O Cravinho

Sempre passei na porta ali meio apreensivo, ansioso para chegar ao Pelourinho, e nunca dei muita atenção. A posição privilegiada (no Terreiro de Jesus) me fazia pensar, erroneamente, tratar-se de um ponto de turistas. Estava enganado. Fui levado ao Cravinho (Pça. XV de Novembro, 03) por um amigo com a promessa de conhecer uma bebida forte, que ele mesmo não aguentara tomar meia dose. A bebida era o "cravinho", infusão de cachaça com ervas e especiarias, misturada a outras bebidas, como vinhos e licores. E lá fui eu. Surpresa: o ambiente é meio "cenário" mesmo, com barris e garrafas por todos os lados, mas a freqüência era de... baianos! Um foi logo avisando que o lugar tinha ótima bebida e deliciosos petiscos. E o melhor: a bons preços. Não era preciso falar mais nada.


A bebida é preparada na hora, onde o barman realiza a "alquimia" misturando o líquido que sai de várias torneirinhas presas num barril. Dentre as quase 40 opções, optei inicialmente pela de capim santo, que imaginei, pode me embriagar, mas deve fazer bem para alguma coisa, hehe. Daí passei para a de gengibre, que dizem, limpa o sangue. Hmmmm. Depois pedi a "cravinho" mesmo, que fez a fama do lugar. Continuava inteiríssimo, para surpresa do meu amigo. Tive ainda forças para provar a "senzala", com cachaça, vinho, Catuaba, Jatobá, mel e limão, que dizem ser altamente afrodisíaca! E a saideira foi a de "laranjeira", forte como um licor envelhecido, puro sabor de casca de laranja. Havia infusões de nomes como Nafuampa e Nofurico, mas esses, nem pensar em pedir, né?

Pra não entregar os ponto ali mesmo, pedi um dos petiscos mais vendidos na casa, a maxixada. Que coisa saborosa! Meu pai teria calafrios se me visse comendo aquele maxixe (coisa que ele não aprecia mesmo!), mas a combinação com frutos do mar, ovos e leite de côco (erramos!) era perfeita. No balcão você ainda complementa com uma vinagrete cheia de coentro, farinha e pimenta, claro. No dia seguinte acordei ótimo, nem tive dor de cabeça, coisa que geralmente acontece quando tomo cachaça. E aquela lembrança do gostinho da maxixada me perseguiu por todo o dia. Preciso voltar lá antes de ir embora, mas preciso me conter para não cair na tentação dos "cravinhos" novamente. Se é que isso é possível...