Samaritana, outra famosa casa daqui. Eu sou um amante de hot dogs, desde o simples com pão, salsicha e mostarda até aquele do Pedrinho cheio de complementos. Aqui o segredo é o pão de leite macio, cortado no topo e recheado com uma fumegante carne cozida moída e refogada 'com todos os temperos' envolvendo a salsicha (muitas vezes dispensável) coberta com 'verdura' (tomate, cebola e coentro) como dizem por aqui.

A montagem do lanche, utilizando uma simples colher de sopa é tão singela que deixa a gente ainda mais encantado. Para acompanhar, além da maionese e do catchup, queijo de coalho ralado. No tubo! Não existe lanche mais gostoso e recheado de boas lembranças para mim. Comi mal-educadamente deixando cair boa parte do recheio mas me deliciei matando as saudades do pãozinho macio, da brisa, do cheirinho de coentro e do caldo de cana que deixou a noite ainda mais gostosa. No fim pedi bis.

Escrito por Marcelo Katsuki às 18h18

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Paraíba hospitaleira, morena brasileira

 

Estou em Cabedelo, Paraíba, mais precisamente na praia de Intermares, acordando preguiçosamente tarde, olhando para o mar verde ofuscado pela areia luminosa por entre as fitas da veneziana sem muita coragem de me aventurar lá fora. Dizem que tudo o que você faz na virada do ano repete-se ao longo dos 365 dias mas espero que isso não seja assim tão verdadeiro.

 

Por conta de uma reação alérgica ao filtro solar, meu rosto ficou vermelho e inchado como uma bola de fogo, coçando freneticamente como se tivesse passado um extrato de urtiga. Tenho alergia a sal, e o banho de mar ajudou a alastrar a coceira pelo pescoço, que já estava afetado por um torcicolo de final de ano que nem o super massagista conseguiu resolver. Para evitar outra alergia, dei uma volta pela praia sem filtro e o resultado foi o meu já conhecido efeito pimentão.  Por conta desses imprevistos, claro, meu Réveillon acabou sendo um tanto o quanto inusitado. Brindei com uísque e me abaixei com medo dos fogos que explodiam na areia, a poucos metros da minha cara assustada. O cansaço dos últimos tempos nem permitiu grandes excessos (o que foi bom) e amanheci no primeiro dia do ano bem disposto para um passeio pelos meus quiosques favoritos. Lá fui eu pro Peixe Elétrico, pro Coquinho, pra Palhoça da Morena e finalmente pro quiosque Olho de Lula.

 

 

O Olho de Lula era originalmente a Palhoça Beira Mar. Foi lá que há 15 anos conheci a Joseane, uma garota de cabelos curtos que passava o dia atendendo as mesas espalhadas pela extensa (e quente!) faixa de areia. Josi, como a chamávamos, era do tipo que não dormia em serviço: estava sempre correndo de um lado para o outro, animada e com o costumeiro sorriso no rosto, por mais que a vida se apresentasse dura. Hoje tive o prazer de reencontrar a Josi lá, mas não como atendente. Agora ela tem uma fábrica de cocadas, a Cocada Tropical, e distribui seus quitutes por toda a João Pessoa (inclusive lá no Olho de Lula). Uma das especialidades é uma cocada feita com mamão e leite condensado, mas para mim o grande trunfo mesmo é o sabor de doce caseiro sem excesso de açúcar.  Comemos 3 cocadas, que se desmanchavam literalmente na boca de tão cremosas e com a doçura perfeita. Tão doces como o sorriso da garota que corria descalça pela areia quente mas que soube driblar todas as adversidades fazendo da vida um doce.

 

Cocada Tropical da Joseane

Tel: (83) 9929-0015

Escrito por Marcelo Katsuki às 19h16

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PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki é editor de arte de Mídias Digitais da Folha, colaborador da revista sãopaulo e colunista da "Prazeres da Mesa".

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