"5 perguntas para Manoel Beato"
Manoel Beato, chef sommelier do restaurante Fasano há mais de 15 anos, lançou um guia de vinhos que deve virar referência para os apreciadores da bebida no país. O Guia de Vinho Larousse (Editora Larousse do Brasil, R$ 29,00) reúne informações (e notas dadas pelo autor) sobre mais de mil rótulos de todas as nacionalidades disponíveis no mercado brasileiro e o melhor: com preços para todos os bolsos (a partir de R$ 12,00), para auxiliar na escolha de vinhos adequados para o dia a dia.
O livro traz informações sobre a produção, as principais uvas, como deve ser o serviço de vinho (como abrir a garrafa de forma correta) e aborda a harmonização do vinho com pratos como o vatapá, churrasco e até pastel! Muito legal! Fechando o livro, um glossário com os principais termos utilizados e dicas de sites. Super útil!
C&B.1 - A harmonização de vinho com comida busca uma complementação no sabor ou podemos fazer uma harmonização com elementos contrastantes que 'briguem' no paladar mas resultem em algo interessante?
Manoel Beato Os dois. Você pode ter a complementação tanto contrastante ou fazendo uma fusão. Podem, sim, ocorrer os dois casos.
C&B.2 - Existe algum prato difícil para harmonização? Já ouvi falar que pratos com alcachofra são complicados...
Manoel Beato Existem, sim. Realmente, pratos com alcachofra são muito dificeis de ser harmonizados, assim como pratos com rúcula, com um forte gosto amargo e picante.
C&B.3 - Já passou por alguma situação embaraçosa na profissão? (como derramar a bebida em algum cliente ou servir vinho oxidado ou "bouchonée").
Manoel Beato Sim, por várias. Já deixei cair vinho no cliente, já quebrei garrafas no restaurante, esse tipo de situação. Agora, nunca servi um vinho oxidado, pois faço questão de experimentar os vinhos que sirvo.
C&B.4 - Os vinhos de 'terroir' estão perdendo terreno ou têm sua fatia garantida? Li recentemente que os vinhos estão passando por um processo de uniformização por conta das exigências do mercado.
Manoel Beato Sim, isto é uma verdade. Porém existe sempre uma resposta. Os produtores de vinhos de terroir já estão preparando uma resposta, vindo em uma contra-corrente.
C&B.5 - Qual o lado bom e o lado ruim da profissão? E o que é preciso para ser um bom sommelier?
Manoel Beato Para mim não existe um lado ruim em ser sommelier. O que as pessoas consideram ruim, que é a dedicação e o estudo, eu vejo como prazeiroso. O lado bom é o número de relacionamentos interpessoais, além, é claro, da evolução do olfato e do paladar, sentidos que na maioria das vezes passam despercebido pelas pessoas.
Eu acredito que para ser um bom sommelier você tem que ter paixão. Só assim você terá força de vontade e perseverança, pois todo começo é difícil. Você precisa também ser curioso e bastante aberto, não ter medo de ir a fundo e ter personalidade para descobrir por você mesmo o que é qualidade em um vinho.
