LAMBRETA

Uma das minhas maiores diversões em Salvador é comer "lambreta" no Mercado Modelo. Mas não nos restaurantes suntuosos da cobertura. E nem nas mesinhas do pátio, onde capoeiristas e baianas fazem a festa das máquinas fotográficas dos turistas. Meu lugar predileto é o balcão da Cantina Modelo, naquele corredor escuro sob o mezanino dos sanitários.
Ali, de pé, disputando uma brecha no balcão com os locais, você come muito bem, pede a cerveja "trincando" de gelada, paga pouco e ainda participa de animadas discussões ou apenas escuta estórias engraçadas, como a de um rapaz que dizia se chamar Valdisnei "porque mainha gostava muito de 'seu' Walt Disney". Fala sério!
Sempre que estou lá (parada obrigatória), acabo sendo abordado por turistas que querem saber o que estou comendo. Imagino que eles pensem algo do tipo "um oriental de pé comendo num balcão assim, ou a comida é muito boa, ou está fazendo 'harakiri'!" E todos acabam pedindo a lambreta. E quem fica contente é o Jair, que passa a servir várias porções para a moçada que agradece nos mais diversos idiomas.
Lá na "Cantina" já comi de tudo. Mesmo. De agulha, pititinga, postas de cavala, sarapatel, carne "de fumeiro", uma sinistra tripa de porco frita e até o feijão dos empregados pedi um dia para provar. E veio uma porção generosa, que dava para três pessoas, gentilmente oferecida pela cozinheira, a Marinalva. Na hora de botar a farinha, a tampa do pote soltou e 'tchibum', lá se foi toda a farofa pro chão. Algum estresse? Nem pensar! "Foi o santo que pediu", alguém trata logo de explicar. Coisas da Bahia, meu nego!



