Marcelo Katsuki

Comes & Bebes

 

Lugares

Nova cozinha judaica

Nova cozinha judaica

Nova cozinha judaica


[Andrea Kaufmann e Chiquinho: criatividade e ousadia]


Minhas poucas referências sobre a comida judaica são as caixinhas de 'varenikes' que sempre compro no Sta. Luzia (e reinvento depois em casa) e as dicas da chef Eliana Didio. Embora tenha tentado me iniciar na área, nunca me senti muito atraído pelos pratos mas comecei a mudar meus conceitos graças ao AK Delicatessen.



Nasce uma estrela!
Andrea Kaufmann, eleita chef revelação do ano pela Vejinha, está desenvolvendo uma cozinha judaica de ares joviais, onde uma inusitada rabada faz ótima companhia a varenikes bem executados. Virei fã e voltarei outras vezes ao AK só para provar as outras opções e para comprar a terrine Lox, que tem povoado meus pensamentos desde que provei.



O couvert traz pãezinhos variados e algumas pastas, mas vamos ao que interessa: a 'terrine Lox' (R$ 12,30 / 100g). A escultura de salmão defumado traz em seu interior um sensacional cream cheese de dill, patê de ovos e cebola roxa, uma combinação perfeita que fica melhor ainda acompanhada do picles de pepino. Com algumas tacinhas de prosecco então, é puro delírio!



Depois de um começo tão estimulante, pensei em provar os varenikes de abóbora ou batata-doce (com creme de haddock!) mas como resistir ao apelo da rabada (R$ 36,00)? Sempre achei que os varenikes tinham um potencial inexplorado, e a Andrea está mostrando toda sua versatilidade com essas ousadas criações. Me joguei na opção com rabada e agrião, que estava deliciosa e numa versão light: a carne veio toda limpinha, leve e saborosa, acomodada ao lado dos varenikes. Isso sim é hibridismo na cozinha, hehe!


[Shot de borcht gelado com mini latkes de batata, hit da casa!]


Provei também o 'goulash de vitela' (R$ 37,00) com mini cebolas envoltas em um creme rico e picante, suavizado pelo creme azedo e pelo 'spetzel', uma massinha cozida. Sabores consistentes!



As sobremesas que provei eram gostosas mas não muito doces. O 'Gerbeau' (camadas de nozes, geléia abricot e chocolate amargo) é uma daquelas sobremesas fortes que têm tudo para agradar. A combinação dos sabores doce, amargo e azedo com fruta, nozes e chocolate tem ótimo resultado.



O 'bolo mousse de chocolate com marzipã' (o favorito da chef) é saboroso sem exagerar no açúcar, vem coberto por generosas raspas de chocolate e tem ótima textura.


[Guefilte fish para levar pra casa]


O AK ocupa a mesma casa onde funcionava o Ici Bistrô, com a rotisserie e um lounge no térreo e o salão no piso superior. O balcão com as criações da chef é tentador e já te aguça os sentidos para o que está por vir. A ambientação é leve e sem excessos, mas meu xodó é o piso de ladrilho hidráulico dos banheiros (lindo!) que inclui até uma reedição de um desenho do Flávio de Carvalho! Não que você precise de mais algum atrativo para ir ao AK. Mas o bom gosto faz parte do cardápio.





AK Delicatessen
Rua Mato Grosso, 450
Higienópolis - S.Paulo
Tel: 11-3231-4497 / 3129-7359

Escrito por Marcelo Katsuki às 12h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O restaurante halal da cidade

O restaurante halal da cidade



No sábado fui ao Pari visitar um 'brimo' e aproveitei para conhecer a Casa Líbano, único restaurante halal* da cidade. Sempre ouvia histórias do 'açougue que servia quibe cru', mas agora que finalmente pude ir até lá para conhecer, chego em uma casa toda reformada com ótima ambientação, um bonito café na entrada e uma organizada lojinha de produtos árabes. Mas o açougue ainda funciona no fundo do salão e as carnes, preparadas de acordo com os preceitos muçulmanos, podem ser compradas. Mas a dica é conhecer os pratos executados pela dona Hanie Moussa, que utiliza temperos libaneses originais para garantir a autenticidade dos pratos.



Uma das coisas mais divertidas são os sucos (R$ 4,30), todos feitos com xaropes. Tomei um de romã e um de amoras com água de rosas. Doces!!! Na hora me lembrei das groselhas da infância, mas como o 'Monin' é uma modinha nos bares atualmente, achei o suco super 'up-to-date', hehe. Ah, a casa não serve bebidas alcóolicas.



Enquanto escolhia o prato, pedi um combinado de hommus, babaganuj, coalhada e quibe cru (R$ 21,50) para começar. Tudo bem feitinho, mas o diferencial foi o tempero do quibe, acentuado por especiarias diferentes, onde o cominho se sobressaia. O babaganuj estava perfeito, com aquele característico gostinho de fumaça que eu adoro.



De prato principal, duas porções pequenas: uma de 'Kabsce' (R$ 13,30), o risoto de carneiro com amêndoas, que chegou na mesa com a carne macia exalando um sutil aroma das especiarias, nada exagerado. A outra porção foi de 'Labanie'(R$ 12,10), quibes e capelettis mergulhas em coalhada engrossada com grãos de arroz, semelhante ao Chich Barak.



De sobremesa, 'Mamul' de nozes aromatizado com água de flor de laranjeira (R$ 2,20), uma das minhas sobremesas favoritas. Mas a bandeja apresentada pelo garçom faz a gente arregalar os olhos e querer comer tudo.



Durante a semana, a casa oferece um almoço executivo com o combinado árabe (três frios + tabule) a R$ 13,20. Por mais R$ 3,50 pode escolher uma opção como charutinho, abobrinha ou berinjela rechada, entre outras. O salão lotado de famílias não deixou dúvidas quanto à qualidade da comida ofercida. E a simpatia do sr. Mohamad Moussa, proprietário da casa e que recebe todos com a mesma atenção, faz a gente querer voltar sempre. Vai lá e sahten!



Casa Líbano
Rua Barão de Ladário, 831
Pari - S.Paulo
Tel: 11-3313-0289
(* Que segue os preceitos muçulmanos)

Escrito por Marcelo Katsuki às 13h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Boulevard

Boulevard

Boulevard



Ontem foi a festa da Veja SP que elegeu os melhores da cidade (depois postarei fotos do meu enviado, hehe). Não pude ir mas aproveitei para conhecer o campeão da Veja Curitiba, o Boulevard, que levou quatro prêmios nesse ano: melhor da cidade, melhor francês, melhor carta de vinhos e chef do ano. Campeoníssimo!



O ambiente foi reformulado recentemente, procurando oferecer um clima mais contemporâneo. O bar possui um lounge confortável e o mobiliário escuro do salão contrasta perfeitamente com o serviço, todo em branco, valorizado pelo tapete de listras que recorta o ambiente sinuosamente. A adega ocupa um armário antigo e imponente logo na entrada e o bar possui um painel em cobre que confere brilho mas de forma bastante sóbria.



Cheguei no final do almoço. O salão estava lotado, o que me deixou um pouco apreensivo para fazer as fotos, mas fui discreto e fiquei sentado bem no canto do salão. Não há menu executivo mas uma proposta interessante chamada "Fórmula do meio-dia". Você escolhe um dos pratos principais do cardápio e ganha gratuitamente a entrada ou a sobremesa, você decide.

Pedi uma taça de espumante para dar uma relaxada e aproveitei o couvert (R$ 6,50) composto por pães e focaccias, pasta de berinjela, ricota temperada, tomate confitado além de manteiga e azeite aromatizado. Antes mesmo que eu começasse a me deliciar com a focaccia, chegou minha entrada: um polenta de semolina italiana cremosa com lascas de bacalhau. Leve e muito saborosa, perfeita no sal e super reconfortante para o meu maltratado estômago. Deliciosa.



Voltei para o couvert enquanto esperava o prato principal, coelho assado com mix de cogumelos e quirerinha da Lapa. Uma boa porção com cogumelos em um saboroso molho e uma quirera rica em sabor e com alguma crocância, imagino que de alguma castanha. Comi toda a quirerinha mas a porção de carne foi um pouco demais para mim. Perguntei para a gerente se as porções eram sempre tão generosas e ela disse que o chef Celso Freire não gosta que os clientes saiam com fome, por isso as porções não são pequenas.



Minha sobremesa foi outra tacinha de espumante, pulei os doces e o café para dar uma conferida no empório do restaurante, localizado na loja ao lado. Há uma vasta oferta de vinhos e muitas promoções. Aproveitei para comprar um Porto Vintage (pro médico da minha mãe) com um ótimo preço. As sobremesas são interessantes, como 'panna cotta de alecrim' e 'creme brulée de frutas gratinadas' mas também vou deixar para a próxima visita. Realmente quero voltar para a cidade em breve. A refeição (Fórmula do meio-dia) pode custar de R$ 28,00 (Ravióli de mussarela com molho de tomates e basílico) a R$ 83,00 (Posta de bacalhau com alho assado e batatas baby) e inclui a entrada ou sobremesa. Minha opção custou R$ 43,00 e me deixou bastante satisfeito.



No final da tarde, o bar oferece 'miniaturas gastronômicas', versão local para as tapas espanholas, a R$ 6,50 a porção que podem ser acompanhadas por taças de vinho ou espumante que custam em média R$ 12,00 mas o sommelier Leonardo pode dar boas dicas de vinhos da adega. Apesar das ótimas sugestões (tem até uma porção com duas peças de foie gras) e do preço, as 'miniaturas' ainda não pegaram. Talvez porque vá na contramão do modelo de fartura dos pratos locais, mas devem valer muito a pena. Na próxima eu provo!

Boulevard
Rua Voluntários da Pátria, 539
Tel: (41) 3023-8244
Curitiba - PR

Escrito por Marcelo Katsuki às 11h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Banquete eslavo

Banquete eslavo



Minha chegada ao restaurante Durski foi um constrangimento só. Depois de subir apressado a ladeira da Dr. Muricy de jeans e camiseta preta sob um calor senegalesco, adentrei o amplo salão belamente decorado todo suado e clamando por uma Coca gelada. O ambiente era mais sofisticado do que eu havia imaginado! E eu ainda troquei de lugar umas três vezes até achar uma mesa adequada para fazer umas fotos. Ainda bem que fui só, nenhum amigo teria agüentado tanto desatino.



Devidamente hidratado, passei para o cardápio sem deixar de observar melhor o salão, que ao fundo tinha um estar e uma mesa com doces de encher os olhos. Ao lado, uma adega imensa com ótimas opções de vinhos; na ausência de companhia, optei por uma taça de Finca La Linda e relaxei enquanto esperava o menu de degustação solicitado, na verdade o chamado 'Banquete Eslavo'. Eu nem imaginava o que me esperava!



A entrada eslava trazia embutidos, lombo defumado e picles acompanhados por molhos de raiz forte e de mostarda escura, além de uma cesta com pães variados, fresquinhos. Logo chegaria também a sopa de beterraba, Borstch, cremosa e surpreendetemente delicada.



Enquanto brincava de harmonizar as entradas com os molhos e o vinho, chegou o Platzki, uma espécie de panqueca de batata, bem sequinha e crocante. Eu quase podia sentir um gostinho de queijo no tostado, mas era apenas batata mesmo. É o tipo de comidinha que adoro, e veio sequinha, comi lentamente cada pedacinho me deliciando em silêncio. Logo em seguida chegaria a Salada russa acompanhada de folhas.



Eu mal havia conseguido absorver todos aqueles sabores quando o banquete chegou ao seu auge. De uma só vez chegaram o Pierogi de batatas (similar ao varenike) coberto por flocos de cebola frita, o Frango Kiev, um filé recheado apenas com manteiga, salsinha e cebolinha, empanado e frito. Já deu para imaginar a delícia. Mas a grande vedete foi o Leitão asssado, com sua carne suculenta e macia coberta por uma pele 'pururucada' que não dava para resistir: comi toda e sem dó. Lembrou-me do 'conchinillo' espanhol, um 'favorito' do meu modesto repertório.



Mas não era só isso. Havia ainda o arroz de forno com frango e cubinhos de queijo e o clássido estrogonofe de mignon numa simpática caçarolinha, mais arroz branco e molhos de cogumelos e de lingüiças (delícia!).



Precavidamente evitei o couvert. E desafortunadamente tive de recusar as sobremesas e o café. Nem sei como consegui caminhar de volta até o hotel (talvez favorecido pela descida), mas o fato é que se eu saí de lá realmente encantado com o restaurante do chef Junior Durski. Com a comida, o atendimento e o preço: R$ 44,80 pelo 'Banquete Eslavo' (valor que a gente paga muitas vezes por apenas um prato em um bom restaurante).



Delírio. A mesa de doces tem torta crocante, de queijo, pé-de-moleque, pães de mel decorados, bolo de morango e trufas. Mas há ainda brownies, sorvetes, frutas, torta de requeijão, queijos finos além de Ambrosia e Kutiá, um doce de grãos de trigo em calda de ameixa seca, nozes e mel. Vai ficar para a próxima visita!



E se eu estava feliz da vida por ter emagrecido na correria dos últimos dias, saí do restaurante com a certeza de que havia recuperado alguns quilos. Mas deixei o Durski animado, com a alma renovada pelo vinho, pela comida, pelo momento especial que uma boa refeição pode proporcionar. De volta para a caminhada.



Durski
Rua Jaime Reis, 254
Tel: (41) 3225-7893
Curitiba - PR

Escrito por Marcelo Katsuki às 11h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cantina do Délio

Cantina do Délio



Graças ao Jackson (novo amigo daqui de Curitiba) consegui dar uma rápida escapada do hospital para um almoço na Cantina do Délio e fazer uma breve visita ao Mercado Municipal, que comentarei em breve.



Délio entrou para o mundo da gastronomia quando foi para Londres estudar desenho industrial e acabou trabalhando em algumas cozinhas para incrementar o orçamento. Voltando ao país abriu o bar Jacobina (na Almirante Tamandaré, 1.365 - Curitiba), e recentemente a Cantina, que ocupa uma simpática casinha de madeira, construção típica da região.



Da casinha verde original sobraram apenas as paredes externas. Délio reformou todo o interior, melhorou o porão, viabilizou o mezanino e criou uma ambientação rústica repleta de elementos curiosos, como máquinas de escrever antigas, baleiros e até uma cortina de gravatas. Quem cuida da cozinha é a chef Gliciara Bueno, que comandava antes a cozinha do bar. Gliciara casou-se no domingo, mas na véspera estava lá na cozinha na maior calma. Disse ainda que por ela, "trabalharia até a hora do casamento", revelando que a cozinha é seu outro caso de amor.



Dentre as sugestivas opções do cardápio italiano, provei o 'ragu de ossobuco com polenta cremosa e salada' (R$ 15,00) que chegou à mesa exalando um cheiro ótimo de vinho e temperos do delicioso molho. Mas me acabei mesmo com a 'bisteca Fiorentina' (R$ 17,00), uma bisteca de boi gigantesca grelhada no ponto e acompanhada por batatas e pimentões salteados, além da saladinha.



Além de boas ofertas da adega do porão, outro grande atrativo da casa é a carta de sobremesas. Provei o 'arroz doce' feito com arroz arbóreo, leite, gemas e canela, forte e bem quente! O sorvete de queijo com goiabada também era gostoso, mas meu favorito mesmo foi o 'Banoffi', massa de torta feita de bolacha e camadas de banana, doce de leite e nata batida, uma combinação perfeita!







Ah, as massas do cardápio são todas fresquíssimas e caseiras, assim como as sobremesas, feitas pela Renata, esposa do Délio. Fiz uma refeição breve mas deliciosa. Mais uma vez comida farta (e muito bem feita) a preço amigo. Preciso voltar mais vezes a Curitiba.



Cantina do Délio
Rua Itupava, 1.094
Tel: (41) 3078-0010
Curitiba - PR

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cubanos e rosés

Cubanos e rosés



Na semana passada estive no Esch Café (Alameda Lorena, 1899 - Jardins - tel. 11-3062-2285) para provar o menu criado para harmonizar com o Chandon Brut Rosé, e que está sendo servido como parte das comemorações do 'Promenade Chandon'. Comigo na mesa, cinco mulheres, envoltas pela fumaça de Cohibas e outros cubanos que era rapidamente tragada pelo eficiente exaustor de ar do salão. Nas mesas e no amplo balcão um aglomerado de homens conversa, fuma e olha para as telas de plasma que transmitem futebol. "Aqui é o paraíso para as mulheres" revela uma delas. E as rodadas incessantes de espumante rosé vão animando a conversa. As muitas conversas.




Incrível a capacidade de comunicacão das mulheres! Os diálogos aconteciam em duplas diametralmente opostas, em grupo, em trio, tudo ao mesmo tempo. Os assuntos? Invariavelmente homens. Às vezes trabalho. E logo voltava ao assunto principal. Sex and the City perde!!! Aproveitei para uma rápida conversa com o mestre Derivan (que está cuidando do bar com toda aquela classe), fui para a cozinha ver o preparo dos pratos, mas logo voltei para a animada mesa, 'incendiada' pelo espumante rosé. Virei algumas tacinhas e embarquei no clima das 'mentes perigosas', hehe. Foi divertido!




Para essa harmonização, nada de grandes surtos de criatividade: uma brusqueta de brie com geléia de damasco, um fetuccine com molho de salmão e de sobremesa, salada de frutas com Cointreau. Nada de inesperado, mas tudo realizado com esmero. E caiu bem com a bebida. O Esch parece ter uma vocação mais para bar mesmo. Apesar da adega com bons exemplares de vinhos, fica difícil pensar na sutileza de harmonizações enogastronômicas em meio ao cheiro dos charutos, ainda que haja um lugar para não fumantes depois do 'fumoir'. Mas o lugar é charmoso, aconchegante, o atendimento é feito por jovens trajando figurinos cubanos e a oferta de charutos da tabacaria é excelente. Não me senti de volta ao Hotel Nacional de Cuba, mas passei momentos bastante agradáveis, e olha que nem sou fumante. Ah, a trilha sonora também é ótima, vá e depois me conta!


Escrito por Marcelo Katsuki às 23h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

East: asiático contemporâneo

East: asiático contemporâneo



Na semana passada voltei ao East (Alameda Jaú, 1303, Jardins - tel 11-3081-1160), quase um ano após minha primeira visita. Se da outra vez me surpreendi com a comida picante e fui salvo pelo providencial algodão doce ao final, dessa vez a história foi outra: achei a comida até pouco condimentada, quase sutil.



O ambiente também mudou: foi-se o clima intimista, fechado, muito escuro que deu lugar a um amplo salão aberto, com direito a um charmoso lounge ao fundo. A área externa recebeu fechamento em vidro e permite visualizar a rua, tornando suas mesas disputadas. O lindo bar agora integra-se ao salão, dando uma nova dimensão ao espaço.

A comida do East mescla pratos asiáticos e agora conta com sushi bar e até sanduíches, como um interessante 'hambúrguer teriyaki'. As entradinhas continuam deliciosas, como os 'rolinhos vietnamitas' (R$ 16,00) e as crocantes 'lulas douradas' (R$ 18,00) empanadas em coco (minhas favoritas). A cozinha está a cargo dos chefs e irmãos Maria e Fábio Eustáquio, que atuam na cozinha do restaurante desde a sua inauguração.



Comi a 'salada de papaya verde' (R$ 32,00) com camarão, manga, pupunha, ervas e molho som tam, um delírio de texturas com tempero delicioso e preciso. Logo passei para os princiapais, 'camarão chinês' (R$ 32,00), empanado em massinha com um adocicado molho de mel, sobre crisps de massa de arroz. Fechei com o 'risotto tailandes', arroz com camarão ao molho de coco e gengibre cozidos com manga, abacaxi e pimentões. Esperava um sabor mais marcante desse prato, mas me contaram que o uso dos condimentos foi redimensionado pelo gosto da clientela, que reclamava dos sabores muito picantes.



Para encerrar, surpreendentes 'bananas crocantes' recheadas com doce de leite e empanadas, acompanhadas de sorvete de coco, uma combinação perfeita! Ah, e os martinis do East continuam incríveis, como o de gengibre, o de wasabi e o Cosmopolitan, com um toque de água de flor de laranjeira.

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Pranzo

Pranzo


[Tortelli com recheio de carne de verdade]


Mais uma dica B&G (barato e gostoso) no centrão, mais especificamente, no Arouche. O Pranzo é um pequeno restaurante italiano que ficava meio escondido no subsolo da galeria da Dulca (av. Vieira de Carvalho) até a semana passada, mas agora mudou-se para o Largo do Arouche, 248 (tel. 11-3225-9310). A casa ainda está desprovida de decoração, mas como disse a proprietária Eliana, "o importante foi que conseguimos fazer a mudança". Eliana está animada com o novo ponto que funcionará também nos finais de semana e à noite "dependendo do movimento", conclui.


[Nhoque recheado com queijo e molho bolonhesa]


Com maior visibilidade, agora as massas fresquíssimas da casa certamente farão sucesso. Digo isso porque sou fã do 'tortelli de carne', com molho ao sugo e manjericão fresco (R$ 9,50), que já encomendei para preparar em casa, mas muitas vezes deixei de ir comer durante a semana porque simplesmente me esquecia do lugar. Agora ficou quase impossível não ver o toldinho preto na rotatória do Arouche. As massas recheadas utilizam carne picadinha e não aquela 'pasta' que a gente vê por aí. E a massa fresca pede pouco cozimento, chega al dente à mesa com o suculento molho de tomate.


[A simpática fachada no Arouche]


Ontem provei também o 'nhoque recheado com queijo' com molho à bolonhesa (R$ 10,60), massa leve e recheio de queijo derretido, uma delícia. Os preços incluem uma fatia de pão italiano com azeite de manjericão. A casa tem vários tipos de massas e oferece também saladas, onde o cliente pode escolher os ingredientes. Apesar do atendimento na mesa, o pagamento é feito com comanda individual direto no caixa, ideal para almoço em grupos. E a cada 10 refeições, você ainda ganha um espaguete de brinde.

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Boa Bistrô

Boa Bistrô



Boa: bistrô, bem-estar e diversão. Na semana passada fui convidado para conhecer os novos pratos do restaurante, criados pela nova chef da casa, a jovem e talentosa Talitha Barros. A chef é uma figura marcante: sempre alegre, dá altas gargalhadas com a mesma desenvoltura com que distribui ordens pela cozinha. Antes de aportar no 'Boa', Thalita passou por restaurantes como o La Casserole e o Hanadoki, de onde mescla influências.

O ambiente do bistrô é bastante agradável: luz baixa, sofás aconchegantes, mesas na área externa e uma excelente trilha sonora. Ah, e tem as luminárias do designer holandês Tord Boontje, que fazem a gente comer olhando para cima. Adoro. Abaixo, as fotos dos pratos (em versão para degustação), clicados na própria cozinha, onde pude me divertir um pouquinho vendo a chef em ação.


[Spanakópitas: pastéis de queijo feta e espinafre feitos com a finíssima massa 'filo'.]



[Saladinha de quinoa com tenras fatias de abobrinha marinadas em molho agridoce.]



[Mix de folhas com fatias de mignon de cordeiro. Mas a surpresa foi o vinagrete de papaia, delicioso.]



[Uma das melhores sopas de cebola que já tomei (e olha que não sou fã de sopas). Um creme rico de sabor mas sem aquele peso de manteiga ou creme. As cebolas glaceadas eram uma 'gentileza' a mais na bela peça de cerâmica.]



[Robalo com crosta de 'panko' (super crocante!), purê de mandioquinha e azedinha finamente picada. Belo mix de texturas e sabores envoltos por molho tarê.]



[Lulas levemente salteadas em molho tailandês sobre juliene de palmito pupunha e risoto de arroz de jasmim. Aromatizando o prato, um fio de azeite de mannjericão, um perfume só.]



[A surpreedente cestinha (de massa filo!) com doce de leite de búfala e redução de maracujá.]



[Para fechar, sorvete de baunilha e morangos com calda de aceto balsâmico, mel e pimenta. Uh-la-lá!]



[A espevitada Thalita em ação.]


Boa Bistrô
Rua Padre João Manuel, 950 - Jardins - S.Paulo/SP
Fone: 11-3082-5709/3082-7320

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lado B da Liberdade

Lado B da Liberdade


[Clique aqui para ver o mapa com os restaurantes.]


Para fechar a semana dos '99 anos da imigração japonesa', nada como umas dicas da Liberdade, o bairro oriental da cidade. Lembra a matéria que fiz para a Ilustrada? Pois é, para quem não pode ler na época, segue abaixo. Bom finde!

Com chef malabarista e milanesa à moda japonesa, restaurantes compõem o circuito alternativo do bairro paulistano

É só falar no bairro da Liberdade para vir à mente o restaurante que tem o seu yakisoba favorito ou o sushiman famoso que prepara seus temakis como ninguém. Por que não quebrar essa rotina do trivial "sushi-yakisoba" das casas famosas e visitar restaurantes que compõem o roteiro alternativo do bairro paulistano?

Uma fachada escura e um preço atraente podem afugentar os clientes, desconfiados da oferta generosa. Esse é o caso do Restaurante Galvão Bueno, um "3 em 1" da gastronomia oriental. Lá, as cozinhas chinesa, japonesa e coreana dividem espaço no mesmo bufê. Carnes cruas convivem com sushis e ostras num salão repleto de churrasqueiras nas mesas. No meio daquele fumacê todo, descobre-se que o bul go gui (o churrasco coreano) tem uma boa seleção de carnes e um tempero gostoso. Os sushis são saborosos; e as ostras, fresquíssimas. Caso não saiba preparar o churrasco, chame o Ivo Lima. Os atendentes estão sempre dispostos a explicar o preparo, simples, na verdade. Talvez saia um pouco defumado, mas a visita valhe a pena.

Já os fãs do macarrão chinês devem conhecer o Rong He. A discreta casa passa desapercebida até para quem transita à pé. O mesmo não se pode dizer de seus pratos, chamativos e muito picantes, típicos da cozinha do norte da China. E que tal assistir ao chef esticando sua massa com as mãos antes de levá-la ao caldeirão, sem utilizar cilindro nem faca para cortar os fios? Um show de malabarismo: a massa estica, gira, torce, divide-se. Além do 'chaomamian' (macarrão picante com frutos do mar), não saia de lá sem provar o giucaihezi, um pastel recheado de macarrão harussame, camarão e nirá, a perfumada cebolinha silvestre. De sobremesa, o 'doushasujiao' é a pedida certa: um pastelzinho recheado de pasta de feijão, cozido no vapor e depois frito, bem delicado -um bom contraponto para uma refeição de sabores tão fortes.

Meio escondido e com a porta sempre fechada, quem se aventuraria a adentrar o salão do Bueno? O proprietário Fernando Kuroda já foi "sumotori" (lutador de sumô) profissional e, além de sua brigada de lutadores, ostenta um cardápio em japonês, o que pode intimidar -mas uma versão em português já está saindo do forno. Clássico da casa, o chanko nabe é uma refeição "de peso" que garante aos lutadores de sumô sua forma ideal. O Bueno reproduz o modelo de "isakaya", os tradicionais bares de petiscos do Japão, com um balcão repleto de tira-gostos de sabor autêntico. Para o outono, há duas novidades: o ishiyaki bi bim pa (um prato coreano com legumes e pasta de soja picante sob arroz e ovo cru, que devem ser misturados, sendo cozidos pelo calor da travessa de pedra na qual é servido) e o okonomiyaki, a "pizza japonesa", mas aqui feita com abóbora.

Bocados chineses
Com uma fachada modesta e fora do circuitão dos restaurantes, fica difícil descobrir o Jambo, lugar especializado em dim sum, os tradicionais bocados chineses apreciados mundo afora, mas pouco conhecidos aqui. Restaurante da simpática Suzana Chou, o Jambo possui ainda um farto bufê para o preparo do shabu-shabu chinês, um tipo de "fondue" de carnes, frutos do mar, legumes e verduras cozidos em um fumegante caldo e degustados com um molho que confere um sabor acre, adocicado e picante. Aproveite a visita para tomar uma dose de Peikan, a cachaça chinesa com 50º de teor alcoólico e um sutil aroma de jaca.

Mais bem localizado e menos exótico, o Katsuzen ostenta na fachada o nome em ideogramas japoneses, o que dificulta sua identificação. Não para os japoneses, que adoram a especialidade da casa: milanesa. O próprio nome do restaurante significa "milanesa na bandeja". Para fazer jus ao título, capricha nos lombos empanados, preservando a capinha de gordura da carne, detalhe apreciado. O grande sucesso é o tonkatsu: fatias de lombo de porco à milanesa. Sirva-se à vontade de tarê, o espesso molho inglês que vai bem com a fritura.

Já o Okuyama é especializado em "fast food" japonês e em alguns pratos de Okinawa (província do Japão), como o okinawa soba, um macarrão com saborosas e indiscretas costelinhas de porco e conserva de gengibre, e o achi ti biti, generosa porção de joelho de porco lentamente cozida num molho espesso com cogumelos e gengibre. Assim como os irmãos Milton e Francisco Okuyama, que se alternam no salão, a cozinha também é comandada por dois irmãos: o Zé e o Josias Rego, que garantem o tempero apurado. O mais curioso é que eles são... mineiros. Mas quem disse que cozinha japonesa era terreno só de cearense, uai?

Clique aqui para ver o mapa com os restaurantes.

Escrito por Marcelo Katsuki às 01h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O barato da semana gay

O barato da semana gay

Na semana da Parada, a dica B&G vira B&GLS*, hehe (*barato, gostoso, leve e saboroso). Olha só, aqui perto do jornal tem um bar gls que ferve toda noite chamado Vermont (Av. Dr. Vieira de Carvalho, 10 - República - tel: 11-3222-5848). Mas se à noite o lugar acontece na cena gay, durante o dia passa quase despercebido, como mais um simpático café do centro (não fosse o tapete com as cores do arco-íris, claro).


[meu favorito: cordão de carne, rúcula com tomate e mandioca frita]


Já almocei muito lá, já levei vários amigos e todos são unânimes em afimar que a comida é boa, saborosa e a porção farta. O preço também é camarada, o atendimento cortês e o uso de cartões individuais facilita na hora de pagar a conta.

O cardápio executivo tem várias opções de carnes, como a 'alcatra à milanesa' ou o 'contrafilé grelhado' por R$ 10,90; 'estrogonofe de carne ou frango', 'mini picanha' ou 'alcatra à parmegiana' por R$ 11,90 e 'filé de peixe à dorê ou grelhado' por R$ 12,90. Todos acompanham duas guarnições que você escolhe, entre saladas, fritas, purê, creme de milho, legumes na manteiga, brócolis com alho ou os triviais arroz e feijão.


[Picadinho com arroz e farofa e parmegiana com arroz e mandioca frita]


Eu sempre vou de 'cordão de carne grelhada', salteado com cebola e tomate, que tem um gostinho bem caseiro. De acompanhamento, mandioca frita, sequinha e macia, e salada de rúcula com tomates frescos. Mas já provei a parmegiana, o virado de segunda, o frango e uma omelete e achei tudo saboroso. Recomendo!

Escrito por Marcelo Katsuki às 09h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O primo pobre da paella

O primo pobre da paella



Ontem almocei no meu B&G* favorito, o PASV, aqui pertinho do jornal. Adoro o PF de lá -um dos melhores- mas isso vai ficar para um futuro post. A pedida ontem era o arroz del puerto, que, como o próprio nome sugere, é um risotão com pescados e frutos do mar. Mas muito simples, coisa rústica, como imagino ser um arroz preparado 'no porto'.

O PASV (iniciais dos sócios) é uma casa muito simples da São João e que tinha um balcão em "U" que circulava todo o salão, parcialmente eliminado em recente reforma. O lugar perdeu aquele charme antigo, mas proporcionou mais conforto, com mesas no novo salão. A cozinha é espanhola e brasileira e da boqueta saem paellas e mariscadas perfumadas, além de carnes na brasa. Mas como o "arroz del puerto" é um achado em pleno Centrão, achei que valia mais um post: é saboroso e tem ótimo preço (R$ 35,00) pois serve duas pessoas.



Eu sempre ligo e peço pro seu Ramón (ou pras Marias -da Glória e Socorro) para preparar antes, pois o prato é feito no forno e demora uns 20 minutos para ficar pronto. Às vezes eu me atraso e o arroz fica absorvendo o caldo, envolvendo os sabores, o que é muito bom. Além do arroz, o prato leva lulas, mexilhões, camarõezinhos, vôngole, cação e bacalhau. Sobre ele, fatias de pimentão assadas, ervilhas e um filé de pescada à dorê. Esse 'primo' pode ser pobre, mas com certeza vive bem, hehe.

Não dá muito trabalho: é colocar no prato, regar com azeite e se deliciar. Para finalizar, há sobremesas como pudim de leite e creme de papaia, mas minha opção é sempre o cafezinho, moído na hora e bem equilibrado. O lugar é realmente simples, mas a comida pode surpreender. Uma ótima pedida para essa sexta-feira gelada, não? Vai lá.

PASV
Av. São João, 1.145 - Centro
Tel: 11-3221-2715

*B&G: barato e gostoso

Escrito por Marcelo Katsuki às 01h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Leblon à paulista

Leblon à paulista


[Tarde ensolarada no 'Leblon']


Uma jornalista de uma revista dominical do Rio elencou na semana passada alguns motivos para os cariocas se irritarem com os paulistas, como por exemplo quando dizemos "balada, da hora" ou simplesmente chamamos carteira de motorista de "carta" (hein?). Coisa mais antipática... e ultrapassada, quem ainda perde tempo com essa rixa velha, gente? 'Avoa'!

E o último motivo de irritação é que "[os paulistas] só fazem bares que remetem ao Rio". Uhum... Pois me lembrei disso na segunda ao encontrar os amigos no novo bar ali da Bela Cintra, o Leblon ( Rua Bela Cintra, 483 - Consolação - Tel: 11-3237-0151). Mais importante do que o 'motivo' carioca, é que a casa tem cardápio e preços da cidade maravilhosa, boa comida, atendimento atencioso e uma ótima freqüência.


[Imagem do morro Dois Irmãos estampada na parede]


O salão é comprido mas ninguém fica apertado. Na parede lateral o iluminado bar é seguido de um painel com a imagem do morro Dois Irmãos, só falta a maresia pra você embarcar no clima. O gerente da casa é o experiente Ailton, trazido de outro bar, o Filial, da Vila Madalena onde atendia os clientes no salão.

O cardápio é enxuto mas tem os tradicionais Bolinhos de Bacalhau e deliciosos Mini Hamburguinhos, sobre fatia de pão com queijo derretido. As porções são fartas e custam em média R$ 15,00. A cerveja da casa é a Bohemia e o chopp da Brahma. Há uma boa oferta de drinques a preços atraentes: tomei um Dry Martini com gin Tanqueray por R$ 11,00 -um dos melhores preços até agora- e um Scotch 8 anos por R$ 10,00, nada mal.


[Boa seleção de destilados]


A freqüência é bem mista, de jovens universitários até a nossa mesa veterana, instalada na boca da cozinha, de onde pude ver saírem pratos bem elaborados e apetitosos, típicos da cozinha de boteco. Acabei encontrando amigos de karaokê, de 'balada' (uih) e antigos colegas de redação, provavelmente 'seguidores do Ailton'.

Como não pude ir ao Rio aproveitar o feriado por conta do trabalho, pelo menos fui ao 'Leblon'. Amigos, mesa de bar, chopinhos, a visão do morro Dois Irmãos e ao fundo aquela vozinha miúda que embala a bossa nova: bons motivos pra gente gostar de se lembrar do Rio. Ou pelo menos para embarcar no clima e curtir o novo 'boteco carioca' da cidade.

Escrito por Marcelo Katsuki às 23h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bucatini: um italiano no Paraíso

Bucatini: um italiano no Paraíso

Na semana passada participei de uma harmonização de vinhos da Decanter com pratos criados pelo Chef Carlos Ribeiro para o Bucatini. Nem só de esfihas vive o Paraíso! O Bucatini é um restaurante italiano especializado em massas (de fabricação própria) com frutos do mar localizado no comecinho da Abílio Soares (dá para eu ir à pé, mas quem garantiria na volta alguma disposição esportiva depois da farrinha gastronômica?). Fui de carro e consegui me perder no bairro, aih. Não, eu ainda não tinha bebido. Sim, me atrasei e quando cheguei lá, a Roberta (com que eu tinha combinado) já estava na mesa com uma tacinha na mão se divertindo com a Pati e a Lívia.



O ambiente é bem despojado, mas distante daquela atmosfera de cantina: as paredes amarelas são texturizadas e possuem poucos adornos. A iluminação é agradável e o salão amplo. Havia uma boa quantidade de clientes, o que me faz pensar que o Bucatini tem uma clientela fiel. Nos acomodamos no fundo para o início do serviço. Degustamos um espumante, um rosé, e dois tintos: um Pinot Noir e um Cabernet.

As entradinhas estavam perfeitas para um 'welcome': "Mini brusquetas de queijo brie com geléia de limão siciliano". Cheguei esbaforido e com fome/sede: virei uma tacinha e não contei quantos canapés comi para não ficar 'intimidado', hehe.



Estava começando a colocar o papo em dia com a Beta quando chegou a "Mousse de tomate seco com mini rúcula e pesto de manjericão". Nós dois concordamos que não gostamos de tomate seco (ficamos saturados pelo bombardeio dos últimos anos) mas igualmente nos surpreendemos com a leveza e sabor delicado do prato. Com o pesto então, casamento perfeito!



Para acompanhar o primeiro tinto, delicados nhoques de mandioquinha (ou batata baroa, como diz a Beta) com encorpado molho de açafrão com frutos do mar. A gente bem que sentiu que havia um 'algo a mais' naqueles mariscos, hehe. Ainda juntei um fiozinho de azeite para completar, como se precisasse.



O prato que acompanhou o Cabernet era o meu desejo de semanas: Polenta italiana cremosa com Roquefort. Junto a ela, uma ramequin com ragú de lingüiça de cordeiro Merguese com redução de balsâmico e marmelo de limão. Muita coisa? Que nada, ainda havia um raminho de alecrim aguçando os aromas.



Na hora da sobremesa corri para a boqueta da cozinha para fotografar a finalização das tacinhas com sorvete de baunilha, geléia de gengibre, crumble de cantuccini e azeite de limão. Refrescante, perfumado e surpreendente.

Alguns pratos apresentados estão no cardápio da casa, outros devem fazer parte em breve. Dei uma rápida passada no cardápio e vi vários 'clássicos' italianos que adoro, ou seja, vou acabar virando habitué. Ah, eu já falei que bucatini é o macarrão da minha infância? Pois é, e agora eu já sei onde ele fica.


[Sônia Florence, do Bucatini e o chef Carlos Ribeiro]


Bucatini
Rua Abílio Soares, 904 - Paraíso - S.Paulo
Tel: 11-3887-5769

Escrito por Marcelo Katsuki às 00h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Marcelo Katsuki Marcelo Katsuki é editor de arte de Mídias Digitais da Folha, colaborador da revista sãopaulo e colunista da "Prazeres da Mesa".

BUSCA NO BLOG


TWITTER

    Twitter RSS

    ARQUIVO


    Ver mensagens anteriores
     

    Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
    em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.