Marcelo Katsuki

Comes & Bebes

 

Acontece

A campanha S.O.S. Japão termina hoje com o Jantar no Palácio. Os chefs Jun Sakamoto, Shin Koike, Adriano Kanashiro e Tsuyoshi Murakami vão preparar um jantar para 350 pessoas no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Participam também os cozinheiros dos restaurantes Shintori, Gendai, Hiro, Jam, Jankenpo, Nagayama, Shintori e La Mar

O evento terá a apresentação de Sabrina Sato e participação especial de Camilo Carrara ao violão. Toda a renda será revertida para a Cruz Vermelha do Japão. (As reservas já estão esgotadas.)

O festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense acontece hoje e amanhã em Belém/PA, com dez chefe brasileiros - entre eles Alex Atala, William Chen Yen, Ana Luiza Trajano, Mônica Rangel e César Santos - e homenageia o chef  Paulo Martins (Restaurante Lá em Casa/Belém) falecido em setembro de 2010.

A programação do evento inclui o Jantar Popular - com a participação de chefs locais e dos chefs convidados - um passeio pelo mercado Ver-o-Peso e pela Baía do Guajará e uma mesa redonda no Hotel Hilton onde deve ser discutido desde o uso dos ingredientes regionais com incentivo à melhoria da qualidade dos produtos até a possível perda da identidade regional.

O restaurante peruano La Mar (Rua Tabapuã, 1.410, Tel. 0/xx/11/3073-1213) comemora seus dois anos na cidade com um Menu Trujillano (R$ 120) feito pelo chef Fábio Barbosa juntamente com o chef Alex Dioses, da filial de Santiago.

O menu foi inspirado em Trujillo, cidade do norte do Peru e possui duas entradas (Cebiche Trujillano e Ravióli de camarões), um prato principal (Seco Amarillo de Pescado) e sobremesa (Arroz com luche à La Trujillana), e será harmonizado com vinho. O menu será oferecido de hoje ao dia 28 de abril no jantar, e a partir de amanhã também no almoço.

Escrito por Marcelo Katsuki às 10h46

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Aceita um cafezinho?

Eu quase disse não. Quando recebi o convite para conhecer o novo Coffee Lab da Isabela Raposeiras, hesitei como sempre faço diante de coisas desconhecidas, mas claro que tinha de ir lá xeretar. Isabela é a nossa Inés Berton do café, rs - o que aumentava a angústia da minha ignorância - e seria uma oportunidade de aprender um pouco sobre café, assunto que pouco conheço.

Cheguei ligeiramente atrasado e dei de cara com ela no salão: longos cabelos escuros, alva, olhos expressivos sob o enorme óculos; vestia um macacão colheita-style. Curti.

E fomos logo começando um tour pelo 'laboratório'. De cara adorei o conceito de integração dos espaços, das instalações aparentes, da interação oferecida. Afinal, se é uma cafeteria mas com espaço para pesquisa, torrefação, preparo e aprendizado, nada mais apropriado. E o uniforme dos funcionários? Macacões cinzas (tô quase pedindo para minha mãe fazer um igual!), o da Isabela era índigo escuro. Da luz vou falar daqui a pouco, adorei.

Você quase não vê papel na cafeteria. Isabela é focada em responsabilidade eco-social, por isso botou azulejo para escrever tudo nas paredes. Cápsulas de café então, nem pensar! Papel, só o mínimo necessário: nos menus e guardanapos.

Logo na entrada uma torneira com água potável sai do filtro aparente.

Nas prateleiras, os grãos de cafés com blends especiais criados por ela. E vários tipos de cafeteiras para venda. Os grãos são moídos na hora para quem não tem moedor em casa. E devem ser conservados sob refrigeração para evitar sua oxidação. Ou seja, aquela dica de guardar o pó na geladeira é verdadeira. O tipo de moagem também é feito de acordo com a cafeteira usada.

A iluminação é bem planejada. A cozinha, com janelas amplas, quase prescinde de lâmpadas, mas luminárias feitas com canequinhas de ágata com lâmpadas amarelas são espalhadas em pontos estratégicos. Olha acima, que legal!

Os cafés podem ser acompanhados por itens como pães, croissants e bolos. Tem até brigadeiro de café. Isabela não recomenda tomar café com chocolate, que acaba com o corpo da bebida.

 

As máquinas de moagem no iluminado balcão.

A gostosa área lateral. Há também um deck na parte frontal da casa.

As lampadinhas de novo. Acho que tô obcecado, rs!

Meu primeiro cafezinho foi acompanhado de Biscoitos de polvilho com cream cheese e sal do Himalaia (R$ 5). Lá vem vício novo. Isabela diz combinar melhor do que com pão de queijo. E o sal ajuda a levantar a doçura do café. Seja lá como for, vou adotar esse salgadinho até sem café mesmo. Booom!

Na carta há seis rituais para você aprender sobre as diferenças e a interação dos cafés com outros ingredientes. Pedi o Ritual 1 (R$ 6), que apresenta o mesmo café em xícaras de tamanhos diferentes.

A xícara menor intensifica o amargor da bebida, já a maior realça o aroma, valoriza a acidez e deixa o café aveludado. Fiquei até interessado em fazer um dos cursos que são ministrados no 'lab' e quem sabe aprender um pouco mais. Tem um curso básico, se não me engano "Café Caseiro" - que ensina desde a escolha do café no mercado até o preparo nas diferentes máquinas. Coisa rápida, num fim de semana.

Deixei os rituais de lado - tem até um que combina café com Grana Padano! - e pedi um café no Aeropress (R$ 6), coado sob pressão num aparelho semelhante a uma seringa gigante. Isabela diz que é a melhor forma de se obter um bom café, com menor margem de erro. Como não há formação de vapor na compressão, não há amargor. E sem a alta pressão do espresso, também não há creme. O dispositivo usa um filtro descartável e o café não precisa nem de um minuto para liberar todo o seu sabor.

Deu fome? Vá de Sanduba de fraldinha cozida no café (R$ 12). Um 'buraco quente' suculento e surpreendente. O café entra mais para dar acidez no marinado, onde sobressaem mais os temperos como o alecrim.

O brigadeiro de colher é um verdadeiro brigadeiro de café, sem chocolate! Intenso, não muito doce, perfeito para encerrar um bate-papo.

Isso se você resistir a essa sobremesa acima: Sagu aromatizado com café com um bolinho mergulhado no creme. Uma viagem, sem volta.

E a iluminação de camarim do banheiro, 'menines'?

Do lado de fora, apenas uma casinha. Mas com tantas coisas boas lá dentro! Corri pro jornal e no meio do caos do trânsito da Vila fiquei pensando que é por essas coisas que a gente gosta tanto de São Paulo. Não tem trânsito, chuva nem violência que vença.

Coffee Lab
Rua Fradique Coutinho, 1340 - Vila Madalena
Tel. 0/xx/11/3375-7400

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Escrito por Marcelo Katsuki às 11h19

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É muito chocolate

Passei a noite de ontem abrindo caixas de chocolate sentado no chão da sala. Chocolate é vilão da ansiedade? Sei lá, pra mim foi solução. A primeira vítima foi essa galinha preta da Ópera Ganache, que já rendeu muitas risadas no Facebook e no Twitter. Foi presente de ex. Galinha preta, rs! Tirei os olhos e mordi a cabeça. Surpresa: tem ovinhos dentro! Criação do chef Rafael Barros inspirado no artesanato brasileiro. Cocóricó!

Abri outra caixinha, essa, com um laço Chanel. Era do Antiquarius e trazia uma panelinha com brigadeiro e uma bisnaga de doce de leite, que serão distribuídos aos clientes de amanhã a domingo. Criação da culinarista Maria Rita. Posso até viver sem sorvete, bala e doce de leite, mas brigadeiro, não! E o prazer de comer direto na panela, rs?

E de uma sacola simples, de papel kraft, saiu o único ovo de Páscoa que de fato vou comer nesse feriado. O ovo crocante, recheado de bombons e trufas do Le Vin, onde costumo comprar minha geléia de framboesa favorita, na volta do Santa Luzia. Lembra o finado Kri, meu chocolate favorito na infância. E lembrei agora que ainda tem uma mala cheia de chocolates que trouxe da viagem, de Kit-Kats a Godivas. Alguém acode o gordo, rs?

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h32

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O DJ que virou vinho

Quem acha que vinho é programa ameno, precisa conhecer o Divine - Wine Music Bar. Na sexta passada tava eu seco por uns 'bons drink' quando me liga um amigo falando do bar. Embora eu ansiasse por algo mais agitado, fui. Pois não é que o Divine é um wine bar movido a house e disco music? Morri de amores na hora.

Pequenino - um porão, na verdade - tem decoração rústica com um paredão de pedras e muita madeira. Poucas mesas, 3 sofás, equipe atenciosa e uma Enomatic pra gente brincar.

Comprei logo um cartão de 30 reais e fui brincar na máquina, que serve doses de 25, 75 ou 150 mililitros com preços a partir de R$ 3. As taças ficam ao lado, é self-service. Torrei o saldo rapidinho e fui recarregar no caixa. O saldo não usado fica computado em seu nome, não precisa 'beber' tudo, mas quem aguenta, rs?

Se preferir, há opções em taças e 60 rótulos de pequenas importadoras, que saem mais em conta. Na dúvida, fale com o gerente Alessandro, animado! Acomode-se numa das mesinhas e gire a taça ao som da house. O segredo da ótima seleção musical é que o Ricardo Melo, um dos sócios, é o DJ Mondino (da Memorabilia Records, remember?).

As opções de comes são elaboradas. Como eu queria apenas me aproximar dos deuses através da bebida (como fazem os monges), pedi uma porção de brusquetas: brandade de bacalhau (deliciosa), aspargos com queijo feta (marromenos) e pesto (divine! Ops).

A Enomatic fica piscando ao lado do balcão! É o strobo do vinho! E sorry pelas fotos medonhas. Esse iPhone 4 só tem me dado desgosto...

Para quem pede garrafa de tinto, é disponibilizado um aerador que oxigena o vinho rapidamente. Há vários modelos, fiquei brincando no balcão passando água, para desespero do atendente, rs.

O salão é pequeno mas acolhedor, tem um pé direto altíssimo. Os vinhos ficam separados no mezanino climatizado.

Detalhe dos lustres.

Já elegi o Divine meu cantinho no mundo. Vinho e balada, precisa mais? Vai abrir no feriado, aliás amanhã passarei lá para bater meu cartão na Enomatic. Depois do plantão, gente; tão pensando que minha vida é moleza?

Divine - Wine Music Bar
Al. Jaú, 1844 (Entre a Bela Cintra e a Consolação)
Tel. 0/xx/11/3063-3961

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Escrito por Marcelo Katsuki às 10h44

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D.O.M. é o 7º melhor restaurante do mundo

Alex Atala recebendo o prêmio no 50 Best Restaurants.

Saiu a lista dos melhores restaurantes do mundo feita pela revista britânica Restaurant. O restaurante dinamarques Noma manteve-se na primeira posição.

O restaurante D.O.M. do chef Alex Atala subiu da 18ª posição no ano passado para a 7ª. Aêêê!!!

Os 10 primeiros colocados
1. Noma – Dinamarca

2. El Celler de Can Roca – Espanha
3. Mugaritz – Espanha
4. Osteria Francescana – Itália
5. The Fat Duck – Reino Unido
6. Alinea – EUA
7. D.O.M. – Brasil
8. Arzak – Espanha
9. Le Chateaubriand – França
10. Per Se – EUA

Escrito por Marcelo Katsuki às 14h47

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Sabadão musical

Eita dia lindo! Bora tomar uns 'bons drink' - e rir um pouco, por que não?

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h01

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Tailândia em 17 pratos

Lounge do Obá, que recebe a cozinheira tailandesa Yui Sriyabhaya até o dia 24 de abril.

Nessa semana participei de uma 'maratona' diferente: a reunião de degustação dos funcionários do Obá com os pratos que comemoram o Songkran e os 6 anos do restaurante. Apesar de ser minha última noite de férias, não pude resistir: sou louco por comida tailandesa, imagine sendo feita por uma chef-professora com ingredientes que ela trouxe na bagagem? Sem falar que adoro esse clima de 'backstage', rs.

Hugo Delgado, chef e um dos sócios da casa, reúne a equipe para explicar e degustar todos os pratos do festival. Apresenta cada petisco, fala dos ingredientes, das nuances dos sabores, dos níveis de ardência, afina temperos, ajusta as porções; enfim, dá uma aula.

Yui Sriyabhaya é uma professora que busca seus alunos nos hotéis em uma kombi e os leva para aulas em sua garagem. Foi assim que Hugo a conheceu. Já teve restaurante mas diz que se cansou do universo de egos inflados dos chefs.  Hoje prefere dar aulas para poder dedicar-se mais à família em Chiang Mai, norte da Tailândia, onde nasceu e cresceu.

Mas vamos ao que interessa. Começamos logo com uma amostra do Pla gong gap bpla muek (R$ 34): uma refrescante salada de camarão, lula, palmito fresco, capim limão, uma gelatina de pimenta e coentro. Refrescante e picante, o povo vibrou.

Logo chegou o segundo prato, Bpla daed dieo (R$ 53), um peixe frito sequinho por fora e bem úmido por dentro, quase sem tempero. O segredo está na aromática salada de mamão verde e frango, levemente picante. Tomei o caldinho puro.

Um dos petiscos sugeridos para acompanhar drinques é o Ma haw (R$ 16 - 4 unidades), um canapé de frango, camarão e amendoim com temperos montado sobre fatias de laranja e abacaxi, que tem a melhor combinação.

E não é que a linguagem da gastronomia é universal? Yui comandou a cozinha durante todo o jantar sem falar uma palavra em português com os cozinheiros. O corpo fala, rs!

Eis que chega o Gaeng hunglay (R$ 44), o primeiro curry da noite, preparado com costela de porco, gengibre e especiarias. Não é picante e a carne é bem macia, suculenta.

Hora dos nossos conhecidos Gai satay (R$ 21), espetinhos de frango marinados em coco com curry e grelhados. Macios, suculentos, servidos com saborosa pasta de amendoim e relish.

O povo lê sobre o prato, experimenta, faz anotações e sugere desde como oferecer o prato ao cliente até como servir e harmonizar com bebidas. No caso, muita água para apagar o fogo das pimentas, rs!

Yui segue firme na cozinha. E dá-lhe linguagem corporal!

Os bolinhos de coco e banana esperam na fila do fogão.

Hugo vai e volta da cozinha o tempo todo. Prova os pratos, afina os temperos e discute com Yui e com seu sous chef.

O prato em questão era o Man tung na tung (R$ 17), creme quente de coco com porco e camarão que será servido com beiju. Como estávamos 'em teste', experimentamos com totopos, que eu gosto mesmo puros. Todos se surpreenderam, pois pensavam ser um prato frio.

E a equipe segue degustando 'profissionalmente'. Até rã entra na jogada para desespero de alguns, rs.

Olha que beleza de prato! Era o Kao kluk ga pi (R$ 34), o arroz frito com pasta de camarão, porco, omelete pimenta, cebolas, mas tudo separado, como em um 'arrumadinho' que você mistura tudo e transforma num 'mexidão'! Mas pode também chamar de arroz frito desconstruído, rs.

Hugo degusta uma das sensações da noite: "morning glory", ou espinafre aquático.

O Yum pak bung krob (R$ 31) é um tempurá de massa bem fininha feito com o 'morning glory' e faz jus ao nome. Para completar, é servido com um relish de camarão e porco delicioso. Raspei o potinho também e catei a última migalha de tempurá.

Como é bom poder tomar um Tom khaa gai (R$ 25,50) autêntico! Feito com caldo de frango, leite de coco, galangal, capim limão, cogumelos, tomate e lima kaffir. Essa sopinha é o que eu chamo de 'uma viagem'. Sem sair do lugar.

E se você quiser ir ao jantar mas seu amado(a) não gosta de novidades, já peça para ele o Pad ga praow neua (R$ 43), um macio filé salteado na wok com um manjericão típica da tailândia (tem um toque de erva doce mas não é enjoativo), pimenta e cebola. Pimenta na medida, não arde e apesar de básico, tem um sabor maravilhoso.

E chegamos ao pratinho reconfortante da noite: Guay thiew nua nam tok (R$ 36), um macarrão de arroz em aromático caldo de carne com pequenas almôndegas bem firmes (como devem ser), fatias de carne, broto de feijão, verdurinhas e uma cobertura de torresminho moído. Socorro! Quase deu briga para vem quem matava o prato.

Mais um curry, agora verde: Gaeng kieo waan prik yuak yud sai (R$ 39). Pense num nome difícil, rs! Pimentas não muito ardidas recheadas com frango em molho beeem apimentado. Mas o arroz tá lá pra isso. E a água também.

Na cozinha, Yui já confere o sabor do Pad tai. Hmmm...

Se você curte pimenta, vai adorar o Pad ped talay (R$ 49,50), frutos do mar na wok com cebolas, pimentão e manjericão, mega ardido. O povo suspirou, eu suei sentado. Hugo reconsiderou: "Vamos fazer menos apimentado". Por mim vai assim mesmo; quem tá na chuva é pra se queimar, néam?

E chega o sempre bem-vindo Woon sen pad thai (R$ 29 / 41,50), versão do famoso macarrão tailandês mas com macarrão mais fino e translúcido. A perfeição. Vem com camarões e brotos, mas a massa pura só com o tempero já é uma beleza!

Mais uma entradinha: Miang som (R$ 19,50 / 4 unidades). Cestinha de alface recheada com peixe e camarão temperados com limão, gengibre, cebola, amendoim, coco e claro, pimenta. Há um sedutor fundo adocicado que me fez comer dois. Ou foram três?

E lá vem a rã, gente! Gang ga (R$ 51 / R$ 42 a versão vegetariana). Chamado de 'curry da selva', tem milho, palmito, jiló, vagem, berinjela e é bem picante! Roots? Nada! Muito saboroso, tem que provar.

Não, Yui não tá arrancando os cabelos feito louca na cozinha, gente! Vaidosa como toda mulher (ou pelo menos a maioria), clama por um toque blanche mais fashion. Ela merece, vai!

E a comida ainda não acabou! É a vez do Gaeng ped bpet yang, o curry vermelho de tofu para vegetarianos (R$ 44) ou pato confitado (R$ 59) com abacaxi, tomate cereja e lichias! Como um docinho vai bem nesse creme picante, né? Eu, que já tava soltando curry pelas ventas, dei umas boas colheradas no prato. Delícia!

Ufa, sobremesa! Começamos com o Kanom Gluay (R$ 14,50), bolinho de banana e coco cozindo no vapor em cestinha de folha de bananeira. Ô, delicinha. Era meu favorito até que provei o...

...Kanom sai sai (R$ 16). E sai mesmo que esse doce é meu! Um pudim de arroz recheado com amendoim e bolinho de coco, embrulhado na folha de bananeira e servido com creme de coco. Tem a textura do bolinho de estudante, mas consegue ser mais elástico. É divino. Só isso.

Yui adentra o salão e é recebida com o mesmo entusiasmo dado às salvadoras garrafas de água! Brincadeira. Aplausos animados e uma rápida conversa com essa simpática cozinheira do norte da Tailândia. Ela se disse impressionada com a comida do Obá, acima da média, pois na Tailândia há um grande problema com mão de obra e ingredientes.

Ainda pedi para ela me ensinar a pronúncia dos nomes dos pratos 'impronunciáveis', enquanto os clientes, que já esperavam sentados do lado de fora, começam a dominar o salão. Corre que é só até o dia 24 desse mês!

PS: O restaurante oferecerá também uma degustação de 12 pratos com bebidas à vontade (diga-se Mai Tais e vinhos) por R$ 165. Para comer, beber e se sentir flanando pelo rio Chao Phraya.

Obá Restaurante
Rua Melo Alves, 205 - Jardins
Tel.: 0/xx/11/3086-4774

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Escrito por Marcelo Katsuki às 10h45

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Morryssom, Barcelona

Pimientos de padrón, verdadeira roleta russa picante.

De volta à labuta, aproveito para postar meu último almoço em Barcelona. Foi no Morryssom (escrito assim mesmo), onde há um balcão de acepipes de fazer inveja para muito boteco, com lulas, pescados, aves e até pimentões. Esses eu achei curiosos e quis provar. São pequenas pimentas verdes simplesmente fritas e servidas com sal. Você come inteira, menos o cabinho, claro, e são deliciosas. A menos que você tope com uma mega ardida - tipo ovelha negra - daí é caixão e vela preta, rs!

Depois dessa entradinha pedimos o menu do dia por 9 euros com águas e vinho inclusos. "Aquele" vinho, gente, do paracetamol. O Morryssom causou uma grande repercussão quando no auge da crise econômica passou a oferecer o menu do dia por 1 euro. 1 euro!

Dei sorte: de entrada um fideuá, a 'paella' feita com macarrão. Eu adoro mas nunca tinha provado um nesse esquema 'prato do dia', sem tantos mariscos e acompanhado de aioli, que os espanhóis misturam à massa e dá um toque extra do alho. Aliás, eu colocaria aioli em tudo: do pastel ao arrumadinho, o mundo ficaria mais gostoso, mas sou trash, melhor deixar pra lá.

O principal era um Bife com cogumelos em um creme delicioso. "Cadê o arroz?" O Mario, que me levou até lá foi avisando: "Melhor nem pedir porque vai gerar uma discussão", hahaha! Sei que é mania de brasileiro comer tudo com arroz (de japonês também) mas que aquele caldinho pedia um arroz, ah, pedia!

De sobremesa: tortas de chocolate e de frutas. Boas, mas me arrependi de não ter pedido apenas morango. É época da fruta e os mercados cheiravam a morangos. E mexiricas. Comi e foi uma experiência lúdica, uma caixa inteira sentado num banco na calçada tomando aquele sol primaveril. Aliás, tem coisa melhor do que tomar sol sentindo frio? Eu curto.

As disputadas mesas na calçada. Chegamos cedo mas já estavam tomadas. É, pelo visto todo mundo curte um friozinho ao sol.

Morryssom
Carrer de Girona, 162
Tel. 93 458 40 17
Barcelona, Espanha

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Escrito por Marcelo Katsuki às 10h31

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Cal Pep, Barcelona

No dia seguinte consegui comer no Cal Pep, cheguei cedo, até escolhi onde sentar. Pois não é que me aparece um casal francês e a garota (de TPM?) senta do meu lado e começa a dar um piti atrás do outro? Reclamou até do calor que vinha do fogão do cozinheiro, kkk! Gente, tira essa mulher daqui! Não precisou, ela se mudou para a ponta do balcão, sob o risinho maroto dos atendentes.

Aliás, vou te contar: seis homens atrás de um balcão cozinhando, atendendo e limpando, tudo no meio de um conversê danado: perigo! Mais parecia um bando de comadres fofoqueiras, não deixavam escapar uma galhofa, rs! Fofoqueiras mas muito eficientes.

Cerveja com limão: o sonho da minha mãe virou realidade.

Pedi o cardápio e o atendente disparou a falar o que seriam os melhores do dia. Como já tinha 'decorado' o menu no dia anterior, pedi um Pa de coca (3,15) e uma cerveja. Os pães parecem ter duas 'costas', ou seja, fininhos, crocantes, passam por um forno elétrico para o tomate aderir ainda mais ao miolo quando esfregado e recebem um banho de azeite antes de chegarem ao balcão. Não vi o cozinheiro esfregar alho nem jogar sal, mas nem precisava mesmo.

Achei a cerveja com limão meio enjoativa e pedi uma Estrella. E o grande prato que me fizera ir até ali: Trifasic Fregit (12,50), uma fritura mista de lulas, peixinhos e camarões num empanado bem fino. Simples? Meu amigo, não tinha mais francesa que me incomodasse (ela continuava virando os olhos e bufando com o pobre do namorado) enquanto eu suspirava emocionado com o meu pratinho. Não pinguei nem uma gota de limão para não perder aquela crocância leve e o sabor hipnótico que aquelas pequenas frituras me despertaram.

Enebriado pela terceira cerveja e pelos últimos peixinhos que se despediam do meu prato, passei um bom tempo parado, observando o trabalho dos cozinheiros. Vi tanto Pa de coca sendo feito que acredito poder fazer de olhos fechados. Vi chefs de outros restaurantes chegando para comer mariscos estranhíssimos. Vi até a chata da francesa ir embora e me solidarizei com seu pobre namorado. Pedi a conta, peguei meu casaco e fui caminhar na praia, para digerir tudo aquilo.

Cal Pep
Plaça Olles, 8
08003 Barcelona, Espanha
Tel. 933 107 961

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Escrito por Marcelo Katsuki às 16h12

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Can Paixano, a Champanheria de Barcelona

Levei um belo não com o dedo pelo vidro da fachada do Cal Pep. Cheguei atrasado, eles fechando. Desci meio desolado pra região da praia, daí me lembrei da 'Champanheria', indicada por alguns amigos. Com tantas recomendações, Tinha que ser bom. E era. No mínimo divertido.

A localização é estranhíssima: uma portinha numa ruela escura cheia de lojinhas de eletrônicos. Seria como um mix de Mercadão com Estadão numa portinha de uma travessa da Santa Ifigênia. E cheia de gringos! Pelo visto é moda. Me acomodei rápido no balcão e pedi uma Cava Extra (1,05 €) e uma especialidade da casa: Serrano, Queso, Cebolla y Pimientos (3,00 €). Surpresa, era um sanduba! Arranquei a tampa e joguei no chão no meio de toneladas de guardanapos amassados e comi feito uma brusqueta. Gostoso! E não é que combinou com a cava - ou eu que entrei no clima?

Tinha um grupo de brasileiros atrás de mim de óculos escuros naquela caverna. Diziam-se habitués há anos! Mas tentaram sair pra calçada bebendo e foram repreendidos pelo atendente. Aqui você não pode beber na rua, só se estiver em copo de plástico, ou leva multa. Mas os habitués não sabiam, rs.

Enquanto eu ria maldosamente, chegou meu segundo pedido: uma porção de Xoriço (2,75 €), rodelas de linguiça bem fritinhas que comi com a mostarda e um molho de pimenta da casa. Booom! Qué dizê, naquela confusão, tudo ficava ótimo, tudo 'harmonizava'!

E lá se foram mais taças e taças de cavas de 1 euro. Saí de lá feliz da vida mas sabia que aquela alegria tinha um preço. Corri pra farmácia e comprei uma caixa de paracetamol por 70 cents e uma água. Tomei lá mesmo, já com a cabeça latejando, rs.

Can Paixano
C/ Reina Cristina, 7
08003 Barcelona

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Escrito por Marcelo Katsuki às 21h32

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Bar Mut, Barcelona

O artigo da 'Time Out' anunciava "Bar Mut: comida dos deuses, preços de Paris" mas como eu só tava fazendo minha caminhada mesmo, parei na frente para xeretar. Apoiei-me na porta procurando o cardápio (não tinha) e ela se abriu, me jogando pra dentro do salão - havia um desnível! O garçom veio me perguntar o que eu queria e eu: "Oras, uma cava, uai". O gerente assentiu e me botaram no fundo do salão, sentado num barril no acesso ao banheiro. Chique!

Vista do salão

Apoiado no armário que guardava uns vinhos de respeito, recebi a cava numa taça fina e um pratinho de azeitonas. O gerente veio me perguntar o que queria comer e eu: "Nada, tava só passando. Mas já que tô aqui, quero essas duas tapas do dia". Uma era uma porção de Croquetas (3,00 €) supresa, ninguém sabia do que era. Mordi e fiquei confuso: era bom demais mas o que tinha ali? Gosto de cogumelos (trufas?) mas uma textura de ovas de ouriço-do-mar e um vago perfume de mar, aliás. Nossa, era muito bom mesmo e o cozinheiro, posicionado quase na minha frente - eu tava entre o banheiro e a cozinha - entregou: "Cepes", ou seja, cogumelos.

Pedi outra copa de cava, que chegou junto da segunda tapa: um Montadito de foie gras (4,50 €). Um naco enorme de foie perfeitamente selado sobre uma fatia de pão com chutney, ciboulete e flor de sal. Já tava quase pedindo um prato de uma vez, mas tinha que terminar a caminhada e correr pro Cal Pep.

Lanchinho inesperado, mas assim que é bom! No fim, duas tapas e duas cavas muito bem servidas por 17 euros. Ah se Paris fosse assim...

Bar Mut
C/ Pau Claris, 192
08037 Barcelona
Tel. 932 174 338

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Escrito por Marcelo Katsuki às 20h30

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PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki é editor de arte de Mídias Digitais da Folha, colaborador da revista sãopaulo e colunista da "Prazeres da Mesa".

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