Marcelo Katsuki

Comes & Bebes

 

Alimentação e dietética



Sempre que encontro a Cris Couto nos eventos ela está falando animada, gesticulando, conduzindo a conversa no canto mais divertido da mesa e me aproximo para ouvir. É muita informação condensada numa só pessoa mas a Cris é generosa: destila conhecimentos com a mesma disposição com que inclina a taça de vinho em busca de nuances ou comenta sobre uma especiaria que acabou descobrir em um prato.

Não é para menos. Cris já foi editora do site Basílico durante anos e escreveu uma tese que agora foi transformada em livro. Providencial! "Arte de Cozinha" fala sobre a história da alimentação e nasceu desse trabalho acadêmico. A autora contou com orientadores e colaboradores de primeira linha para criar um livro importantíssimo para quem quer entender um pouco da origem da cozinha brasileira e a relação entre a alimentação e a dietética em Portugal e no Brasil entre os séculos XVII e XIX.

Pode parecer específico demais à primeira vista, mas o livro traz informações interessantes sobre os primeiros livros de culinária em língua portuguesa. Nessa investigação das origens da escrita gastronômica, a autora conseguiu criar uma obra que equilibra conhecimento acadêmico com receitas bem curiosas como a do "manjar branco", numa versão salgada com frango e até um vatapá de porco com cardamomo! Informação e diversão na medida certa! De brinde, reprodução de capas e ilustrações de época, além do glossário e do interessante apêndice que conclui a obra. Adorei e vou fazer o manjar branco, depois eu conto o resultado!

Arte de cozinha
Alimentação e dietética em Portugal e no Brasil (séculos XVII-XIX)

Autora: Cristiana Couto
Edição: Editora Senac São Paulo
176 páginas

Escrito por Marcelo Katsuki às 00h33

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Nova cozinha judaica

Nova cozinha judaica

Nova cozinha judaica


[Andrea Kaufmann e Chiquinho: criatividade e ousadia]


Minhas poucas referências sobre a comida judaica são as caixinhas de 'varenikes' que sempre compro no Sta. Luzia (e reinvento depois em casa) e as dicas da chef Eliana Didio. Embora tenha tentado me iniciar na área, nunca me senti muito atraído pelos pratos mas comecei a mudar meus conceitos graças ao AK Delicatessen.



Nasce uma estrela!
Andrea Kaufmann, eleita chef revelação do ano pela Vejinha, está desenvolvendo uma cozinha judaica de ares joviais, onde uma inusitada rabada faz ótima companhia a varenikes bem executados. Virei fã e voltarei outras vezes ao AK só para provar as outras opções e para comprar a terrine Lox, que tem povoado meus pensamentos desde que provei.



O couvert traz pãezinhos variados e algumas pastas, mas vamos ao que interessa: a 'terrine Lox' (R$ 12,30 / 100g). A escultura de salmão defumado traz em seu interior um sensacional cream cheese de dill, patê de ovos e cebola roxa, uma combinação perfeita que fica melhor ainda acompanhada do picles de pepino. Com algumas tacinhas de prosecco então, é puro delírio!



Depois de um começo tão estimulante, pensei em provar os varenikes de abóbora ou batata-doce (com creme de haddock!) mas como resistir ao apelo da rabada (R$ 36,00)? Sempre achei que os varenikes tinham um potencial inexplorado, e a Andrea está mostrando toda sua versatilidade com essas ousadas criações. Me joguei na opção com rabada e agrião, que estava deliciosa e numa versão light: a carne veio toda limpinha, leve e saborosa, acomodada ao lado dos varenikes. Isso sim é hibridismo na cozinha, hehe!


[Shot de borcht gelado com mini latkes de batata, hit da casa!]


Provei também o 'goulash de vitela' (R$ 37,00) com mini cebolas envoltas em um creme rico e picante, suavizado pelo creme azedo e pelo 'spetzel', uma massinha cozida. Sabores consistentes!



As sobremesas que provei eram gostosas mas não muito doces. O 'Gerbeau' (camadas de nozes, geléia abricot e chocolate amargo) é uma daquelas sobremesas fortes que têm tudo para agradar. A combinação dos sabores doce, amargo e azedo com fruta, nozes e chocolate tem ótimo resultado.



O 'bolo mousse de chocolate com marzipã' (o favorito da chef) é saboroso sem exagerar no açúcar, vem coberto por generosas raspas de chocolate e tem ótima textura.


[Guefilte fish para levar pra casa]


O AK ocupa a mesma casa onde funcionava o Ici Bistrô, com a rotisserie e um lounge no térreo e o salão no piso superior. O balcão com as criações da chef é tentador e já te aguça os sentidos para o que está por vir. A ambientação é leve e sem excessos, mas meu xodó é o piso de ladrilho hidráulico dos banheiros (lindo!) que inclui até uma reedição de um desenho do Flávio de Carvalho! Não que você precise de mais algum atrativo para ir ao AK. Mas o bom gosto faz parte do cardápio.





AK Delicatessen
Rua Mato Grosso, 450
Higienópolis - S.Paulo
Tel: 11-3231-4497 / 3129-7359

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h33

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O melhor da cidade



Para quem não foi à festa da Veja SP na semana passada (como eu!), alguns clicks da noite onde a grande estrela foi a fundadora do bistrô La Casserole, sra. Fortunée France. Nossas queridas 'habibas' Xmune e Olinda conquistaram o bi para a Tenda do Nilo na categoria 'bom e barato', assim como a jovem e talentosa chef Ana Luiza Trajano do Brasil a Gosto que repetiu a façanha do ano passado e levou o prêmio de melhor restaurante de comida brasileira.

Erick Jacquin merecidamente ganhou o prêmio de melhor chef, com sua cozinha irrepreensível da 'Brasserie' enquanto a estreante Andrea Kaufmann era consagrada chef revelação. A lista completa você encontra aqui. As imagens, abaixo. Divirta-se!




[Fazendo história: Fortunée Henry e sua filha Marie, do La Caserole]



[Olinda e Xmune, da Tenda do Nilo]



[Ana Luiza Trajano do Brasil a Gosto]



[Andrea Kaufmann, estrela da nova geração de chefs]



[Clã do Skye, melhor bar de hotel]



[Viva o Elídio!]


Escrito por Marcelo Katsuki às 12h21

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O restaurante halal da cidade

O restaurante halal da cidade



No sábado fui ao Pari visitar um 'brimo' e aproveitei para conhecer a Casa Líbano, único restaurante halal* da cidade. Sempre ouvia histórias do 'açougue que servia quibe cru', mas agora que finalmente pude ir até lá para conhecer, chego em uma casa toda reformada com ótima ambientação, um bonito café na entrada e uma organizada lojinha de produtos árabes. Mas o açougue ainda funciona no fundo do salão e as carnes, preparadas de acordo com os preceitos muçulmanos, podem ser compradas. Mas a dica é conhecer os pratos executados pela dona Hanie Moussa, que utiliza temperos libaneses originais para garantir a autenticidade dos pratos.



Uma das coisas mais divertidas são os sucos (R$ 4,30), todos feitos com xaropes. Tomei um de romã e um de amoras com água de rosas. Doces!!! Na hora me lembrei das groselhas da infância, mas como o 'Monin' é uma modinha nos bares atualmente, achei o suco super 'up-to-date', hehe. Ah, a casa não serve bebidas alcóolicas.



Enquanto escolhia o prato, pedi um combinado de hommus, babaganuj, coalhada e quibe cru (R$ 21,50) para começar. Tudo bem feitinho, mas o diferencial foi o tempero do quibe, acentuado por especiarias diferentes, onde o cominho se sobressaia. O babaganuj estava perfeito, com aquele característico gostinho de fumaça que eu adoro.



De prato principal, duas porções pequenas: uma de 'Kabsce' (R$ 13,30), o risoto de carneiro com amêndoas, que chegou na mesa com a carne macia exalando um sutil aroma das especiarias, nada exagerado. A outra porção foi de 'Labanie'(R$ 12,10), quibes e capelettis mergulhas em coalhada engrossada com grãos de arroz, semelhante ao Chich Barak.



De sobremesa, 'Mamul' de nozes aromatizado com água de flor de laranjeira (R$ 2,20), uma das minhas sobremesas favoritas. Mas a bandeja apresentada pelo garçom faz a gente arregalar os olhos e querer comer tudo.



Durante a semana, a casa oferece um almoço executivo com o combinado árabe (três frios + tabule) a R$ 13,20. Por mais R$ 3,50 pode escolher uma opção como charutinho, abobrinha ou berinjela rechada, entre outras. O salão lotado de famílias não deixou dúvidas quanto à qualidade da comida ofercida. E a simpatia do sr. Mohamad Moussa, proprietário da casa e que recebe todos com a mesma atenção, faz a gente querer voltar sempre. Vai lá e sahten!



Casa Líbano
Rua Barão de Ladário, 831
Pari - S.Paulo
Tel: 11-3313-0289
(* Que segue os preceitos muçulmanos)

Escrito por Marcelo Katsuki às 13h38

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Parece melancia...



...mas é sorvete. De melancia, tudo bem, mas as sementes são de pistache!

Tudo começou com aquela onda do sorvete Melona (de melão) e agora o bairro da Liberdade foi tomado pelos 'melonas' de morango, banana, cookies e até esse de melancia, o mais bonitão. Já provou? As pessoas se aglomeram nas portas das mercearias para comprar os picolés e agora alguns amigos me chamam para ir a Liberdade só para tomar sorvete, e não para comer sushi, é mole? E você, já tem o seu favorito?



Por falar em Liberdade, achei uma tristeza ver as ruas sem os tradicionais luminosos e letreiros com ideogramas, tão característicos do bairro. A cidade ficou mais limpa, sem dúvida, mas a Liberdade perdeu sua identidade. Uma pena.

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h58

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Parece pizza...



...mas é chocolate! Criação da Chocolates Schimmelpfeng que conheci em Curitiba, uma fatia que mescla puro chocolate branco e escuro com frutas secas e cristalizadas. Dá pra resistir? Claro que não.

Comprei também alguns 'beijos crocantes' de mel, imagina o delírio! Chocolate de primeira sem aquele preço que assusta (e acaba dando gastrite, hehe). Os bombons trufados também são deliciosos e a caixinha de biscoitos variados cobertos com chocolate foram meus melhores companheiros nas noites solitárias no hotel, no táxi, esperando o avião partir.




Acessem também o site, tão caprichado quanto as gostosuras da Schimmelpfeng (o duro é decorar esse nome!). Tem no mercados e delicatessens, mas vale a pena conhecer as lojas nos shoppings.

Escrito por Marcelo Katsuki às 16h23

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A batata do Robert



Fui conhecer o Beto Batata no Park Shopping Barigüi (em Curitiba), um mix de bar e espaço cultural do Robert Amorim, um famoso restauranteur da cidade. Aproveitei para comprar mais alguns chocolates da Schimmelpfeng e depois estacionei o corpo cansado no colorido salão do 'BB'. O Beto Batata é um espaço bastante elaborado para um shopping center, com exposição de obras de arte e até um palco bem montado para shows, muito bacana. Fui direto na especialidade da casa: 'batata suíça'. Uma batata röesti alta, com diversas opções de recheios. Havia de lingüiça com mussarela e orégano (R$ 10,50), uma opção com bacalhau (R$ 23,00) e outra com mignon, molho madeira e cheddar (R$ 19,50). Minha opção foi a de 'frango ao curry' (R$ 13,40), mesmo temendo a reação da pimenta no estômago que anda um pouco sensível.

Apesar do restaurante estar vazio, o prato demorou um pouco para chegar. Mas nem liguei, talvez a execução seja demorada mesmo e o som ambiente não poderia ser melhor: jazz de primeira, que me fez relaxar enquanto me refrescava com um guaraná. Quando o prato chegou, era imenso! A capinha crocante das lascas de batata tostadas estava sensacional, e o recheio, absolutamente sutil no curry. Maravilha!

O prato dá para duas pessoas, então comi apenas a crosta (dos dois lados) e os cubos de frango bem temperados mas deixei meio quilo de batata do recheio no prato. Logo fui tomado pelo meu 'côté povo' e comecei a imaginar uma versão 'hot dog', com uma baita salsicha no recheio (uma não, várias), tomate, mostarda, maionese, hmmm... Pois acho que vou testar minha versão 'batata dog' em casa. Comprei uma panela dessas com articulação para fazer omelete, finalmente ela terá alguma utilidade, hehe.

Beto Batata
Park Shopping Barigüi (térreo) e rua Professor Brandão, 678 (Alto da XV)
Tel: (41) 3317-6969 ou 3262-0840
Curitiba - PR

Escrito por Marcelo Katsuki às 15h58

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Cozinha brasileira em alta


Clique aqui para ampliar.


A semana começa movimentada com o evento Valorização da cozinha regional hoje e amanhã (24 e 25) no Mercado Municipal de São Paulo das 14h às 16h. Aprenda os pratos da cozinha de quatro Estados brasileiros (Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Pernambuco) com os chefs Monica Meneghel, Santana, Jackson K. e Rafaella Suassuna. Clique aqui para fazer sua inscrição. Os cursos são gratuitos, você precisa apenas levar um brinquedo novo ou em perfeito estado que será doado para uma instituição de caridade no Dia das Crianças.






De 27 a 30 de setembro acontece o II Festival Gastronômico de Praia do Forte com o tema "farinha", que vai oferecer cursos para a comunidade local, workshops para profissionais e aulas temáticas, além de banquetes harmonizados. Participam nesse ano 30 chefs, entre eles Flávia Quaresma, Paulo Martins, Mônica Rangel, César Santos e Tatiana Szeles. Mais estrelas para o cenário deslumbrante da Praia do Forte!

O evento foi idealizado pela chef Tereza Paim, de Salvador, e será apresentado em parceria com a 3 Active, agência de marketing promocional e eventos. Clique aqui para se inscrever nos cursos oferecidos durante o festival.

Escrito por Marcelo Katsuki às 07h18

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Boulevard

Boulevard

Boulevard



Ontem foi a festa da Veja SP que elegeu os melhores da cidade (depois postarei fotos do meu enviado, hehe). Não pude ir mas aproveitei para conhecer o campeão da Veja Curitiba, o Boulevard, que levou quatro prêmios nesse ano: melhor da cidade, melhor francês, melhor carta de vinhos e chef do ano. Campeoníssimo!



O ambiente foi reformulado recentemente, procurando oferecer um clima mais contemporâneo. O bar possui um lounge confortável e o mobiliário escuro do salão contrasta perfeitamente com o serviço, todo em branco, valorizado pelo tapete de listras que recorta o ambiente sinuosamente. A adega ocupa um armário antigo e imponente logo na entrada e o bar possui um painel em cobre que confere brilho mas de forma bastante sóbria.



Cheguei no final do almoço. O salão estava lotado, o que me deixou um pouco apreensivo para fazer as fotos, mas fui discreto e fiquei sentado bem no canto do salão. Não há menu executivo mas uma proposta interessante chamada "Fórmula do meio-dia". Você escolhe um dos pratos principais do cardápio e ganha gratuitamente a entrada ou a sobremesa, você decide.

Pedi uma taça de espumante para dar uma relaxada e aproveitei o couvert (R$ 6,50) composto por pães e focaccias, pasta de berinjela, ricota temperada, tomate confitado além de manteiga e azeite aromatizado. Antes mesmo que eu começasse a me deliciar com a focaccia, chegou minha entrada: um polenta de semolina italiana cremosa com lascas de bacalhau. Leve e muito saborosa, perfeita no sal e super reconfortante para o meu maltratado estômago. Deliciosa.



Voltei para o couvert enquanto esperava o prato principal, coelho assado com mix de cogumelos e quirerinha da Lapa. Uma boa porção com cogumelos em um saboroso molho e uma quirera rica em sabor e com alguma crocância, imagino que de alguma castanha. Comi toda a quirerinha mas a porção de carne foi um pouco demais para mim. Perguntei para a gerente se as porções eram sempre tão generosas e ela disse que o chef Celso Freire não gosta que os clientes saiam com fome, por isso as porções não são pequenas.



Minha sobremesa foi outra tacinha de espumante, pulei os doces e o café para dar uma conferida no empório do restaurante, localizado na loja ao lado. Há uma vasta oferta de vinhos e muitas promoções. Aproveitei para comprar um Porto Vintage (pro médico da minha mãe) com um ótimo preço. As sobremesas são interessantes, como 'panna cotta de alecrim' e 'creme brulée de frutas gratinadas' mas também vou deixar para a próxima visita. Realmente quero voltar para a cidade em breve. A refeição (Fórmula do meio-dia) pode custar de R$ 28,00 (Ravióli de mussarela com molho de tomates e basílico) a R$ 83,00 (Posta de bacalhau com alho assado e batatas baby) e inclui a entrada ou sobremesa. Minha opção custou R$ 43,00 e me deixou bastante satisfeito.



No final da tarde, o bar oferece 'miniaturas gastronômicas', versão local para as tapas espanholas, a R$ 6,50 a porção que podem ser acompanhadas por taças de vinho ou espumante que custam em média R$ 12,00 mas o sommelier Leonardo pode dar boas dicas de vinhos da adega. Apesar das ótimas sugestões (tem até uma porção com duas peças de foie gras) e do preço, as 'miniaturas' ainda não pegaram. Talvez porque vá na contramão do modelo de fartura dos pratos locais, mas devem valer muito a pena. Na próxima eu provo!

Boulevard
Rua Voluntários da Pátria, 539
Tel: (41) 3023-8244
Curitiba - PR

Escrito por Marcelo Katsuki às 11h37

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Banquete eslavo

Banquete eslavo



Minha chegada ao restaurante Durski foi um constrangimento só. Depois de subir apressado a ladeira da Dr. Muricy de jeans e camiseta preta sob um calor senegalesco, adentrei o amplo salão belamente decorado todo suado e clamando por uma Coca gelada. O ambiente era mais sofisticado do que eu havia imaginado! E eu ainda troquei de lugar umas três vezes até achar uma mesa adequada para fazer umas fotos. Ainda bem que fui só, nenhum amigo teria agüentado tanto desatino.



Devidamente hidratado, passei para o cardápio sem deixar de observar melhor o salão, que ao fundo tinha um estar e uma mesa com doces de encher os olhos. Ao lado, uma adega imensa com ótimas opções de vinhos; na ausência de companhia, optei por uma taça de Finca La Linda e relaxei enquanto esperava o menu de degustação solicitado, na verdade o chamado 'Banquete Eslavo'. Eu nem imaginava o que me esperava!



A entrada eslava trazia embutidos, lombo defumado e picles acompanhados por molhos de raiz forte e de mostarda escura, além de uma cesta com pães variados, fresquinhos. Logo chegaria também a sopa de beterraba, Borstch, cremosa e surpreendetemente delicada.



Enquanto brincava de harmonizar as entradas com os molhos e o vinho, chegou o Platzki, uma espécie de panqueca de batata, bem sequinha e crocante. Eu quase podia sentir um gostinho de queijo no tostado, mas era apenas batata mesmo. É o tipo de comidinha que adoro, e veio sequinha, comi lentamente cada pedacinho me deliciando em silêncio. Logo em seguida chegaria a Salada russa acompanhada de folhas.



Eu mal havia conseguido absorver todos aqueles sabores quando o banquete chegou ao seu auge. De uma só vez chegaram o Pierogi de batatas (similar ao varenike) coberto por flocos de cebola frita, o Frango Kiev, um filé recheado apenas com manteiga, salsinha e cebolinha, empanado e frito. Já deu para imaginar a delícia. Mas a grande vedete foi o Leitão asssado, com sua carne suculenta e macia coberta por uma pele 'pururucada' que não dava para resistir: comi toda e sem dó. Lembrou-me do 'conchinillo' espanhol, um 'favorito' do meu modesto repertório.



Mas não era só isso. Havia ainda o arroz de forno com frango e cubinhos de queijo e o clássido estrogonofe de mignon numa simpática caçarolinha, mais arroz branco e molhos de cogumelos e de lingüiças (delícia!).



Precavidamente evitei o couvert. E desafortunadamente tive de recusar as sobremesas e o café. Nem sei como consegui caminhar de volta até o hotel (talvez favorecido pela descida), mas o fato é que se eu saí de lá realmente encantado com o restaurante do chef Junior Durski. Com a comida, o atendimento e o preço: R$ 44,80 pelo 'Banquete Eslavo' (valor que a gente paga muitas vezes por apenas um prato em um bom restaurante).



Delírio. A mesa de doces tem torta crocante, de queijo, pé-de-moleque, pães de mel decorados, bolo de morango e trufas. Mas há ainda brownies, sorvetes, frutas, torta de requeijão, queijos finos além de Ambrosia e Kutiá, um doce de grãos de trigo em calda de ameixa seca, nozes e mel. Vai ficar para a próxima visita!



E se eu estava feliz da vida por ter emagrecido na correria dos últimos dias, saí do restaurante com a certeza de que havia recuperado alguns quilos. Mas deixei o Durski animado, com a alma renovada pelo vinho, pela comida, pelo momento especial que uma boa refeição pode proporcionar. De volta para a caminhada.



Durski
Rua Jaime Reis, 254
Tel: (41) 3225-7893
Curitiba - PR

Escrito por Marcelo Katsuki às 11h24

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Cantina do Délio

Cantina do Délio



Graças ao Jackson (novo amigo daqui de Curitiba) consegui dar uma rápida escapada do hospital para um almoço na Cantina do Délio e fazer uma breve visita ao Mercado Municipal, que comentarei em breve.



Délio entrou para o mundo da gastronomia quando foi para Londres estudar desenho industrial e acabou trabalhando em algumas cozinhas para incrementar o orçamento. Voltando ao país abriu o bar Jacobina (na Almirante Tamandaré, 1.365 - Curitiba), e recentemente a Cantina, que ocupa uma simpática casinha de madeira, construção típica da região.



Da casinha verde original sobraram apenas as paredes externas. Délio reformou todo o interior, melhorou o porão, viabilizou o mezanino e criou uma ambientação rústica repleta de elementos curiosos, como máquinas de escrever antigas, baleiros e até uma cortina de gravatas. Quem cuida da cozinha é a chef Gliciara Bueno, que comandava antes a cozinha do bar. Gliciara casou-se no domingo, mas na véspera estava lá na cozinha na maior calma. Disse ainda que por ela, "trabalharia até a hora do casamento", revelando que a cozinha é seu outro caso de amor.



Dentre as sugestivas opções do cardápio italiano, provei o 'ragu de ossobuco com polenta cremosa e salada' (R$ 15,00) que chegou à mesa exalando um cheiro ótimo de vinho e temperos do delicioso molho. Mas me acabei mesmo com a 'bisteca Fiorentina' (R$ 17,00), uma bisteca de boi gigantesca grelhada no ponto e acompanhada por batatas e pimentões salteados, além da saladinha.



Além de boas ofertas da adega do porão, outro grande atrativo da casa é a carta de sobremesas. Provei o 'arroz doce' feito com arroz arbóreo, leite, gemas e canela, forte e bem quente! O sorvete de queijo com goiabada também era gostoso, mas meu favorito mesmo foi o 'Banoffi', massa de torta feita de bolacha e camadas de banana, doce de leite e nata batida, uma combinação perfeita!







Ah, as massas do cardápio são todas fresquíssimas e caseiras, assim como as sobremesas, feitas pela Renata, esposa do Délio. Fiz uma refeição breve mas deliciosa. Mais uma vez comida farta (e muito bem feita) a preço amigo. Preciso voltar mais vezes a Curitiba.



Cantina do Délio
Rua Itupava, 1.094
Tel: (41) 3078-0010
Curitiba - PR

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h54

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Boteco Bohemia

Boteco Bohemia



O Boteco Bohemia, aquele concurso bacanudo que elege o melhor petisco da cidade de São Paulo, realiza a sua 4ª edição com 31 bares selecionados por voto popular. São eles: Siri Kaskudo, Bar Penha-Lapa, Pompéia Bar, Bar do Arnesto, Boteco Seu Zé, Bar dos Cornos, Jacaré Grill, Botequim Bar e Grill, Barbirô, Salve Jorge Vila Madalena e Salve Jorge Centro, Famoso Bar do Justo, Assembléia Bar, Bar Amigo Giannotti, Academia da Gula, Santa Clara Bar, Cervejaria Patriarca, Portella Bar, Esquina Grill do Fuad, Dedo de Moça, Veloso Bar, Ao Bar Guanabara, Galinheiro Grill, Bar do Plínio, Pirajá, Moendas, Miradouro, A Lapinha, Frangó, Aperitivos Valadares, Bar da Vila, Bar Luiz Fernandes. O seu favorito não entrou? Vote nele no ano que vem!

O grande vencedor será divulgado durante a Festa da Saideira do Boteco Bohemia, nos dias 10 e 11 de novembro, quando os 31 bares concorrentes apresentam seus petiscos e a gente se joga nos shows musicais. Mega evento, super organizado e divertido (além de engordativo, hehe!). Quer ver como foi no ano passado? Clique aqui!

Escrito por Marcelo Katsuki às 08h52

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Receitas da Tenda do Nilo



Se você também é fã das delícias feitas pela Xmune (nossa 'habiba' favorita) da Tenda do Nilo, não pode perder a aula que ela vai dar amanhã, terça, às 19h30 na Viandier Casa de Gastronomia (Al. Lorena, 558 - Jardins - S.Paulo). A melhor comida libanesa da cidade, para aprender a fazer e se deliciar durante a aula. Pena que não estou na cidade, não perderia essa aula por nada!

Para mais informações ou inscrições entre em contato pelos telefones (11) 3057-2987 ou 3887-2943. Beta, vai lá e depois me conta!

P.S. O curso foi transferido para o começo de outubro! Legal, acho que poderei ir, hehe.

Escrito por Marcelo Katsuki às 10h16

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O Pensador



Estou em Curitiba, cidade onde passava minhas férias na infância, isso há mais de 20 anos. Ou seriam 30? Jesus! A cidade nem parece ter mudado tanto, continua com aquele clima tranqüilo, muito civilizado, com exceção do Batel, que parece um misto de Itaim com Vila Madalena, com seus bares e restaurantes congestionando as ruas. Diferentemente de outras grandes cidades, pude caminhar pelo Centro à noite, tomar um chopp em um dos bares do calçadão, em meio a grupos de jovens, policiamento e um sistema que monitora toda a rua e deixa a gente bem mais tranqüilo.



Minha primeira supresa aqui foi descobrir que o bar/restaurante próximo ao hotel tinha "comes & bebes" no nome. O Pensador - comes & bebes, genial, hehe. A segunda surpresa foi visitar o lugar e descobrir que a comida era ótima (e barata), o ambiente agradável com um jazz maneiro ao fundo e o serviço bastante simpático.

O "Pensador" é a casa do angolano João Carlos, que cuida da cozinha e do salão com a mesma eficiência e simpatia. A casa ficava antes no Centro, mas mudou-se para o bairro Mercês há pouco em busca de mais espaço. Fui ao bar 'xará do blog' para tomar um drinque depois de um dia corrido (estou na cidade para acompanhar o tratamento de saúde da minha mãe). Acabei comendo e levei algumas coisas para ela provar, já que ela estava impossibilitada de sair.



Comi um "Pica-pau com mostarda" (R$ 15,00) e agora me pergunto o porque desse nome, hehe. Cubos de filé mignon num suave molho de mostarda francesa, tão saboroso que tive de raspar o prato com uma fatia de pão. Experimentei depois o "Talharine a Matriciana" (R$ 12,80) com uma carne grelhada ao ponto e generosa porção de massa fresca ao molho caseiro de tomates. Porções generosas parecem ser a marca registrada da cidade; em todos os lugares onde tenho comido, nada de pratinhos a la 'nouvelle cuisine', é sempre uma porção imensa (até mesmo o almoço servido no hospital!).



Eu gostei muito do "Pensador" e achei que ele tinha tudo a ver com o Comes & Bebes. É acolhedor, cheio de gente bacana (de jovens animados e falantes a 'culturetes' discutindo um projeto de arte com o laptop na mesa até um grupo da melhor idade programando o passeio do finde, muito bom!). Comida despretensiosa mas bem feita, preço amigo e ambiente super democrático. Quando eu perguntei ao João Carlos a razão do nome ele foi sucinto. "Ora, é o que temos aqui: comes e bebes". Pois eu acho que o Pensador tem muito mais.

O Pensador - Comes & Bebes
Rua Visconde do Rio Branco, 766 (esquina com a Al. Julia da Costa)
Tel: (41) 3014-4114
Mercês - Curitiba





Frase da semana:
"A vingança é um prato que se come frio. Depois dá aquele piriri!
Direto da novela das oito, gente! Bom, vingança nunca foi a minha praia, já piriri, bastava uma extravagância à mesa. Hoje estou mais comedido, hehe.

Escrito por Marcelo Katsuki às 13h03

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Por um hambúrguer melhor



Cansado do trivial hambúrguer? Eu não, adoro um cheese-salada e às vezes me presenteio com algumas tiras de bacon (para alegria do meu LDL). Mas para quem gosta de novidades (opa!), a Juliana enviou uma dica de link do concurso "Build a Better Burger" com receitas bem diferentes do sanduíche e até sugestões de harmonização com vinhos, já pensou? O único problema é que está em inglês, mas dá-lhe translator!!!

Para ver as receitas finalistas desse ano, clique aqui. Já para conhecer as dicas de harmonização, é aqui mesmo! Crie um hambúrguer melhor!!!

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h44

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Receita de yakimeshi

Receita de yakimeshi



Vocês pediram e o pessoal da revista Zashi liberou a receita do 'yakimeshi'. Eu já dei uma receita aqui mas chamava o risoto de 'arroz preto', nome criado pela minha amiga Ucha, loucura! Agora vocês podem fazer a receita oficial, né? 'Galantido!!!' Clique aqui para ver a receita com o passo a passo.

Escrito por Marcelo Katsuki às 00h08

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A volta do mini-chiclete



Outro dia eu falei aqui do mini-chiclete Adams e foi aquela sessão nostalgia, remember? Pois não é que eu encontrei uma versão similar, quase um clone? Chama-se Xclé, e as pastilhas são um pouquinho maiores e com cores mais cítricas, além do sabor mais frutado e menos azedinho. Olha eu bancando o 'chicletólogo', socorro!!! O gostinho é bom mas não dura muito... Ah, é da Docile, lá de Lajeado-RS.

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h53

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Rosh Hashaná



As comemorações do Ano Novo judaico começam nessa quarta, dia 12. Mas o pouco que esse blogueiro sabe sobre gastronomia e tradições judaicas aprendeu com a chef Eliana Didio, que até forneceu algumas receitas no ano passado.

Para esse ano, a dica é o blog Cozinha Judaica da própria Eliana, que traz não apenas receitas e fotos, mas muitas curiosidades, dados históricos e até um interessante texto em que ela compara as tradições japonesas com as judaicas.

Clique aqui para conhecer o blog! E um ótimo 5768!

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h03

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Bandejão japa




Só para fechar essa rápida visita a Londrina, no finde fui comer no restaurante Minato (Rua Belo Horizonte, 115 - tel: 43-3322-6863) e pedi um 'teishoku especial'. O restaurante é simples, tem um salão enorme desprovido de qualquer decoração, os preços são similares aos de São Paulo mas havia uma pequena fila para conseguir mesa. A explicação do fenômeno só podia ser uma: a comida.

E era boa mesmo, mas quando o 'teishoku' chegou, com todas as suas comidinhas dispostas na bandeja, não resisti e fiz a foto. Já vi teishoku em pratinhos quadrados, redondos, 'bento box' e caixinhas, mas nesse estilo 'bandejão' nunca. 38 pratas, mas tinha sashimi de polvo, tempurá de camarão e um yakizakaná enorme, então eu acho que 'tá valendo', hehe.

Escrito por Marcelo Katsuki às 22h45

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Mel de abelha



Estou em Londrina (só de passagem) mas dessa vez não deixei de conhecer o Hachimitsu (Av. JK, 3190 - loja 03 - tel. 43-3322-1952), o atelier de delícias da cidade. Comi todos os tipos de carolinas e provei três doces que primeiro aguçaram meu paladar com o visual tentador.



O que mais me chamou a atenção foi a leveza das massas e a economia no uso do açúcar. Os doces não são muito doces, são bem ao estilo japonês: leves, visualmente impactantes mas sutis na doçura. Ótimo, porque a gente come jurando que não vai engordar, hehe.




Meu favorito foi o 'Cherrie' (R$ 4,50), massa de pão-de-ló levinha, recheada com creme e cerejas e cobertura de chocolate branco e lâminas de amêndoas. Só o visual sofisticado já vale a pena, e quase dá pena de cortar a capinha com o garfo, mas estamos aqui para comer, certo?




Um dos hits da casa (e o favorito da minha irmã) é o 'Souvenir' (R$ 4,00), massa de torta coberta com mousse de chocolate e morangos e recheio de creme patissiére, ou seja, tudo o que a gente quer em um doce: massa, fruta, chocolate e creme.




Outro que impressiona pelo visual é o 'Saint Honoré' (R$ 3,50), paté chou, paté sucrée, morangos, chantilly e creme patissiére. Um doce generoso até no tamanho, dá para ser dividido. A menos que você faça o tipo 'formigão', daí talvez complete o deleite com as carolinas recheadas como eu. E olha que eu nem sou tão louco por doces!

Escrito por Marcelo Katsuki às 11h06

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Espanta vampiro



Nem é sexta-feira 13 para uma mousse de alho, mas vamos combinar: alho é bom. Tudo bem que dá bafo, a mão fica com aquele cheiro das trevas mas se consumido cru, o alho é um anti-séptico poderoso, ajuda a reduzir os radicais livres, tem boas doses de vitamina C além de zinco e selênio, fundamentais para a manutenção do sistema imunológico. Não é à toa que, ao primeiro sintoma de gripe, a gente corre pra cozinha e faz aquele chá de limão, mel e alho. Comi essa mousse de alho feita pela minha tia Elza e passei o dia protegido. Dos vampiros e da gripe, que tentou me pegar nesses últimos dias. Alho é o poder, hehe!

Mousse de Alho
- 1 pacote de gelatina incolor dissolvido conforme a embalagem, em 5 colheres de água
- 1 tablete de caldo de galinha dissolvido em meia xícara de água quente
- 1 caixinha de creme de leite
- 1 pacote pequeno de queijo parmesão ralado (50g)
- 1 vidro pequeno de maionese (250g)
- 5 dentes de alho descascados

Modo de fazer: bata tudo no liqüidificador, despeje em uma forma (ou forminhas) e deixe na geladeira por quatro horas (ou até que fique firme). Sirva com torradas.


Escrito por Marcelo Katsuki às 20h54

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Chá de carne




O Jacaré Grill (R. Harmonia, 321/ 337, Vila Madalena - tel: 11-3816-0400) aquele tradicional boteco da Vila Madalena estreou uma carta de vinhos. O Jacaré (Marcelo Silvestre, proprietário) disse que a oferta não era boa, o que fazia com que alguns clientes levassem suas próprias garrafas para tomar lá (e ele gentilmente nem cobrava a rolha). Para melhorar a situação, a nova carta vem assinada pelo enólogo Ricardo Bohn Gonçalves e traz boas opções a preço amigo, e também meias garrafas, bastante oportuno.




Estive lá para conhecer a carta e alguns novos pratos e acabei me divertindo com um caldinho de carne chamado "Beef Tea", o tipo de coisa gostosa que faz a gente voltar a um lugar. Mas afinal, o que é o 'chá de bife'? Um vigoroso caldo de carne (que lembra aqueles caldinhos do Nordeste!) que chega fumegante em um copinho de porcelana, acompanhado de uma gema crua e molho inglês. A brincadeira consiste em temperar a gema e despejá-la no caldo, desenhando fios amarelos que vão enriquecer ainda mais o sabor e a textura. Nem precisaria, mas queremos 'sustança', então dá-lhe gemada!!!




Outras coisas de que gostei: a entrada com um mix de petiscos (lingüiça fatiada, carne e frango grelhados e uma deliciosa picanha suína com capinha de gordura e tudo) e o assado de tira, no melhor estilo argentino, acompanhado de molho chimichurri. O Jacaré tem um balcão de 40 anos na entrada (do bar original), começou com uma portinha e algumas mesinhas mas o sucesso fez com que o bar se estendesse até o imóvel do outro lado da rua. Há anos não ia lá, minha última vez foi durante um jogo da Copa (nos anos 90!) e me lembro de ter deixado os amigos no bar para ir trabalhar na cobertura dos jogos. Vidinha dura...




O bar cresceu, criou uma clientela fiel e agora tem até uma carta de vinhos 'assinada', mas a simpatia do Jacaré continua a mesma. Perguntado se agora cobraria rolha dos clientes que insistissem em levar seu próprio vinho, ele foi enfático. "Não, a carta veio apenas para melhorar o atendimento". A carta é enxuta mas eficiente, vá lá e comprove.

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h44

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Massa na madrugada




Tenho o hábito de voltar da balada e preparar algo para dar aquela aquecida no estômago antes de me jogar na cama. Sei que é péssimo, mas nessa hora dificilmente me lembro de dietas, 'carbos' ou daquela fruta perdida no fundo da geladeira. Invariavelmente faço uma massa e a receita recorrente é um espaguete ao sugo ou só com azeite mesmo (e um pouco de pimenta caiena para dar aquela barbarizada no estômago, hehe).

Pois nessa semana resolvi improvisar (o que não é a criatividade na vida de uma pessoa, minha gente?). Ganhei do chef Carlos alguns sachês de aliche Ubatuba, em porções individuais de 30 gramas e adorei. Fiz meu espaguete ao sugo acrescido de aliche e o resultado foi surpreendente, quase uma alichela, hehe! Quer provar?

Espaguete com aliche

- Frite um alho picado em 2 colheres de sopa de azeite
- Junte um sachê de 30g de aliche
- Bata no processador ou pique 200g de tomate (usei cereja, com pele e semente!) e adicione ao molho
- Tempere com sal, pimenta, salsinha picada e algumas azeitonas pretas (opcional)
- Prepare 1 porção de massa al dente e finalize o cozimento no molho rapidamente
- Um fio de azeite pode completar o prato, mas na madrugada vale tudo e eu caprichei no parmesão (uih)! Bons sonhos!!!

Para ver outras receitas bacanas com aliche, clique aqui! Tem até feijão branco e carolinas recheadas!

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h22

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Chiclete de brigadeiro



E a saga do brigadeiro continua! Acredite, isso é um chiclete mesmo. E tem gosto de brigadeiro, melhor que o de muitas docerias por aí! O perigo é se empolgar com o sabor e engolir a goma de mascar, já pensou? Pior que é bom e dá até para fazer bola. Por 10 centavos na quitanda mais exótica do seu bairro. Ploc!

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h07

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Cubanos e rosés

Cubanos e rosés



Na semana passada estive no Esch Café (Alameda Lorena, 1899 - Jardins - tel. 11-3062-2285) para provar o menu criado para harmonizar com o Chandon Brut Rosé, e que está sendo servido como parte das comemorações do 'Promenade Chandon'. Comigo na mesa, cinco mulheres, envoltas pela fumaça de Cohibas e outros cubanos que era rapidamente tragada pelo eficiente exaustor de ar do salão. Nas mesas e no amplo balcão um aglomerado de homens conversa, fuma e olha para as telas de plasma que transmitem futebol. "Aqui é o paraíso para as mulheres" revela uma delas. E as rodadas incessantes de espumante rosé vão animando a conversa. As muitas conversas.




Incrível a capacidade de comunicacão das mulheres! Os diálogos aconteciam em duplas diametralmente opostas, em grupo, em trio, tudo ao mesmo tempo. Os assuntos? Invariavelmente homens. Às vezes trabalho. E logo voltava ao assunto principal. Sex and the City perde!!! Aproveitei para uma rápida conversa com o mestre Derivan (que está cuidando do bar com toda aquela classe), fui para a cozinha ver o preparo dos pratos, mas logo voltei para a animada mesa, 'incendiada' pelo espumante rosé. Virei algumas tacinhas e embarquei no clima das 'mentes perigosas', hehe. Foi divertido!




Para essa harmonização, nada de grandes surtos de criatividade: uma brusqueta de brie com geléia de damasco, um fetuccine com molho de salmão e de sobremesa, salada de frutas com Cointreau. Nada de inesperado, mas tudo realizado com esmero. E caiu bem com a bebida. O Esch parece ter uma vocação mais para bar mesmo. Apesar da adega com bons exemplares de vinhos, fica difícil pensar na sutileza de harmonizações enogastronômicas em meio ao cheiro dos charutos, ainda que haja um lugar para não fumantes depois do 'fumoir'. Mas o lugar é charmoso, aconchegante, o atendimento é feito por jovens trajando figurinos cubanos e a oferta de charutos da tabacaria é excelente. Não me senti de volta ao Hotel Nacional de Cuba, mas passei momentos bastante agradáveis, e olha que nem sou fumante. Ah, a trilha sonora também é ótima, vá e depois me conta!


Escrito por Marcelo Katsuki às 23h17

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Mais doces




O Roberto Araujo pediu para ver. Taí, o "brigadeiro de capinha"! Parece capinha de coco, mas é açúcar. Délis (como diz a Beta)!




Aqui o 'flagrante' do sábado. O Bruno acha que eu estava 'filando' um doce, mas na verdade eu estava apenas arrumando a bandeja. Sou perfeccionista, gente!

Escrito por Marcelo Katsuki às 22h27

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Simples carinho




Ontem eu saí de férias por duas semanas. Mas ao acordar, além do jornal, uma caixinha me esperava logo pela manhã. Minha amiga Beta havia deixado os prometidos brigadeiros 'de capinha' e de capim santo na portaria do prédio. Fiz um chá, abri o jornal e me joguei nos brigadeiros, para mim o melhor doce do mundo! O 'de capinha' eu ainda não descobri o segredo, mas a receita do de capim santo está logo abaixo. Experimenta!

Brigadeiro de Capim Santo

1 lata de leite condensado
1 barra pequena de chocolate branco
1 copo de leite
1 punhado de capim santo (erva cidreira)

Bater o leite com o capim santo no liqüidificador, coar e juntar o líquido verdinho com o leite condensado e o chocolate em pedaços. Levar ao fogo baixo e mexer, mexer, mexer até engrossar. Fazer os brigadeiros e passar no açúcar. Daí é só se deliciar!!!

Escrito por Marcelo Katsuki às 07h26

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PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki é editor de arte de Mídias Digitais da Folha, colaborador da revista sãopaulo e colunista da "Prazeres da Mesa".

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