Marcelo Katsuki - Comes & Bebes
Marcelo Katsuki - Comes & Bebes
 

Comes

LAMBRETA

LAMBRETA



Uma das minhas maiores diversões em Salvador é comer "lambreta" no Mercado Modelo. Mas não nos restaurantes suntuosos da cobertura. E nem nas mesinhas do pátio, onde capoeiristas e baianas fazem a festa das máquinas fotográficas dos turistas. Meu lugar predileto é o balcão da Cantina Modelo, naquele corredor escuro sob o mezanino dos sanitários.

Ali, de pé, disputando uma brecha no balcão com os locais, você come muito bem, pede a cerveja "trincando" de gelada, paga pouco e ainda participa de animadas discussões ou apenas escuta estórias engraçadas, como a de um rapaz que dizia se chamar Valdisnei "porque mainha gostava muito de 'seu' Walt Disney". Fala sério!

Sempre que estou lá (parada obrigatória), acabo sendo abordado por turistas que querem saber o que estou comendo. Imagino que eles pensem algo do tipo "um oriental de pé comendo num balcão assim, ou a comida é muito boa, ou está fazendo 'harakiri'!" E todos acabam pedindo a lambreta. E quem fica contente é o Jair, que passa a servir várias porções para a moçada que agradece nos mais diversos idiomas.

Lá na "Cantina" já comi de tudo. Mesmo. De agulha, pititinga, postas de cavala, sarapatel, carne "de fumeiro", uma sinistra tripa de porco frita e até o feijão dos empregados pedi um dia para provar. E veio uma porção generosa, que dava para três pessoas, gentilmente oferecida pela cozinheira, a Marinalva. Na hora de botar a farinha, a tampa do pote soltou e 'tchibum', lá se foi toda a farofa pro chão. Algum estresse? Nem pensar! "Foi o santo que pediu", alguém trata logo de explicar. Coisas da Bahia, meu nego!

Escrito por Marcelo Katsuki às 00h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bahia, Brasil.

Bahia, Brasil.

Aqui estou eu, mais uma vez em Salvador. Aproveitando a incansável paisagem do Porto da Barra (onde estou hospedado), ainda tentando baixar um pouco o ritmo e aprender com os locais um pouco do "savoir faire" baiano; e é claro, comendo muitos acarajés.

Acarajé aqui é coisa séria. Seríssima. E nada me deixa mais alegre do que sentir o cheiro do dendê quente, com os bolinhos espremendo-se no tacho, pegando cor, escorrendo na espumadeira para depois serem recheados com vatapá, carurú, camarão seco e salada. Ah, e a pimenta, claro! Pior que nunca me contento com um ou dois. Como até passar mal. Sempre trago na mala uma cartela de Xenical, sei que é loucura, até passo por algumas situações bastante aflitivas, mas funciona. E me permite comer mais cinco ou seis acarajés no dia seguinte, sem grandes transtornos na balança.

Aqui em Salvador, Cira e Dinha fazem, na minha opinião, (e na de muitos) os melhores acarajés da Bahia. Para comprovar é só ver o tamanho das filas diante de seus tabuleiros, recheados também de cocadas, abarás e os bolinhos de estudante.




Cira utiliza ingredientes de primeira. O tamanho dos camarões do recheio surpreende e o sabor é único. Aliás, ao comer o acarajé da Cira, você elimina um dos ítens do livro "1.000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer ". Só daí já dá para sentir o prestígio da baiana.




O acarajé da Dinha também é excelente, com uma massa super crocante, mesmo depois de fria. E a vantagem é a localização: fica no Rio Vermelho, mais próximo que o da Cira, num agradável largo tomado por mesinhas e bares. E se quiser um pouco mais de conforto, basta atravessar a rua para chegar ao Restaurante da Dinha, onde são servidas moquecas perfumadas, e é claro, os famosos acarajés, que podem vir em versão aperitivo, com os recheios separados.




C&B também é cultura
Pelo que li, a origem do acarajé vem do akará, alimento sagrado oferecido a Iansã, deusa africana dos ventos, tempestades, relâmpagos e fogo. Segundo a lenda, Iansã foi enviada à terra dos Baribas, onde tomou um preparado que lhe deu o poder de cuspir fogo.

Relatos indicam ainda que os africanos realizavam cerimônias com o fogo, onde engoliam mechas de algodão embebidas em azeite de dendê em combustão, para homenagear os deuses, o que lembra o ritual de preparo do acarajé. Será que é por isso que a gente praticamente cospe fogo quando come um bem apimentado, ou em bom baianês, "bem quente"?

Escrito por Marcelo Katsuki às 22h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki, 41, é editor de arte da Folha Online. Formado em arquitetura, Kats está sempre em busca de novos sabores, seja testando receitas em casa ou saindo para conhecer novos restaurantes.

BUSCA NO BLOG


SITES RELACIONADOS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.