Marcelo Katsuki

Comes & Bebes

 

Tapaç24, Barcelona

Do macaron para as tapas. Apenas 1h30 de voo e cá estou em Barcelona. Foi um alívio ver edifícios modernistas; cansei de neoclássico. Claro que a cidade tem seus 'Gaudís', mas poder olhar para o horizonte e não ver um corredor sépia rococó foi de certa forma um alívio. Vai entender. Além disso consegui um hotel design amplo e iluminado pelo mesmo preço do trem fantasma de Paris. Bora comemorar!

A primeira parada foi no Tapaç24 (ou Tapas 24, não vamos complicar) do chef Carles Abellan, pelo que me falaram, uma versão pop do seu Comerç24 (gente, que fixação por esse número). O salão, no subterrâneo de um prédio, acontece ao redor do balcão. Você pode se sentar nas poucas mesas e ficar olhando os pés dos transeuntes na calçada ou no balcão, à esquerda, e ficar apreciando o trabalho dos cozinheiros. Você decide.

O bar tem uma cozinha de produtos. Por isso, além do cardápio no envelope dos talheres, há sugestões do dia com o que há de mais fresco e de qualidade. Havia um prato de Gambitas a la planya por € 16, mas como queria apenas tapear, pedi meia porção e fui prontamente atendido. E o melhor, pela metade do preço também. Caramões preparados na chapa apenas com sal, mas com um sabor que fez me lembrar dos camarões de antigamente, ainda criança. Exquisito!

Para garantir a revolução interior, pedi o McFoie Burger (€ 8), famosa criação do chef com hambúrguer de foie gras e maionese de trufas! O pão macio é prensado por minutos e chega na mesa estalando de quente e crocante. Daí você lambuza tudo com a maiô, que tem mais foie também, e morre entre uma mordida e outra.

Tudo, claro, sempre escoltado por batatas bravas (€ 3,50) bem picantes. A fritura não é das mais crocantes, mas a batata é muito saborosa e os molhos, um aioli e outro de pimenta, são perfeitos.

Matei meu terceiro 'chope', Caña Moritz (€1,80) e fui pra rua pegar um táxi até o hotel. Começava a chover e eu só pensava numa coisa: na enorme cama do quarto - e sem aquele sininho.

Tapaç24
C/Diputació 269 - Eixample
Barcelona - Espanha
Aberto das 9h até a meia-noite

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Escrito por Marcelo Katsuki às 07h11

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Compras em Paris

Não comprei quase nada - além de chocolates, livros e temperos - mas fucei muito. Aprendi um truque ótimo para treinar o 'desprendimento consumista'. Entre na loja, pegue logo o que você quer e leve para passear. Deixe de volta na saída, vai ver como a vontade passa (e você vai perceber que nem precisava daquilo). Daí se não passar, compra logo!

BHV Bazar de l"Hôtel de Ville - 14 Rue du Temple (3e Arr.)

O setor de cozinhas tem de tudo, inclusive ingredientes, livros e uma sala de aula "Master Chef" com cursinhos rápidos (a partir de 15 min.) para você cozinhar e comer. Achei mil vezes melhor que o setor de cozinha da Galeries Lafayette, onde só curti a parte de temperos. E olhe lá.



E Dehillerin18 rue Coquillière (2e Arr.)

Vende coisas de cozinha doméstica e industrial, principalmente panelas (daquelas pesadonas), cutelaria e formas. Tem pouca porcelana. A loja é de 1820 e se você descer até o subsolo vai se sentir num filme de terror, passeando entre os corredores escuros, gelados e solitários, cheios de Le Creuset. Gostei médio, saí com a renite atacada.



Dailymonop - Tem na cidade toda

Se você gosta de provar comida de mercado, esse é o lugar. Tem saladas de grãos, massas orientais, smoothies. Com pratos feitos no dia, de todas as nacionalidades (até mesmo vietnamita) e ótimos preços. É pagar e comer nas mesinhas tomando um rosé baratinho de 2 euros, rs. Tem micro-ondas, para pratos quentes. E chocolates Fauchon na saída.


 

Maison de la Porcelana - 21 rue de Paradis (10e Arr.)

É a casa da porcelana, como diz o nome. Tem desde a manteigueira com tampa por 2 euros até sopeiras. Pratinhos para amuse bouche de todas as formas, de 1 a 2 euros, uma loucura. Talheres e um pouco de inox, como convém. Tem também cristais, mas é tanta porcelana que você pira.



Les Paris Gourmands - 15 Rue des Archives (3e Arr.)

No coração do Marais, tem produtos de quase todas as grandes lojas de gastronomia de luxo. Então, se bater aquela preguiça - ou se você tiver só um dia na cidade - lá tem desde as 'galettes' da Fauchon até os chocolates da Maxim's. Além de bijoux em forma de comida, logo na vitrine. Só não entre correndo, ou vai dar de cara com os fundos. Mignon.


 

DOM - 21 rue Ste. Croix de la Bretonnerie (3e Arr.)

Loja conceito, tudo em preto, branco e prateado. Produtos com cores, só nos fundos. Além da quinquilharia de aço e plástico, o forte são as luminárias que ficam no subsolo. Lustres criativos e de efeito por 54 euros, que parecem comprados na Flos, da Itália. Sem exagero.



Maison de Ville - 21 rue Ste. Croix de la Bretonnerie (3e Arr.)

Colada na DOM - e com o mesmo número, sabe-se lá como - é um entreposto de produtos orientais baratos mas bem mais interessantes do que os que vemos no Brasil. Tem bengalas - olha eu pensando na gota - lindas por 4 euros. Peças de cristal, cerâmicas baratas e até esculturas de metal. Mas isso, nem pensar em carregar na mala.


 

Passage du Desir - 23 Rue Sainte-Croix de la Bretonnerie (3e Arr.)

Outra loja colada na DOM, mas de sexo. Mas é sex-shop light; achei até um presente para a filha de dois anos de uma amiga. Tem bilhetinhos calietes, perfumes, chocolates afrodisíacos, patinhos e até um spray pra ficar com a voz fina? Adorei o "sino do sexo" mas nem pensar em comprar, imagina o barulho interminável que eu ia ficar fazendo com aquilo? Alguém acode?



Fleux - 39 e 51 23 Rue Sainte-Croix de la Bretonnerie (3e Arr.)

São duas lojas - uma em frente à outra - e com produtos completamente diferentes, tem que ir nas duas. Tudo de objetos para o lar mas criativos, tipo esse tapete de pedra aí da foto, super fofo. Mil cacarecos estilosos para a cozinha e para a sala, dá vontade de comprar tudo. Mas como trazer? Me contentei com os talheres feitos de tampa de caneta Bic e com as formas de gelo com molde de dentadura que já dei aqui no blog. Às vezes acho que não cresci...

Escrito por Marcelo Katsuki às 19h44

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Comendo muito bem com 35 euros

Salão simples e apertadinho. 30 lugares em cima, 20 no 'porão'.

Tá, não são 35 reais, mas considerando-se que o bistrô do chef Pierre Jay é um dos mais procurados atualmente dentre os modernos, é um preço amigo. Fui jantar, sem reserva, cheguei às 18h30, hora em que abre e inventei uma estória tão torta que nem eu me entendia. Em francês, kkk!

Bom, funcionou. Dentre as 8 opções de entradas e 8 de principais, há ainda as sugestões do dia. Enquanto checava o menu, pedi uma taça de Cerdon (7 euros), um rosé com uma pérlage delicada e muito gostoso, assim como os pães rústicos, que comi puro, bons que estavam.

Minha entrada: Aspargos verdes com salada, fatias de haddock defumado e um ovo mole do jeito que eu gosto. Porção nada 'nouvelle cuisine', graças a Deus, rs.

Quando chegou o principal, um belo Cordeiro na grelha com alho assado, molho e purê de batatas, minha vizinha de mesa não se conteve. Uau! Tadinha, ela optou pelo Fricassé de frango, que duvido estivesse ruim.

De doce, uma sugestão do dia: Bolo de morango com creme de pistache e sorbet da fruta. Massa e recheios compactados com pouco açúcar e muito sabor. A vizinha pediu igual, elogiando minhas escolhas. Não sou de sobremesas mas comi tudo e ainda raspei o prato, raios! E a dieta foi pro saco.

L'Ardoise
28 Rue du Mont-Thabor
The Louvre, Paris, France

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Escrito por Marcelo Katsuki às 18h02

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Um pouco de luxo não faz mal a ninguém

Salão do Le Relais Plaza

Hoje fui conhecer a Alline, minha futura melhor amiga de Paris. Era tanta recomendação da Beta e da Ale que marquei no Le Relais Plaza, no Plaza Athénée. O restaurante do Chef Philippe Marc, sob supervisão de Alain Ducasse, tem história. Aberto em 1936, foi o primeiro a servir a comida empratada. Vive cheio de executivos e gente da moda - como a Alline - afinal fica localizado na área do luxo. E para minha surpresa, é mais barato que o bistrô L'Amie Louis, onde passei ontem mas não tinha mesa.

Já instalados na lateral do restaurante, abrimos o serviço com um champanhe e um amuse bouche de bacalhau. E já algumas gargalhadas.

Alline escolheu de entrada os Aspargos brancos com vinagrete (€ 38), de impresionar de grandes. Desfiam na boca de delicados.

Pedi o Foie gras com aspic de vinho do Porto e brioches (€ 38). Porção também generosa com frutas, pimenta e deliciosos brioches tostados.

De principal, Alline foi de Pescado grelhado com azeite extra-virgem e abobrinha (€ 48). O peixe estava perfumado, úmido e acompanhava uma vinagrete com azeitonas bem gostosa.

Mas a surpresa era a Flor de abobrinha 'croustillant' com mini-abobrinhas tão doces e outra recheada com um purê que parecia um pesto encorpado.

Segui na linha mais forte e pedi um Filé de Angus Beef com aspargos e molho picante (€ 56). Aspargos tenros, carne no ponto mas o que falar do osso com tutano no prato? Raspei seu interior e ao tombá-lo, seu creme vigoroso escorreu pelo prato. Inham!

De sobremesa, Alline pediu o "Religieuse" com caramelo com sal (€ 16), massa 'choux' com recheio de caramelo e sal. Bem acompanhado por um Sauternes.

Pedi o "L'Oréade" (€ 16), criação do chef patissier Chrisophe Michalak, vencedor do Pastry World Cup de 2005. Olha, eram tantos ingredientes que quando o garçom terminou de descrever, me senti ouvindo uma narração de jogo de futebol, rs. Enfim, um creme com frutas vermelhas, chocolate e um tubo transparente recheado de coulis, tudo harmonizado com uma apresentação impecável.

Para acompanhar o café, bolinhos com lavanda e chocolates. Dá vontade de não ir embora.

Já que estávamos lá, pedimos para conhecer o hotel e fomos prontamente atendidos com um rápido tour pelos quartos.

Alline ficou encantanda, também olha essa vista do quarto!

A vista da sala também não é nada mal, rs.

Daí fomos conhecer o Instituto Dior, dentro do hotel. Para aquele momento de relax.

Passamos rapidamente pelo restaurante do Alain Ducasse e ficamos impressionados com os lustres!

Fechamos o passeio visitando o badalado Le Bar do hotel, onde acontecia uma reunião do staff.

Ainda com o espírito elevado pelos vinhos, decidimos esticar o papo num café. Terminamos a tarde na calçada do La Perle, aquele bar onde o Galliano deu o bafo e perdeu o emprego. Super pop, no meio do Marais. Como me disse a Ale, se o Bar do Netão fosse em Paris, seria o La Perle. Até a Lea T. desfilou pela calçada mas saiu cabisbaixa quando a Alline gritou: Leeeaaa! Coisas de Paris.

Le Relais Plaza
Hotel Plaza Athénée
25 Avenue Montaigne - 75008 Paris
01 53 67 66 65

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Escrito por Marcelo Katsuki às 22h52

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Emagrecendo em Paris

A arte de ver o tempo passar.

Essa viagem para Paris está bem engraçada. Primeiro, porque estou hospedado num hotel com um quarto insólito. Parece uma casinha de boneca tirado de algum pesadelo do Tim Burton. Molduras tortas de madeira pintadas de verde com rebites dourados na cama, no frigobar, no espelho, até no criado mudo. Colchas e cortinas com estampas vermelhas que ficam entre a flora tropical e o picadeiro de circo. Durmo com medo dos Oompa Lumpas saírem do banheiro cantando no meio da noite.

Depois porque vim para Paris pra emagrecer. É sério! Aquele festival de doces conventuais em Portugal me fez engordar três quilos. Três até chegar em Lisboa, depois nem sei, parei de me pesar. Volto a dizer: ficar sem ter o que fazer é um perigo e esses doces conventuais são a maior prova disso. Por que as freiras não iam pra hidroginástica em vez de ficar batendo ovos na cozinha? Resultado: cheguei em Paris enorme, com as roupas me apertando feito um boneco Michelin. Para agravar ainda mais a situação, lavei as roupas com secagem elétrica e elas encolheram. Tô feito.

Combustível.

Decidi passar o dia caminhando, o que aqui é ótimo: cidade plana, vitrines, sol ameno, friozinho, vitrines, vitrines. Opa. E quando bate aquela fominha, sento no primeiro café não muito cheio e tomo um Petit Chablis. Um mesmo, é a 'dieta da uva'. E volto pra caminhada, mais leve, quase não sinto os pés. Claro que isso é um sacrifício, já que mesmo na rua, você se depara a todo momento com comidas tentadoras. Desde os tradicionais crepes, alguns com quilos de Nutella, até as baguettes com presunto cru e muito queijo. Queijo francês, diga-se.

Ai, meu Deus!

Hoje acordei mais disposto e fui à pé do Marais até a Bastilha e depois até Notre Dame. Tenho um hábito, que é sempre motivo de chacota entre alguns amigos, de entrar em igrejas que não conheço e dar uma rezadinha para organizar o espírito. Mas lá, meus Deus, será que você está lá? Filas enormes, empurra-empurra, flashes, gente gritando. Duvido que Deus esteja lá, deve ter se mandado faz tempo, é muita bagunça.

Saí meio atordoado e fui até os Jardins de Luxemburgo, sentei por 10 minutos e segui até a torre Eiffel. Confesso que ela não me agrada muito, aquele monte de ferro retorcido parecendo renda, dá um medo de cair tudo em cima da gente. Fico tenso, como quando tenho que sentar em mesas sob aquelas tvs de 29 polegas presas na parede de restaurantes populares. Tenho certeza de que ela vai cair sobre a minha cabeça, nem como direito.

Voltei pela margem do rio - aliás, por que fui para lá? - e passei no museu d'Orsay e depois no Louvre, mas para fuçar a loja da Apple. Graças a Deus não preciso pegar aquela fila: já fiz o tour completo pelo museu no auge dos 20 anos, tô dispensado. Daí voltei pra Republique. Tudo à pé! Sem falar que entrei no Bon Marché e fiz a varredura. Vou te contar, a parte de iluminação empolga bem mais que a de culinária. Saí sem nem um palito de dente, e tinha uns coloridos lá, mas carésimos.

Estou adiando a visita a alguns bistrôs que me indicaram. Na verdade, estou com preguiça, estou de férias, férias! O único compromisso que assumi foi um almoço no Plaza Athenée, só esse. Aliás, fiquei tristíssimo quando vi que havia esquecido de trazer sapato, já que fiz a mala uma hora antes do táxi me pegar e trouxe apenas bota e tênis - e os sapatos que vi por aqui estão pela hora da morte. Mas hoje, cortando o caminho por uma galeria em Saint Michel, deparei-me com uma sapato lindo por inacreditáveis 15 euros!  A loja se chama Enzo e tem coisas medonhas, mas é só ter fé que você acha o seu. Deus existe.

Comida de rua. Francesa!

Na volta, já meio escuro, passei no mercado da esquina, comprei blinis, salmão defumado, um queijo maravilhoso, cuscuz marroquino, mais um Chablis e gastei pouco mais de 15 euros. Adeus dieta amada, vou comer, beber, desmaiar e sonhar que estou magro.

Escrito por Marcelo Katsuki às 22h20

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Chão de Pedra - Lisboa

Hoje eu e a @martabarbosa acabamos testemunhando involuntariamente a inauguração de um restaurante aqui em Lisboa. Descíamos famintos a São Filipe Neri, já quase no Largo do Rato, quando vimos dois restaurantes lado a lado. Um era um italiano lindo, à meia-luz. O outro, era o Chão de Pedra. Gostamos e entramos.

O dono, Fernando Portugal, logo se aproximou e simpaticamente avisou que o serviço poderia demorar uns 15 minutos, pois era o primeiro dia e havia uma mesa enorme com mais de 15 pessoas. Assentimos, pedimos duas taças de vinho (de 2 euros) e começamos a festa.

O couvert tem pães feitos na casa de casca crocante e miolo macio, comi várias fatias. Pudera, a pasta que acompanhava era de legumes com cogumelos, boa manteiga, azeitonas temperadas e uma saladinha temperada com hortelã.

Nem vimos o tempo passar e chegou a entrada: Atum fresco com laranja e flor de sal (€ 5). Atum selado com folhas tenras, lâminas de amêndoa torradas, fatias de laranja. Combinação tão boa. E vou te falar, essa laranja da terrinha é imbatível: sempre doce, a casa super perfumada, uma beleza.

Logo chegaram os pratos, e pedimos mais duas taças de vinho, agora tinto, por 2 euros cada. Os vinhos eram bons, me arrependo de não ter anotado. Meu prato era um suculento Naco de vitela (€ 9,80) com farinheira por cima, batatinhas assadas e purê de maçã. O toque da farinheira foi matador e o purê de maçã coroou o prato.

A patroa pediu um Rosbife frio com manga, abacaxi, rúcula e tomate (€ 8,50) e també estava sensacional. Há tempos não comia um rosbife tão bem preparado, macio e com um sabor amanteigado delicioso.

Impressionados  com o sabor dos pratos, pedimos para falar com o chef. Foi quando veio o jovem Hugo Pinto, no alto dos seus 24 anos contar sua história. Começou aos 13 anos, trabalhando para o próprio Fernando Portugal, passou por outras cozinhas incluindo hotéis, partiu para o catering - ainda faz - para festas e acabou voltando para abrir o Chão de Pedra. A cozinha que ele pratica é tradicional portuguesa, mas claro que há toques contemporâneos bem empregados.

De sobremesa, Mousse de queijo fresco com doce de ovos (€ 3,50). A mousse veio um pouco congelada, então deixamos para o final, enquanto dividíamos a segunda sobremesa, essa perfeita.

Mil folhas com morangos e chantilly. Aqui, o creme aparecia apenas em nuances no prato e o chantilly docinho na medida. Tomei um café, Marta um chá e subimos a ladeira felizes desviando dos carros parados sobre a calçada. Última noite em Lisboa. Amanhã, Paris.

Chão de Pedra - Comidas & Bebidas
Rua São Filipe, 18
Tel. 21 388 51 57
Lisboa - Portugal

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Escrito por Marcelo Katsuki às 23h38

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Pastéis de Belém

Caminhei alguns quilômetros hoje só para poder comer os famosos Pastéis de Belém sem culpa. Tinha me esquecido de como eles eram especiais. Como disse a patroa: "Pastel de Belém é só esse aqui; o resto é pastel de nata". Massa folhada crocante, creme morninho, você mesmo cobre com açúcar e canela. Morri e fui pro céu gordo!

Fila pega quem quer. A gente foi direto pro salão.

Dá para acompanhar a produção pelas janelas de vidro.

Antes dos doces, um surpreendente pastel de massa tenra com carne (€ 1,10) e uma empada de pato (€ 1,20).

Para então cair em tentação. Cada pastel custa (€ 0,90) dá pra comer uns seis, rs.

Vista de um dos salões, há várias salinhas, até me perdi.

Só pra finalizar: sente a cremosidade. Alguém faz igual no Brasil, 'faiz favore'?

Pastéis de Belém
Rua de Belém, 84
Lisboa - Portugal

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Escrito por Marcelo Katsuki às 22h39

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A Tasca do Manel em Lisboa

O sol e o calor chegaram antes da primavera nesse domingo em Lisboa e passamos a tarde perambulando pelas ruas antigas da Mouraria-Alfama. Assistimos a uma procissão com crianças vestidas de anjinhos, apreciamos vistas do alto da cidade e terminamos a manhã almoçando na Tasca do Manel, onde "o bacalhau é sempre muito bom" indicava nosso amigo Klaus.

Chegamos com a casa encerrando o almoço, mas o garçom Fernando simpaticamente dispôs-se a nos atender. E sua mãe, na cozinha, preparou os pratos com todo aquele carinho de mãe portuguesa. Não poderia ter sido melhor.

Enquanto aguardávamos, petiscamos um saboroso queijo de leite misto e finas fatias de presunto (€ 6,50) com taças de uma fortificada e perfumada sangria (€ 12,50 / € 6). Além do vinho, da frutas e da soda, levava uísque, martini e licor.

Quando meu Bacalhau à Lagareiro (€ 10,50) chegou - uau! - que maravilha! Assado com a pele queimadinha e acompanhado de macias batatas ao murro, tostadinhas, mergulhadas em azeite. Alho frito e folhas de coentro, aroma arrebatador!

Ainda nos deliciamos com um Adega de Borga (€ 6), branco alentejano feito com as uvas Roupeiro, Tamarez e Antão Vaz, que nos deixou ainda mais feliz com seu frescor envolvente e preço amigo.

Como engordei demais com os doces conventuais na Beira, resolvi evitar a sobremesa, prontamente substituída por duas tacinhas de Ginja (€ 2), licor popular que me arrebatou, rs. Mas vi um belo pudim de leite, talvez obra do Pereira, cozinheiro brasileiro que também trabalha no Manel.

Dona Fernanda e o filho Fernando. Simpatia familiar que faz toda a diferença.

Saímos já pensando em voltar. Encaro até outra subida ao Miradouro da Graça, só para na volta matar as saudades da comida do Manel. Virei fã.

Tasca do Manel
Rua de São Tomé, 20
Mouraria - Lisboa/Portugal

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Escrito por Marcelo Katsuki às 09h27

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Beira Interior, Portugal - parte 2

Dia do vinho!

Tranquilidade

É aqui mesmo

Pica-pau de porco ou Prego no chão?

Almoçamos no Dragão

Adorei a Ginjinha!

Não adorei a Lampreia com sangue

Leite creme com café

Davide Ambrósio, 2. O mais jovem produtor de queijo da Serra da Estrela

Produção em família: José, Patrícia e Davide

Queijos na estufa

Já pode encher a bolsa?

Lanchinho na casa da família Ambrósio: farinheira, presunto, vinho, pão, e claro, queijos

Dando adeus a Beira Interior do alto da Serra da Estrela. Próximo destino: Lisboa.

Escrito por Marcelo Katsuki às 14h03

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Beira Interior, Portugal

Entrada do 1º Encontro e Prova Internacional do Vinho, em Celorico da Beira

Local do evento: expositores e palestras

Embutidos! Nem só de queijo vive a Serra da Estrela

Por falar no queijo da serra, sente essa cremosidade. Olha o cardo, planta usada na produção do queijo.

Razão do meu sobrepeso: sardinhas doces de Trancoso. Comi meia dúzia.

Esses doces conventuais são a maior prova de que ficar sem ter o que fazer é um perigo. Massa crocante recheada com creme de ovos e amêndoas com cobertura de chocolate e açúcar cristal de um lado. Mata a freira, gente!

Uma constante antes das refeições: queijo, presunto, embutidos e orelha de porco

Achei a orelha de porco gostosinha

Bacalhau com purê, do almoço do evento. O povo capricha.

Bruno, Robert, Marta, Alexandre e Luciana

Adoro esse aspecto literal dos nomes por aqui

Eu quero uma casa na serra...

Jantar: Girão, Robert, Marta e Janaína

Jancis Robinson não sai das redes sociais, rs.

Sala de imprensa

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h21

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12 pontos sobre as redes sociais

Plateia do 1º Encontro e Prova Internacional de Vinho, em Celorico da Beira, Portugal.

Pelo guru do vinho, Jamie Goode, autor do portal Wineanorak.com e colunista do "Sunday Express". Jamie fez uma ótima explanação sobre o mercado do vinho, sua produção e os consumidores. E a nova relação entre especialistas e consumidores. Depois vou postar, mas por enquanto fiquem com suas 12 observações sobre redes sociais e os vinhos.

1. As redes sociais não vão salvar o mundo. Rede social não é magia.

2. As redes sociais são apenas um conjunto de ferramentas como Twitter e Facebook. Não mistifique.

3. Sua utilização requer pessoas com tempo e talento.

4. É necessário ter uma "cara", uma pessoa que represente, e não uma organização.

5. Precisa ter uma abordagem com senso comum, interação e muita paciência para construir uma rede sólida.

6. Inicialmente, resista à quantificação. Números serão importantes mas não podem ser desmotivadores no início.

7. O profissional e o pessoal andam juntos numa relação delicada. É preciso expor o pessoal, criar vínculos, embora seja perigoso.

8. Deve-se motivar as relações em todos os níveis. Não apenas com seguidores, mas também com o mercado e com a imprensa.

9. Não criar redes com intenção explícita de vendas.

10. Não ser profundo, não planejar muito o discurso, representar apenas o momento, como em uma conversa rotineira.

11. Considerar sempre como um investimento para o futuro, independente da situação atual.

12. Não requer alto investimento. Evite contratar consultores caros, o uso das redes é simples e deve ser acessível.

"Vender vinhos é vender histórias." (Jamie Goode)

Escrito por Marcelo Katsuki às 15h19

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Os vinhos da Beira Interior

Jancis Robinson, a crítica de vinhos e o enólogo João Corrêa

Estou participando do 1º Encontro e Prova Internacional de Vinhos, aqui em Celorico da Beira, Portugal, a convite da organização do evento. Acabei de assistir a uma palestra da crítica de vinhos inglesa Jancis Robinson (também colunista de Prazeres da Mesa) e do enólogo português João Correia. O evento foi organizado pela jornalista Maria João de Almeida, criadora da Vinho.TV e diretora do site Maria João de Almeida.

O mote todo do evento é discutir estratégias para a divulgação do vinho português no mundo. Como o turismo e a gastronomia podem colaborar para isso e quais as ferramentas que os produtores podem utilizar para colocar seu produto no mercado internacional. A região da Beira Interior foi escolhida por ser uma área 'neutra' dentro do cenário nacional.

João Corrêa apresentou um painel realista sobre o perfil da produção na Beira Interior. Seu solo ácido com característica marcadamente agreste e grandes amplitudes térmicas produz um vinho muito peculiar. Falou das principais uvas, no caso a casta Síria, a Fonte Cal e a Touriga Nacional.E das característica do vinho, de taninos difíceis na juventude, mas de grande riqueza aromática e frescor no paladar.

Quase 22% da produção local é exportada para o Reino Unido, França e Alemanha. Fora do mercado europeu, distribui-se pelos Estados Unidos, Angola e Brasil. A região produz também bons espumantes; já a tentativa de produção de vinhos 'late harvest' não foi bem sucedida pela presença de vespas na região.

Para Jancis Robinson, o grande desafio dos produtores portugueses é a conquista da notoriedade no mercado internacional. Ela afirma que o país passa por uma excelente fase na produção de vinhos e diz-se impressionada com a região; mas considera o destino exótico, com exceção do Algarve.

Reconhece que o panorama gastronômico foi revitalizado e sugere que seja realizado um trabalho conjunto de enoturismo gastronômico. Chega a citar o efeito do El bulli para a Espanha e mais recentemente do Noma, para a Dinamarca. Para Jancis, a comida 'da moda' é aquela que tem uma história para contar, coisa que não falta aqui em Portugal.

Considera o vinho português uma "jóia secreta", que conquista facilmente as pessoas com seu perfil não complicado e a riqueza de uvas autóctones do país. E terminou a palestra com uma frase contundente: "O único problema é que as pessoas não sabem onde vocês estão".

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h00

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Quinta dos Termos

Cheguei em Portugal na quarta e vim direto para Celorico da Beira, na região da Beira Interior. Vim participar de um congresso sobre os vinhos portugueses, em especial os dessa região, bem peculiares, e nada melhor do que começar a visita conhecendo uma quinta. Assim, deixei as malas no hotel e parti com um grupo de jornalistas para a Quinta dos Termos, em Belmonte.

João Carvalho (foto acima) contou-nos que a quinta foi fundada em 1945 mas passou por um processo de modernização em 1996 e que perdura até hoje. Atualmente produz cerca de 500 milhões de litros/ano e pretende chegar em 2015 com uma produção de até 750 milhões de litros/ano.

As uvas cultivadas são inúmeras, dentre elas a Trincadeira, Tinto Cão, Touriga Nacional, Síria e Fonte Cal, essas três últimas típicas dessa região.

Depois de passar pela fermentação e estágio em tonéis de carvalho francês, os vinhos ainda repousam já engarrafados por no mínimo 6 meses.

Os três primeiros vinhos degustados foram um Fonte Cal 2009 Reserva (€ 5,50). Branco bastante frutado com leve toque floral. O segundo, um Rosé D.O.C. 2009 (€ 2,50) feito da casta Baga e com um rótulo curiosíssimo. João, o proprietário, foi quem desenhou o rótulo e ainda perguntou: "Quem não gostaria de ter um olho e uma boca assim na mesa?". Hmmm, eu acho que eu não, rs. E o terceiro, um tinto D.O.C. 2009 (€ 3,76) elaborada com Touriga Nacional, Rufete, Trincadeira e Jaen, onde sobressai o sabor de fruta vermelha com notas de baunilha. Este, aliás, é o carro-chefe da quinta, tomando aproximadamente 80% da produção.

Dois vinhos muitos bons e curiosos (e lá vem a criatividade do seu João!). O primeiro, O Pecado de Virgílio Loureiro 2007  (€ 20), repara na maçã! E o segundo, A Escolha de Virgílio Loureiro 2006  (€ 20) feito com a uva Tinto Cão (sentiu o cachorro?)

Ambos tintos, com boa estrutura, bem tânicos mas distintos. Gostei do "Pecado", mas quem não gosta?

Fim de tarde, um friiio e voltamos para o hotel. Hora de descansar (necessário!)

Quinta dos Termos Lda
Carvalhal Formoso - 6250-161 Belmonte
Tel. 275 471 070 - Portugal
E-mail quintadostermos@mail.telepac.pt

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h07

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Aprendiz de cozinheiro

As primeiras páginas do Aprendiz de Cozinheiro (Editora Zahar - 360 págs) do Bob Spitz não me animaram muito. Na introdução você descobre que o autor, que tinha acabado de escrever a biografia dos Beatles, encontra-se meio perdidão com o final de um relacionamento amoroso e em plena crise de meia idade. Daí sem ter o que fazer, resolve percorrer a França e a Itália para aprender a cozinhar - e claro, escrever o livro. Tá.

Mas se no começo há alguns clichês, depois o livro deslancha. E a personalidade meio ranzinza do autor começa a deixar a história engraçada, o texto fica mais fluido e as descrições dos cenários e dos pratos atingem níveis de detalhamento que fazem a gente quase participar da cena.

Descritas com detalhes, algumas receitas parecem complexas mas dando outra passada, percebemos que são até simples. E como o foco do Bob é aprender para depois arrasar em seus jantares para os amigos, a gente aproveita e pega carona.

Quer aprender algumas delas? Clique nos links abaixo. Ah, agora deixa eu terminar de ler o livro.
- Base para suflê doce
- Fricassê de Frango ao Curry
- Tabule com abobrinha, hortelã e ovos cozidos

E compre aqui!

Escrito por Marcelo Katsuki às 18h50

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Se beber, não tuíte

Se você bebe e depois fica apavorando nas redes sociais, saiba que seus problemas acabaram. Com o Social Media Sobriety Test você não vai mais conseguir postar no facebook da sua amiga que "a cabeça do bebê dela é grande" e nem tuitar que fulana "é maravilhosa e que você a ama" (já fiz isso).

Agora bebida e redes sociais combinam sim! Bora comemorar com um drinque?

Já, para não enviar e-mails 'borrachos', tem esse outro aqui. Bacaninha, ic!

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h32

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Experiências bem temperadas

Os Destemperados acabam de lançar um projeto de experiências gastronômicas exclusivas: Food Experiences! Serão três novas "Experiences" por semana disponíveis no site.

Além de poder adquirir o voucher e usufruir de momentos selecionados pelos experts, você poderá também presentear os amigos enviando um cartão ao sortudo.

Clique aqui para conhecer esse serviço!

Escrito por Marcelo Katsuki às 00h12

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Morram, covardes!

A deliciosa língua de boi na brasa do Bueno. Morram, covardes!

Esse post é dedicado ao meu inspirado amigo @jrferraro, que após uma noite de samba, enchente e cerveja, decretou no facebook: "Morram, covardes!"
Não sabemos o que ele quis dizer com isso (e muito menos ele) mas resolvi adotar essa máxima para aqueles momentos diante de pratos pouco ortodoxos, onde muitos torcem o nariz, mas a gente manda goela abaixo, numa garfada guerreira.

Morram, covardes!
- Miolo à milanesa do Izakaya Issa. Comi e chorei de tão bom.
- Testículos de boi do Valadares. Ah, que saudade.
- Cuitlacoche, o fungo preto mexicano muito disputado na Casa dos Cariris
- Espetinho de pele de frango do Bueno. Vai gordinho!
- Farofa de formiga, andei comendo de montão! Tendência?
- Kimchichige, o caldo mega ardido feito com a conserva coreana de acelga
- Kuy pequinês, o 'ratinho' que é iguaria fina nos cardápios peruanos. Delícia.

Bora aumentar essa lista? Dê sua dica nos comentários!

Ou morra, covarde! rsrs.

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h37

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PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki é editor de arte de Mídias Digitais da Folha, colaborador da revista sãopaulo e colunista da "Prazeres da Mesa".

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