Marcelo Katsuki - Comes & Bebes
Marcelo Katsuki - Comes & Bebes
 

Rumo ao Nordeste



De rápida passagem pela cidade, apenas para refazer a mala e zarpar para a Bahia, onde ontem rolou a lavagem do Bonfim (e eu perdi de novo). O motivo é a festa dos chefs Tereza Paim e Vitor Sobral na Praia do Forte, um 'ball masqué' que confesso, me deixou apreensivo. Ball masqué naquele calor senegalesco (coisa de chef português? kkkkk, brincadeira hein gente!), só se seu ficar só de máscara e capa (e talvez uma sunga por baixo), mas ideal mesmo seria uma fantasia de índio. Tem índio em ball masqué? Ai...

Ainda bem que guardei a capa de vampiro do Halloween de anos atrás, mas na tentativa de passar (coisa que não sei mesmo), acabei grudando parte da capa no ferro! Ai, sintéticos!!! Ainda bem que achei uma camisa (very vintage) preta enorme Issey Miyaki, mas que tá mais para um zumbi daquele clip 'Thriller' que um mascarado veneziano. E a máscara que pedi para um amigo deixar comprado na 25 tá mais pra adereço de passista de escola de samba, com umas plumas imensas, pedraria de gosto duvidoso, ninguém merece. Tô levando uma pistola de cola, motivo suficiente para ser barrado no raio-x, kkkkk!

Mas como nem tudo são flores, apareceu uma pia de cerâmica na portaria do meu prédio para eu levar, uma 'encomendinha' de última hora. Jesus, como vou passar com isso no embarque? Mas, para quem já teve de explicar para a polícia americana o que era aquele 'container metálico enorme dentro da mala com um pesado pilão de pedra tailandês dentro', vai ser fichinha, hehe.

Essa festa promete.

Escrito por Marcelo Katsuki às 02h44

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Ávila Parrilla e Wine Bar



Se você freqüenta as boas churrascarias da cidade, vai se sentir em casa na Ávila Parrilla e Wine Bar. O argentino Guillermo Ávila arregimentou maïtres e garçons das principais casas para compor a equipe do restaurante que leva seu nome. O resultado é uma equipe experiente e entrosada com nomes como o do maitre Otacílio, que deixou o Rodeio após 25 anos para se dedicar a essa nova casa e do subgerente, Aldenir que traz na bagagem experiência em todas as casas do grupo Rubaiyat.


A casa é ampla, com salão e bar no térreo e 'wine bar', adega e salas privadas no piso superior, onde também fica a loja de vinhos que reúne quatro importadoras o que permite aos clientes comprar vinhos por ótimos preços. A carta de vinhos aliás é bastante ampla, com preços que variam de 28 a mais de 1.200 reais. Há bons Malbecs na faixa dos 40 para consumo na casa e no almoço, tacinhas por 6 reais, super convidativas.


Comecei provando as empanadas (carne, queijo e palmito, R$ 8,00), caprichada e com massa mais sequinha, daquelas que quase se esfarelam na boca. Acompanhei de fibrosas fatias de matambre aperitivo (R$ 14,00) com a saladinha de cebola roxa com azeite e de chimichurri. Ao fundo um som de tango eletrônico (na linha Bajofondo/Gotan Project), baixinho, bastante agradável.


A salada Ávila (R$ 22,00) com agrião, rúcula, tomate parmesão e palmito chegou toda envolvida pelo molho à base de iogurte, com um aspecto nada à altura de seu sabor: bem temperada, acidez leve e quase doce. A famosa feia mas gostosa, hehe, gostei muito.

As carnes são preparadas na imponente churrasqueria ao fundo do salão e é de se admirar a agilidade do churrasqueiro controlando as carnes e o braseiro. Na entrada do restaurante há um braseiro chamado criollo (semelhante ao nosso fogo de chão) onde são feitos os assados 'a la cruz'. Provei o bife de chorizo (R$ 44,00 ) pedido por um amigo que me acompanhava, tradicionalíssimo né? Corte generoso, carne mais firme mas saborosa nas laterais com gordura.


Mas fiquei muito mais feliz com meu bife de Ancho (R$ 48,00), tostado por fora mas vermelhíssimo por dentro, gordura distribuindo sabor e maciez de dentro para fora, suculento e com todo aquele perfume que só o carvão pode dar, no ponto! Apesar do tamanho generoso (400 gramas) fui capaz de comê-lo todo, não suporto desperdício, gente!


Ainda fiz acompanhar de batatas suflê (R$ 14,00), infladas e crocantes além de bem sequinhas. Eu queria aprender a fazer batatas assim, no Casserole elas ainda vêm com um creminho por dentro, como um suflê mesmo. Já me falaram que tem que fritar em duas etapas, mas preciso fazer um teste antes, daí ensino aqui!


De sobremesa, provei duas opções bem distintas: a famosa panqueca de doce de leite com sorvete de creme (R$ 14,00) e uma 'limonata Avila' (R$ 10,00). A primeira me surpreendeu porque além do já esperado maravilhoso doce de leite argentino, vem com a massa brullée, ou seja, com uma capinha crocante de açúcar queimado e raspas de laranja, muito gostosa! Já a segunda por ser altamente refrescante e revigorante! Sorvete de limão batido com vodca e muita hortelã, perfeito para levantar o ânimo depois de tanta carne! E garanto, funciona mesmo, não é conversinha. Claro que paguei um alto preço depois de devorar a taça imensa (remember minha alergia a sorvete?), mas todo prazer tem o seu preço.


Ávila Parrila e Wine Bar
Rua Bandeira Paulista, 520 - Itaim
Tel.: 0/xx/11/3167-2147

Escrito por Marcelo Katsuki às 18h17

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Prendado e caprichoso


Fiquei rindo do título do post, mais parece nome de festa do boi da Amazônia mas não é (aliás, preciso conhecer a festa de Parintins qualquer dia!). Trata-se do blog do Senhor Prendado, o 'seu' blog se você adora receitas com passo a passo.

Fui conferir a indicação do 'Comes e Bebes' no Panelina da Rita Lobo e descobri lá o blog do João Baptista que é designer como eu. Logo, as fotos são caprichadas e as receitas dignas de um senhor prendado de fato com ótimas receitas, vai lá!

Ah, a Rita? Ela me chama de 'moço antenado', uhu! Este jovem senhor 'semiprendado' agradece, hehe.

Escrito por Marcelo Katsuki às 17h51

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Cantina: Ruffles Palito e Toast


Enquanto devoro algumas páginas do livro da divertida Julie Powell 'boca suja', engulo esses dois salgadinhos que comprei num posto de beira de estrada (não tinha visto na cidade, talvez estejam em teste): Ruffles Palito, com caixinha de papel e tudo e Ruffles Toast sabor pão na chapa.

A versão palito só é interessante pela caixinha e pelo fato de não ser frita e sim assada. Mas o sabor passa longe do gosto de 'batatinha de lanchonete' prometido na embalagem. Já o segundo me deixou incrédulo: por que pegar um salgadinho de batata e botar sabor de pão na chapa? Ruffles 'transex'!!! Pior é que tem gosto de pão na chapa mesmo, mas para isso a caixinha lista uns 20 ingredientes, entre eles fubá, óleo de coco e pimenta preta. Nada além de um 'divertimento de boca' com mais de 100 calorias por xícara, ui. Bom, deixa eu voltar pro meu livro.

Escrito por Marcelo Katsuki às 17h28

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Nordeste instantâneo


Eu sou uma pessoa horrível e agora dei para mentir! Outro dia 'cheirando' o setor de temperos do mercado, achei um novo caldo instantâneo, Sabor do Nordeste que me pareceu muito próximo do natural. Era uma novidade da Maggi que mixava coentro, louro e cominho, tudo o que eu não sei usar em cozidos.

Impressionado com o aroma (não sou a favor de caldos instantâneos, mas como esse era apenas com temperos, resolvi testar) preparei um picadinho de carne 'à moda nordestina' e convidei um amigo lá da terrinha para jantar. Preciso relatar que fiquei surpreso com o cheiro de 'feira de mangaio' que ficou lá em casa mas mais surpreendente foi o ouvi dele: "Parece o tempero da minha mãe, como você conseguiu isso?"

"Ah, um punhadinho disso, outro daquilo, tem que ter feeling, hehe." Quanta mentira... Mas fiquei com pena de decepcioná-lo com a comparação da cozinha da 'mainha' dele com um ordinário tablete instantâneo! E mantive a farsa... (espero que ele não leia isso aqui!)

Minhas próximas experiências serão com esse dois outros caldos, um de frango com ervas e outro de bacalhau com azeite adquiridos por pura curiosidade na mesma 'cheirada'. Portanto se você for convidado para um franguinho ou uma bacalhoada lá em casa, já sabe: olho (e nariz) aberto. Nada de macular o santo nome da sua mama!

Escrito por Marcelo Katsuki às 15h54

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Tiger e o melhor da cozinha oriental



Comi o melhor 'pad tai' dos últimos tempos! Sempre que tenho a oportunidade de conhecer restôs tailandeses quando viajo, me jogo no 'pad tai', o macarrão de arroz. São mais doces, o tamarindo pega na língua e o nampla (o óleo de peixe) fede que é uma beleza, adoro! Aqui em São Paulo meu favorito é o do Mestiço e agora ele ganhou um concorrente à altura. Fui conhecer o Tiger e depois de me acabar em sushis e entradinhas deliciosas, ainda consegui comer uma porçãozinha do macarrão e me maravilhar, estava perfeito.



Comecei a noite com uma soda italiana de amora (sim, é a supremacia do Monin!) e lá no Tiger você tem uma carta de drinques enorme, todos sem álcool, assim como vinhos e cervejas não alcólicos. A casa segue preceitos muçulmanos e até utiliza carnes Halal. Mas sabe que tomei um espumante sem álcool e achei gostoso, na hora pensei que fosse outra coisa, era tão frutado, maçã, abacaxi, e não faltam as bolhinhas, hehe.



De entradinhas, além do 'nimono', aqui uma saladinha de pepino com algas, um Special Tiger com salmão marinado, cebolinha e alga nori sobre folhas de endívias e especialmente coberto com ovas. Perfeito para abrir os trabalhos!



O combinado do chef chegou à mesa demonstrando toda a habilidade do sushiman Edvan: peças feitas com perfeição distribuídas na bela cerâmica da Hideko Honma com uma precisão admirável. E o que falar dos enfeites de pepino e do 'tsuru' feito de cenoura? E é claro, o mais importante, sabor e textura perfeitos, frescor e cortes precisos. E podem acreditar: comi tudo (acho que deixei umas 2 peças para não dar vexame!).



Pedi um mix de entradinhas tailandesas com Tun Tón, trouxinhas de frango fritas, Kra Ton Ton (as cestinhas com frango e cenoura) e Kum Hôm Pa: rolinhos de camarão em massa crocante com molho picante de mel, meu favorito. Eu que adoro entradinhas, podia ficar só com elas, mas aguardei pacientemente o momento de comer o pad tai.



O cheiro do nampla foi logo anunciando a chegada do pad tai à mesa. Depois o perfume dos camarões dourados, os ovos, envoltos no azedinho do tamarindo, os cubinhos de tofu, os amendoins, o doce do mascavo, tudo tão habilmente combinado resultando num prato simples e delicioso. Se você for um 'pad tai lover' como eu, não deixe de provar esse, assinado pela chef da cozinha tai da casa, a Jidapa, ou Poppy, como é conhecida. Poppy me disse que detestou quando a mãe obrigou-a a aprender a cozinhar ainda menina, fato comum nas famílias tailandesas, mas que hoje agradece imensamente esse fato, hehe.



O Tiger oferece três cozinhas: a japonesa, a chinesa e a tailandesa. Funciona no sistema de rodízio a 29 reais nos almoços de segunda a sexta, 40 nos jantares de segunda a quinta e 49 nos almoços de sábado e domingo e nos jantares de sexta a domingo. Mas há um cardápio a la carte bem variado para quem quiser provar especialidades da casa, como o pad tai.



Dos coquetéis, meu favorito foi o Fresh Green: hortelã, manjericão, limão, abacaxi, Monin Lemon, Monin Mojito Mint, água de coco e Curaçao Blue, super refrescante e leve apesar de todos esses ingredientes. Esse outro laranja na foto é o Tiger, com um Monin de macadâmia incrível! De sobremesa, provei o Pang Krob Saparot, um crepe crocante a aberto (parece um nacho, hehe) com doce de abacaxi, sorvete e coco queimado.



O cardápio tem muitas opções e as sugestões tailandesas vêm com indicação de ardência com pimentinhas desenhadas. Fiquei curioso para provar o Ken Kyou Ka Gái, frango com curry verde e côco, mas o estômago não permitiu. Ótima descupa para voltar lá em breve e é claro, repetir o maravilhoso pad tai, que tem povoado meus sonhos. Muito bom!


[O talentoso chef sushiman Edvan e Jidapa, ou simplesmente "Poppy"]


Tiger
Rua Jacques Felix, 694 - Vila Nova Conceição
Tel.: 0/xx/11/3045-2200

Escrito por Marcelo Katsuki às 22h12

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PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki, 40, é editor de arte da Folha Online. Formado em arquitetura, Kats é também cozinheiro, sommelier e DJ.

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