Marcelo Katsuki - Comes & Bebes
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Festival Gastronômico de Visconde de Mauá



Começa hoje o Festival Gastronômico de Visconde de Mauá e vai até domingo. Para o concurso realizado pelo casal Monica e Claudio Rangel, do restaurante Gosto com Gosto, serão convidados jovens chefs que serão julgados pelos ganhadores do último concurso gastrônomico e por chefs convidados.

Além do Mês do Pinhão, que acontece do dia 15 de abril a 18 de maio (os restaurantes da região estão servindo pratos à base de pinhão) acontece ainda o III Salão do Pinhão, com apresentação dos artistas locais, o Sabores da Montanha, onde haverá apresentação dos produtores orgânicos da região, e um jantar beneficente (R$ 80,00) na abertura do Festival, elaborado por quatro chefes convidados da Associações dos Restaurantes da Boa Lembrança – Flavia Quaresma, Marcos Sodré, Paulo Pinho e Paquito.

Programação da aula show Senac

Sexta-feira – 16 de maio
15:00 – Aula Show com Tereza Paim
17:00 – Aula Show com William Chen Yen
19:00 – Aula Show com Ana Bueno


Sábado – 17 de maio
10:00 - Aula Show Conceição Neroni
12:00 – Aula Show Carlos Ribeiro
16:00 – Aula Show com César Santos e Jorge Garritano
18:00 – Aula Show Ariani Malouf

Domingo – 18 de maio
10:00 – Aula Show com Dulce H.Martinez
12:00 – Aula Show com Fernanda Lucas
14:00 – Aula Show com Jeff Colas

Escrito por Marcelo Katsuki às 01h47

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Soba: reconfortante e nutritivo


[Nikutamagotoji Soba do Waka: com carne e ovo mexido]


Na terça-feira saí do jornal morrendo de frio rumo ao mercado para comprar algo quando um amigo me liga convidando para um soba no Waka (Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - Loja 15 - tel. 0/xx/11/3191-0280). O Waka é o restaurante japa em frente ao hipermercado Extra da Brigadeiro Luis Antônio, que além de bom e barato, fica no caminho de casa! Quando dei um post sobre o Waka (veja aqui), os leitores falaram que o lugar é conhecido como o 'restaurante da japonesa que grita'. É que a Maria 'canta' o pedido sem sair do balcão e o cozinheiro responde com um 'honto!' (ou coisa parecida) lá de dentro. O importante é que o caldo do chef é rico de sabor e utiliza macarrão japonês no preparo, o que não impede o preço camarada: R$ 14,00.

Além do 'soba' acabei comendo uma porção de tempurás (legumes empanados fritos) e levando alguns bolinhos de carne para casa. Mas se você não passa por essa região da Paulista ou mora fora, faça um belo soba em casa, não é tão complicado. Em Campo Grande (MS) o macarrão faz o maior sucesso em função do grande números de nikkeys procedentes de Okinawa, que trouxe a tradição do soba ao país.

Além de reconfortante e leve, essa sopa utiliza macarrão de trigo sarraceno, rico em proteína, aminoácidos e polifenol, que ajuda na redução do colesterol. Tem também vitaminas B1 e B2 além de rutina, que fortalece as veias. Também é conhecido como auxiliar no combate à pressão alta e ativador das funções do pâncreas. Na boca você sente que ele utiliza ingredientes mais integrais, o que torna seu teor nutritivo superior ao do arroz e do próprio trigo refinado. Tô achando que é uma sopa 'milagreira', hehe. Abaixo, uma receita básica:

Ingredientes
- 400g de macarrão japonês
- 200g de carne ou frango picado
- 1 litro de caldo Dashi
- 2 colheres (de sopa) de saquê
- 6 colheres (de sopa) de shoyu
- 3 colheres (de sopa) de mirin
- óleo
- 2 ovos
- cebolinha
- 2 folhas de alga nori

Cozinhe o macarrão conforme instruções da embalagem. Faça o caldo dashi (ferva um litro de água com uma folha de kombu, apague o fogo e junte flocos de Katsuobushi) ou compre o caldo instantâneo. Frite a carne, junte o caldo e demais ingredientes e ferva por 5 min. Coloque o macarrão na cumbuca, cubra o caldo e junte cebolinha picada, omelete e algas nori picadas. Utilize 'togarashi', a pimenta vermelha japonesa em pó (que vem em uns vidrinhos simpáticos) a gosto.

Curiosidade: o soba é consumido no Japão no Réveillon para desejar vida longa e próspera.

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h38

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Os vinhos da Casa Santa Eufêmia


[O enólogo Pedro Carvalho fala sobre os vinhos da Casa Santa Eufêmia]

O enólogo e produtor português Pedro Carvalho está no Brasil divulgando os vinhos da Casa Santa Eufêmia, importados pela World Wine. Participei de um almoço ontem no restaurante A Bela Sintra e pude degustar quatro exemplares, entre eles um raro Porto Branco Reserva Especial com mais de 30 anos, o que conferia ao vinho uma cor dourada e um sabor riquíssimo.

A Casa Santa Eufêmia foi fundada em 1894 às margens do rio Douro (Portugal) e começou produzinto apenas Porto. Com 40 hectares de vinhedo sendo 30 de vinhas velhas, a vinícola possui ainda um grande lote de vinhos guardados. Depois da divisão ocorrida nos anos 89 e 90, a vinícola passou a ser cuidada por Pedro e sua irmã Lucia.


O primeiro vinho provado foi o Perene Branco 2006 da região Távora-Varosa. Um vinho simples mas de boa acidez e aroma citrino, acompanhou bem a entrada: um siri gratinado na concha de Moçambique, levemente condimentado.


O bacalhau à Herdade do Esporão foi servido com um CSE Reserva 2003, um vinho de médio corpo, cor rubi intenso e aroma concentrado com notas de frutas vermelhas. Harmoniza também com carnes vermelhas mas foi muito bem com o bacalhau, perfeito, servido com deliciosos chips de cenoura e beterraba (que eu surtadamente chamei de berinjela, ó deus Baco!)


O vinho Compota 2005 feito de uvas Touriga Nacional foi servido com o "Arroz de pato à nossa moda". Como o nome sugere, o vinho tem sabor de furtas vemelhas bem maduras (compotadas) mas com notas de baunilha, chocolate e café. Vinificado em cubas de inox, passa por estágio dem carvalho francês, que confere um equlibrado toque de madeira. Foi o meu favorito.


O Porto Branco Reserva Especial, dourado com aromas de mel, amêndoas e até figo seco fechou a harmonização servido com o Toucinho do Céu e a Siricaia, o doce português de gemas com leite condensado que desmancha na boca, minha perdição! Uma ótima harmonização que fechou a refeição em grande estilo.


[O decanter do restaurante, mais caro que a adega climatizada que eu tô comprando, ou melhor 'querendo comprar'! Mas aprecie as 'curvas' da peça, demais!]

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h26

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A tradição do Rufino's


Na semana passada fui jantar no Rufino's Restaurant (Rua Dr. Mário Ferraz, 377 - Itaim - tel. 0/xx/11/3078-6301) tradicional casa de frutos do mar que começou no Guarujá mas conta com dois endereços aqui em São Paulo - o outro fica no Shopping Morumbi. O motivo? Comemorar a promo do meu amigo P.A. e é claro, colocar o assunto em dia, para não dizer, fofocar, hehe.

A gente ficou surpreso com o tamanho da casa, em plena Mario Ferraz. Mas o tamanho dos peixes (assados inteiros) impressionaram ainda mais! Com medo de não darmos conta, optamos por um prato de camarão e um caixote de frutos do mar, para uma pessoa. Ah, e algumas ostras para entrar no clima!


Quando o couvert (R$ 15,00) chegou à mesa, pensei em dispensá-lo, mas como resistir aos anéis de lula numa vinagrete perfumada, salmão defumado, grãos de bico e conserva de legumes, além de uma escabeche de sardinha muito bem feita! Logo chegaram as ostras de Santa Catarina (R$ 18,50 seis unidades), com um molhinho e limão siciliano que fizeram toda a diferença.


O Camarão à Rufino's (R$ 80,00 para duas pessoas) aberto, temperado e grelhado chega na mesa quase solto da casca, uma gentileza bastante desejável. As vagens que acompanham são bastante tenras e as batatas fritas, pequenas bolinhas moldadas.


O Caixote de frutos do mar (R$ 72,00 para 1 pessoa) vem com vieira, mexilhão, ostra gratinada, camarão rosa, polvo e robalo numa travessa enorme. O polvo estava especialmente macio e suculento, mas a vieira e o mexilhão temperados também não ficavam para trás. Um 'caixote' que traz uma ótima amostra dos produtos oferecidos no cardápio da casa.

A sobremesa foi um cafezinho. Na verdade um chá, para ajudar na digestão, ninguém é de ferro! Afinal as porções do Rufino's são generosas, típicas de casas tradicionais e familiares. Gostei muito!

Escrito por Marcelo Katsuki às 00h36

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Cuecas na Cozinha



O blog Cuecas na Cozinha do Alessander Guerra está fazendo aniversário e a cada dia um blogueiro sugere uma receita. Chegou o meu dia! (E eu achando que tinha sido gongado, kkkkk!).


Quer aprender essa receita de Mini moranga com carne seca gratinada que eu fiz para essa 'festa'? Clique aqui!!! E aproveite para dar os parabéns ao Ale, o dono do 'cuecas'!

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h06

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Dia do chef de cozinha



Hoje é comemorado o Dia do Chef de Cozinha! Pelo menos aqui em São Paulo. A data foi instituída no calendário de comemorações oficial da cidade no final dos anos 90 pela Câmara Municipal. Então parabéns a esses profissionais que fazem de nossa simples refeição um momento de prazer!!!

Escrito por Marcelo Katsuki às 11h44

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Um pouco mais sobre saquês


[O sommelier de saquê Celso Ishiy]

Alguém me disse na semana passada que "a gastronomia é uma escada que a gente só sobe e nunca consegue descer" (ou coisa parecida). Isso está me deixando preocupado. Estive em uma degustação de saquês da Hakushika importados pela Tradbras que foi uma verdadeira aula com o jovem sommelier de saquê (sim, existe essa denominação) Celso Norio Ishiy. Acho que estou aprendendo as sutilezas da bebida e gostando cada vez mais dos dos saquês premium.


[Entrada fria com legumes, kanikama e frutos do mar]

A degustação ocorreu no Restaurante Shintori com a presença de outros jornalistas (entre eles minhas gastro girls queridas, Cris e Bia) e participação da sempre espirituosa Nancy Saeki, do Shintori. Celso falou desde a origem e produção até a etiqueta do saquê. Para acompanhar a desgustação, alguns pratos criados pelo chef José Wilson Pereira Soares, há quase 30 anos no comando da cozinha do restaurante.


['Wasabi steak' harmonizado com saquê 'junmai extra-dry']

Os pratos harmonizados foram uma entrada fria com salada de pepino, rabanete, kanikama e camarão com ovas, um 'wasabi steak' com saladinha e legumes, um combinado de sushis e sashimis e uma sobremesa arrebatadora: uma gelatina com camadas de pitaia, lichia e gomos de tangerina com calda e saquê, que me fez limpar a taça (o que nunca acontece com sobremesas).


[Combinado de sushis e sashimis]

Celso começou com uma colocação muito oportuna: "saquê não é cachaça, nem vinho, nem cerveja. Saquê é saquê." Porque a gente tem mania de traçar paralelos e com a distinção de destilados e fermentados, a gente acaba achando que saquê é meio vinho, mas não é. Aliás, descobri que a maioria dos saquês que tomamos no Brasil nem são apenas fermentados, mas recebem também álcool etílico e ficam um mix de destilado com fermentado, chamado de saquê 'honjoso'. O saquê com 100% de álcool de arroz é chamado 'junmai'. O 'honjoso' vai bem com pratos mais leves enquanto que o 'junmai' harmoniza-se com comidas mais fortes e até gordurosas.


[A deliciosa sobremesa de gelatina de pitaia, lichia e tangerina com saquê]

A produção do saquê ocorre em várias etapas: primeiro o arroz é pré-cozido, então junta-se o fungo que vai transformar o amido em glicose. Daí são adicionadas leveduras que transformam a glicose em álcool. O fator principal de qualidade em um saquê é a água, que deve ter quase ausência de ferro e manganês e ser rica em magnésio e potássio. A melhor água utlizada chama-se "miyamizu" e é encontrada no Japão.


[O arroz em 3 estágios: in natura, com 30% de polimento (70% de aproveitamento) e 50% de polimento, quase um cristal. Produção: Cris Couto!]

O segundo fator é a qualidade do arroz e o seu polimento. O arroz utilizado é diferente do consumido no dia a dia. Ele possui baixo índice de gorduras e proteínas e quanto maior o polimento recebido, melhor será a qualidade do saquê. Alguns polimentos podem resultar em aproveitamento de menos de 50% dos grãos, mas a partir do aproveitamento de menos de 70% do grão o saquê já é considerado 'premium'. Além de mais leve, ele não dá ressaca, coisa super desejável para qualquer bebedor.

Após o engarrafamento, o saquê deve ser consumido em 2 ou 3 anos, ao contrário do vinho, que pode ter uma guarda longa. Depois de aberto, ele dura ainda um mês na geladeira, prazo que pode ser extendido até 3 ou 4 meses com o uso de um aparelho similar ao 'vacu-vin', com uma tampa que garante vácuo e boa vedação.


[O saquê feito para coquetéis, de sabor neutro]

Foi a primeira vez que vi os grãos de arroz utilizados na produção. E também conheci um saquê importado do Japão ideal para coquetéis, com sabor neutro, vendido em caixinhas similares ao tetra-pak. Provamos também um saquê nacional 'honjoso' e foi notável a diferença com os 'junmai' degustados. Aliás, os bons bebedores de saquê têm preferência pelo 'junmai extra-dry', que apesar de seco, tem uma leveza que faz os outros parecerem 'salgados' depois de comparados.


[Nancy Saeki, do Shintori, ajuda na demonstração de etiqueta do saquê]

Pra terminar duas coisas: o saque frio deve ser servido na temperatura de 10ºC a 15ºC enquanto o saquê quente, de 40ºC a 45ºC. E o saquê tem uma importância tão grande na vida dos japoneses que é considerado uma bebida sagrada dos Deuses e um item precioso em uma casa. Tanto que quando se serve o saquê, deve-se segurar a garrafa com as duas mãos assim como quem recebe a bebida. Quando você oferece saquê a alguém, não está apenas dando a bebida, mas desejando boa sorte, sucesso e longevidade. Então viva o saquê! Kampai!


[Os saquês da Hakushika importados pela Tradbras]

Escrito por Marcelo Katsuki às 02h18

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Bolo de noiva


Sempre que volto do Recife, compro miniaturas de Bolo de noiva no aeroporto. Mas nunca tinha me dado conta de que esse é o bolo usado em casamentos tradicionais por lá. Afinal aqui em São Paulo o bolo de casamento geralmente é clarinho enquanto lá o bolo inglês é um costume que vem da influência do tempo da colonização.

Coberto ou não com o glacê ou a pasta americana, o bolo de noiva nordestino é uma delícia. E descobri que dá para congelar. Consistente, com recheio misturado na massa e de cor escura, esse bolo é feito com vinho, ameixa e frutas cristalizadas. Achei essa receita em versão reduzida no Prato Feito, ideal para se fazer em casa, pois a receita original dá porções suficientes para um casamento. E essa aqui é simples, nem tem cobertura (calorias a menos!)

Bolo de Noiva

Ingredientes:
- 3 3/4 xícara de chá de farinha de trigo
- 3 3/4 xícara de chá de açúcar
- 2 1/2 xícaras de chá de manteiga
- 1/2 xícara de chá de vinho do Porto
- 1 colher de sopa de raspas de limão
- 1 colher de sopa de fermento químico em pó
- 300g de ameixas bem picadas
- 300g de frutas cristalizadas picadas
- 150g de passas brancas
- 150 g de passas pretas
- 6 ovos
- 1 pitada de cravo triturado e peneirado
- Noz-moscada e canela em pó a gosto

Preparo:
Deixe as passas de molho em meia xícara de vinho do Porto de um dia para o outro. Bata três claras em neve e reserve as gemas. Em outra tigela, bata a manteiga com o açúcar por 5 minutos ou até ficar esbranquiçado. Junte os ovos e as gemas reservadas e bata até ficar homogêneo. Misture delicadamente as claras em neve. Acrescente as raspas de limão, a noz-moscada, o cravo e a canela. Em seguida, a farinha e o fermento peneirados, batendo sem parar. Junte as ameixas e as frutas e misture. Adicione o conhaque e o vinho do Porto com as passas e misture. Aqueça o forno em temperatura média. Forre as fôrmas com papel manteiga e unte com bastante manteiga. Polvilhe farinha e divida a massa entre as duas fôrmas. Asse por 55 minutos ou até que, ao espetar um palito, ele saia limpo. Deixe esfriar.

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h09

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PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki, 40, é editor de arte da Folha Online. Formado em arquitetura, Kats é também cozinheiro, sommelier e DJ.

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